quinta-feira, 11 de maio de 2017

JAPAN HOUSE

Como volta e meia costumo repetir aqui no blog, São Paulo não se cansa de me surpreender. Acaba de inaugurar na cidade, em plena Avenida Paulista, a Japan House. Em bom português, a Casa Japão. E eu, encantado que sou com tudo o que diz respeito a esse país, fui correndo conferir. Correndo é maneira de falar. A inauguração foi no sábado passado, mas esperei até ontem para evitar aglomerações. E foi ótimo ter esperado. Estava super tranquilo. Mesmo assim, visitei tudo rapidamente, uma passada geral para conferir todos os ambientes. Pretendo voltar com mais tempo e mais calma para me dedicar a cada recanto. Um misto de galeria de arte, biblioteca, café, jardim, loja, restaurante e museu. A exposição inaugural é dedicada ao bambu, elemento presente em vários aspectos da vida e da cultura japonesas. Diversos artistas apresentam obras de grande beleza e impacto visual utilizando esse rico e versátil material. Dei uma rápida olhada nos livros e fiquei especialmente tocado por Kazu, ensaio fotográfico de Herb Ritts com nus artísticos do jogador de futebol japonês Kazuyoshi Miura. O restaurante, no segundo andar com vista para a Avenida Paulista, é o Junji Sakamoto, do renomado chefe de mesmo nome, e a cafeteria no térreo é o Imi Café. Sem muito o que dizer e ainda sob o impacto da primeira visita, deixo algumas imagens que registrei com meu celular. Mais para a frente conto em detalhes sobre o restaurante, exposição, café e etc. Como sempre, a cidade de São Paulo me surpreende e encanta. Sou muito grato por ter sido acolhido por ela. Arigatô, Pauliceia!
Nas fotos, o terraço com vista para a Paulista, eu fazendo graça em frente à parede de washi do artista Yasuo Kobayashi, obra de Chikuunsai IV Tanabe na sala de exposições, o incrível jardim de pedra e Kazuyoshi Miura para Herb Ritts.

terça-feira, 2 de maio de 2017

MONÓLOGO PÚBLICO

Como é bom ir ao teatro. Como é bom ir ao teatro e sair satisfeito. Como é bom ir ao teatro e se sentir provocado, instigado. Como é bom ir ao teatro e sair de lá transformado. Assim é o teatro de Michel Melamed: Provocador, instigante, transformador. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito nesse feriado de segunda-feira. Gosto muito de tudo o que faz esse poeta, autor, ator, diretor, performer e apresentador de TV. Seu solo Dinheiro Grátis já havia mexido muito comigo anos atrás no Rio de Janeiro. E nesse Monólogo Público ele vem ainda mais intenso e autobiográfico. É um deleite embarcar nas desventuras do personagem narrador cujo texto se desenvolve ora em verso ora em prosa, cheio de jogos de palavras e associações, pleno de beleza e inteligência raras. Com uma belíssima luz assinada por Adriana Ortiz, um impressionante objeto/cenário de Sergio Marimba e uma trilha sonora inspirada e inspiradora do DJ Ansioso, Michel está muito bem amparado sobre a cena. Mas ele não precisaria de nada disso. Se quisesse, poderia chegar e fazer seu solo em qualquer lugar, com qualquer roupa, em quaisquer condições. O que interessa, o que enche os olhos, a alma e o coração, é o que está com ele. Seu conteúdo. Ainda bem que o seu monólogo é público. Para mim, que já vivo uma crise de abstinência cênica, foi como uma espécie de abdução ao mundo do teatro. Uma consagração. Uma epifania. Viva Michel Melamed!
Nas fotos, Michel em si sobre o palco e eu totalmente abduzido após o espetáculo.

domingo, 30 de abril de 2017

MEDO DE AVIÃO

Que sacanagem esse negócio de todo domingo um cantor bacana se despedir da gente. Domingo passado foi Jerry Adriani. Hoje, Belchior. O tempo vai passando, vamos envelhecendo e perdendo pelo caminho amigos, ídolos e referências. Eu, que nunca tive medo de avião, tremi nas bases quando encontrei com Belchior na loja de discos Spotless, do então meu amigo Cid (onde andará?) na longínqua Porto Alegre do ano de 1979... Já contei mil vezes aqui no blog desse encontro que mudaria a minha vida. Mas, dada a importância da efeméride, vale repetir. Eu ouvia atentamente nos fones de ouvido o recém-lançado LP de estreia de Ângela Ro Ro quando o cearense adentra o descolado point para uma tarde de autógrafos de seu igualmente recém-lançado LP Medo de Avião. Meio sem graça com a pouca frequência, se dirige à minha pequena e meiga pessoa, pergunta o que estou ouvindo e engatamos animada conversa. O que nunca contei aqui é que eu não estava lá por acaso. Sabia muito bem que o rapaz latino-americano sem dinheiro no bolso e sem parentes importantes viria do interior para dar os seus autógrafos. E, do alto dos meus quinze aninhos, fiz a desavisada & blasé... Belchior se encantou comigo, eu com ele e, além de um bom papo e um autógrafo, ganhei um convite para assistir ao seu show novamente, pois já havia assistido na noite anterior. Me pediu para esperá-lo na entrada lateral do Teatro Leopoldina, que era por onde entravam os artistas, que me levaria com ele para os bastidores do show. Eu era um poço de ingenuidade e virgem até a raiz dos cabelos. O que fez com que nenhuma segunda intenção me passasse pela cabeça. Fiquei com ele no camarim até o começo do show, assisti ao show da coxia e, quando as cortinas se fecharam após o bis, me escafedi com algum tipo de sinal de alerta não identificado me dizendo para sumir. É lógico que até hoje me arrependo amargamente de não ter esperado por ele, de não ter saído com ele após a apresentação, de não ter vivido o que quer que fosse que o destino estava tentando fazer para unir o nordeste ao sul. Um gole de conhaque, aquele toque em teu cetim, que coisa adolescente, James Dean. Agora já foi, já era. Até parece que foi ontem minha mocidade, com diploma de sofrer de outra universidade... Ainda bem que tenho suas canções. Que sempre amei, amo e amarei. Não quero ficar falando aqui de coisas que aprendi nos discos. Quero apenas contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo. Vai em paz, Belchior. Em cada luz de mercúrio vejo a luz do teu olhar. Passas praças, viadutos, nem te lembras de voltar. De voltar, de voltar...
Eu tenho o autógrafo guardado, não sei onde. Se soubesse, postaria aqui para ilustrar o post.

domingo, 23 de abril de 2017

DOMINGO CINZA, FADO FELIZ

Domingo, 23 de abril. Depois de amanhã faço aniversário. Cinquenta e quatro anos de idade. Hoje é o dia de São Jorge. Dia das eleições presidenciais na França. Logo mais, à tardinha, vou ver meu amigo Edson Cordeiro cantar Fado, seu novo trabalho, no Sesc Santana. Ano passado eu estava no Rio de Janeiro. Ano retrasado eu estava em Paris. Pelo menos esse ano, já que não estou em Paris, estou de volta ao lar... Sempre gostei de comemorar meu aniversário. Não necessariamente com festa, mas principalmente me presenteando com coisas que gosto de fazer... O domingo cinza de outono levou Jerry Adriani, cantor de grande beleza e voz potente. Como poucas são hoje em dia. Eu, que sempre fora seu seu fã, um dia fui agraciado com sua presença em um dos shows da Terça Insana aqui em São Paulo. Me esperou na saída e ficou um bom tempo conversando comigo. Me contou na ocasião que seu filho se preparava para ser ator. Me deu o número do celular e eu, bobo que sou quando se trata de ídolos, nunca liguei... Que os anjos o recebam no céu da Jovem Guarda! Sobre o quê mesmo é esse post? Não é sobre uma música chata, repetitiva e sem fim, com mensagem de auto-ajuda. Nem pretendo contar nove verdades e uma mentira sobre mim. Prefiro Nove Semanas e Meia de Amor, o filme... Edinho já cantou, arrasou como sempre, foi ovacionado pela plateia lotada do Sesc. Costurou fados com música popular brasileira e internacional. Como só ele sabe fazer. Seu gesto é no momento exato em que me mato, para citar Bethânia em Drama, de Caetano. Quando agradece ao Sesc, Edson fala de um Brasil que dá certo, que pode dar. E com o qual eu sonho... Estou de volta em casa, torcendo para que Le Pen não seja eleita presidente da França. E dando continuidade aos trabalhos comemorativos do meu aniversário... Bonne semaine à tous!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

ABRIL 5.4

Bem vindo, mês de abril. O quinquagésimo quarto abril da minha existência na Terra. Começo me desculpando com os leitores, afinal hoje já é dia 12 e este é apenas o primeiro post do mês. Eu poderia alegar falta de assunto, o que não é verdade. Aliás, assunto é o que não falta nessa era dos assuntos que vivemos. Os top trends, os assuntos do dia, da semana, do momento. As opiniões de uns versus as opiniões de outros. A polarização, a ressignificação, a votação, a cassação, a ocupação e, claro, o José Mayer. Então confesso: É desmotivação mesmo. Os assuntos estão todos aí, eu estou aí, no meio deles, afetado direta ou indiretamente por todos. Mas chega uma hora em que a gente cansa, não é mesmo? Tem dias em que a vida pesa. Mesmo para quem leva a vida na flauta... Abril é um mês que mexe muito comigo. É o mês dos meus anos. Do meu inferno astral. Estou me aproximando da metade dos cinquenta, portanto, ficando cada vez mais perto dos sessenta, setenta, etc. Essa perspectiva me põe para pensar. E nem sempre tenho vontade de dividir o que penso com quem me lê. Quando estou pensativo gosto de ficar quieto no meu canto. Ícaro, o espetáculo do Luciano Mallmann a que assisti em Porto Alegre, me pôs para pensar. O filme Moonlight me pôs para pensar. Logo, paro para pensar... A internet se transformou numa espécie de depósito onde todo mundo joga o que quer, independente da qualidade, sem separar o que é reciclável do que é meramente descartável... Quando comecei esse blog oito anos atrás eu estava cheio de expectativas que hoje não tenho mais. Temo estar passando por um processo de desblogarização... Fala sério: Arrasei no termo. Desblogarização. Acho que acabo de cunhá-lo. Nunca tinha ouvido ou lido... Lembro de muitos meses de abril passados nos mais diferentes lugares: Soledade, Porto Alegre, Paris, São Paulo, Rio de Janeiro. Espero que esse quinquagésimo quarto seja pleno de renovação. Porque chega uma hora em que a gente cansa, não é mesmo? Bom mês de abril a todos...
Na foto, Chanson de Montmarte, de Anita Malfatti. Um bom lugar para se passar o mês de abril.

quinta-feira, 30 de março de 2017

UM ZAZ IN POA

Uma semana passada em Porto Alegre me deixou passado. É que a capital gaúcha sempre acaba me surpreendendo positivamente. Primeiro foram os diversos reencontros. Foram muitas pessoas queridas que revi depois de muito tempo. Almoços com familiares, jantares e happy hours com amigos, sete dias foram pouco para a quantidade de compromissos que tinha, sem falar em dentista, oftalmologista, exames, etc... Tive o prazer de rever em cena o ator João Carlos Castanha, de quem sou fã e que há muito não via. Dessa vez foi como Jane Hudson, na peça O Que Terá Acontecido a Baby Jane. Uma montagem simples, quase naïf, que privilegia a performance histriônica dos atores. Dividindo a cena com Castanha estão Lauro Ramalho, como Blanche, e Caio Prates, como a empregada Elvira e o professor de piano, todos sob a batuta do meu amigo Zé Adão Barbosa. Lembro que o Zé já falava em montar essa Baby Jane desde o tempo em que eu ainda morava em Porto Alegre. A peça apresenta um interessante contraste com a sofisticada encenação de Charles Moeller e Claudio Botelho, a que assisti recentemente em São Paulo, com Eva Wilma e Nicete Bruno nos papéis principais... Para coroar minha estada nos pampas teve o show da cantora francesa Zaz no Auditório Araújo Vianna. Eu já havia assistido ao seu show de dois anos atrás, em São Paulo, no Bourbon Street. Um local pequeno, um jazz club, onde tive a chance de estar bem perto do palco. Agora Zaz retorna ao Brasil com um show grande, com projeções e efeitos de luz arrebatadores. E o Araújo Vianna reformado, com cobertura, foi para mim um show à parte, pois há muito não visitava o local. A cereja do bolo foi a participação da minha amiga Valéria Houston, dividindo o palco com Zaz em um brilhante dueto para Ne Me Quitte Pas. Inoubliable... Deixo a cidade já com saudade e fazendo planos para voltar em breve! Au revoir, Porto Alegre!
Nas fotos, Paris no palco do Araújo com Zaz e a boneca de Baby Jane.

terça-feira, 28 de março de 2017

SONHO DE ÍCARO

Ainda estou sob o impacto do espetáculo Ícaro, do meu amigo Luciano Mallmann, a que assisti no último sábado. Saí do teatro em algum estado entre o de choque e o de graça. A peça mexeu muito comigo. Um contundente teatro-depoimento, no qual Luciano expõe sua história e as histórias de pessoas que, como ele, são cadeirantes. Não tenho muito o que dizer sobre esse trabalho, apenas que é belo e cheio de conteúdo. O que, hoje em dia, já não seria pouco. Aliás, bem raro. O personagem narrador nos conduz com delicadeza e sensibilidade pelos meandros da sua condição, mostrando-nos que acima de tudo e apesar de tudo está tudo bem. Mesmo. Luciano sempre foi lindo. E continua lindo sobre rodas, agora maduro e com cabelo e barba grisalhos. É um espetáculo que precisa ser visto por todos, independente da quantidade de movimentos que possam realizar. Aliás, só é preciso sair de casa e ir até o teatro para tal. Não é só literalmente que a gente se movimenta na vida. O próprio ato de viver é um movimento contínuo que ás vezes segue à nossa revelia, ao acaso, deixando-se levar pelo destino. Mas quando decidimos tomar as rédeas da vida e conduzi-la de acordo com a nossa vontade, surgem belos resultados como esse iluminado Ícaro do Luciano. Como o personagem mitológico, ele desejou voar e foi ao chão. Mas tratou de sacudir a poeira e dar a volta por cima. Para a nossa alegria... Desejo que a caminhada desse espetáculo seja longa, que ele tenha múltiplas oportunidades de mostrá-lo, não só em Porto Alegre, mas nos quatro cantos do Brasil. E que a gente sempre possa sair, por uma hora que seja, do nosso mundinho fechado para apreciar esse belo trabalho. Parabéns, meu amigo!

quinta-feira, 23 de março de 2017

TRISTE BIXIGA

Os festejos comemorativos dos meus vinte e um anos em São Paulo foram encerrados com um jantar em uma típica cantina italiana do bairro do Bixiga. O que era para ser apenas um brinde com vinho & polpetone acabou se transformando em um resgate do passado . Explico: Na década de oitenta, quando ainda vivia em Porto Alegre, vim estrear um espetáculo na capital paulista e permaneci em cartaz na cidade por três meses. Era o ano de 1987, eu tinha apenas vinte e três para vinte e quatro anos e obviamente saía todas as noites. O destino certo e infalível era o boêmio bairro do Bixiga. Mais especificamente na confluência das ruas Santo Antônio e Treze de Maio. Não apenas para jantar nas cantinas, mas também e principalmente para beber nos bares que lotavam a Treze de Maio. Começando pelo Café do Bixiga, logo em baixo, e terminando com o Café Piu-piu no alto da rua. No meio tinha o Metamorphose - se não me engano era esse o nome. Esse bar tinha um interessante jogo de espelhos formado por vidros espelhados com uma vela acesa de cada lado. A gente se sentava frente a frente com alguém e ficava transformando o rosto de um no rosto do outro. Muito louco... Na Santo Antônio tinha uma livraria que ficava aberta à noite e onde eu sempre passava para ver as novidades. Foi lá que comprei o livro de Glauco Mattoso, Manual do Pedólatra Amador: Aventuras & Leituras de Um Tarado por Pés e descobri que não estava sozinho... Mas dessa vez não foi nada disso o que encontrei por lá: Beeem decadente, o local exibe casas e prédios cobertos de pixações, os bares todos fechados ou transformados em cortiços, e as cantinas fechadas ou vazias. Só o Café Piu-piu persiste no alto da rua. Triste Bixiga. Ó quão dessemelhante... Eu quis rever a Cantina Montechiaro, na rua Santo Antônio, onde costumava ir após os espetáculos, por isso a escolhi para comemorar minha maioridade paulistana. Tinha na memória o salão lotado, com vários artistas de teatro a abrilhantá-lo com suas presenças. Lembro de ter sido apresentado a Lilia Cabral bem garota, que estava no ar em sua primeira novela na Globo. O grupo de teatro ao qual eu pertencia era muito admirado e respeitado e todos queriam nos conhecer. Mas lá se vão trinta anos... O que encontrei foi um salão vazio. Além de mim e do Weidy só havia um senhor solitário em uma mesa e um casal em uma outra. Ainda assim valeu pelo brinde e pelo resgate dessa memória. E também por que descobri, no meio de toda a feiúra reinante, um artista de rua que muito me emocionou...
Nas fotos, obra do artista Orsetti e o salão vazio da Montechiaro provam que estando atento e forte a gente consegue ver beleza em tudo. Até na decadência.

segunda-feira, 20 de março de 2017

SÃO PAULO 2.1

Quando cheguei em São Paulo de mala e cuia, há exatos vinte e um anos, eu já não era mais nenhum adolescente: Tinha trinta e dois para trinta e três anos de idade. Mas devo confessar que sonhos e ilusões eu ainda tinha muitos. Os sonhos, grande parte deles cheguei a realizar. Alguns eu adiei. De outros eu desisti. Quanto às ilusões, ah, as ilusões: Não acredito mais no fogo ingênuo das paixões. Afinal de contas, são tantas ilusões perdidas na lembrança, como já cantava Fagner... Meu amor pela Pauliceia se mantém, agora mais maduro & sereno, como é comum aos amores que duram. E ainda não descobri nenhum outro lugar onde seria capaz de morar. Por incrível que pareça a cidade continua me surpreendendo, mesmo depois de tantos anos vividos aqui. E é com enorme prazer que a revisito e a redescubro sempre. Quanta coisa já mudou nesses vinte e um anos! A internet, por exemplo, ainda engatinhava quando cheguei por aqui. A gente curtia o Mercado Mundo Mix, se jogava pra dançar no Massivo, os bares da Consolação bombavam – sim, havia bares na hoje pacata Rua da Consolação – e, claro, íamos a muitas festas nas casas dos amigos. Taí uma coisa que quase não rola mais: Festinhas em casa. Ou será que continua rolando, só que pro pessoal que é jovem hoje? É claro que sim, to brincando. Eu é que não tenho mais idade nem paciência pra muita festa... Uma coisa não mudou: Continuo frequentando o Ritz. Que, aliás, já frequentava desde antes de morar aqui... Vou celebrar meus vinte e um anos de São Paulo aqui no blog, dividindo-os com quem me lê. Será na quarta-feira, dia vinte e dois de março. Vou abrir um vinho e fazer um brinde especial. Agora que o outono chegou tudo há de ser mais leve. Isso é uma outra coisa que mudou nos últimos anos: Deixei de amar o verão. Agora, com a idade e o aquecimento global, estou preferindo temperaturas mais amenas. Como as do outono e da primavera. Bom outono a todos! E feliz vinte e um anos de Sampa pra mim!
Na foto, les feuilles mortes na entrada do meu edifício.

quarta-feira, 8 de março de 2017

JESSICA LANGE FOREVER

Sempre fui fã de Jessica Lange. Pelo menos desde que assisti ao filme Frances, no começo dos anos oitenta. Foi amor ao primeiro frame. Além de excelente atriz, ela está para mim em um patamar especial, uma espécie de Olimpo habitado por grandes divas que possuem muito mais do que apenas talento: Elas tem beleza, glamour, star quality, fotogenia, carisma e uma série de atributos que as fazem únicas. Poderia citar mais algumas, mas não vou fazê-lo para não empanar o brilho desse post especialmente dedicado a Ela... Bem, a responsável por esse reacender da minha paixão por Miss Lange é a série American Horror Story, do Netflix, que venho assistindo compulsivamente nos últimos meses. Nela Jessica brilha soberana e esbanja seu imensurável talento. Eu nem sabia da existência desse seriado quando um amigo me recomendou assistir no youtube ao vídeo dela cantando Life on Mars, de David Bowie, em cena extraída da produção. Fiquei impressionado e desde então venho revivendo minha paixão adolescente e platônica por Jessica Lange... Lembro de tê-la visto em King Kong, All That Jazz, Tootsie e mais alguns filmes que agora me fogem à memória. Em uma das temporadas do seriado, Freak Show, Jessica é a proprietária de um circo de aberrações e é justamente nesse circo que a vemos interpretar a canção de Bowie que me fez descobrir e seguir a série no Netflix. No momento estou assistindo à temporada The Coven, na qual ela lidera um grupo de bruxas. Em um dos episódios, sua rival Myrtle diz à filha dela: Sua mãe é o demônio vestindo Givenchy. E eu que pensava que o diabo vestia Prada...
Na foto, Jessica esbanja seu talento como Elsa Mars, a dona do circo de aberrações.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

LOW CARNIVAL

Desde que moro em São Paulo, o que já faz vinte anos, a banca de revista do Seu Zé só não abre por dois motivos: Férias ou doença. Como ele normalmente me avisa quando vai tirar férias, levei um susto quando a vi fechada essa semana. Fiquei dois dias matutando o que teria acontecido quando, no terceiro dia, vi que ela estava parcialmente aberta e que o Seu Zé estava lá com o filho. Não deu outra: Ele me contou que havia sofrido um AVC e que ficara com a boca torta. Dos males, o menor, pensei. Nossa gatinha Winny também nos deu um susto essa semana. Teve uma espécie de convulsão, o que fez com que a veterinária lhe receitasse mais um medicamento, além dos vários que ela já toma, pois é uma senhorinha idosa de dezoito anos... Em meio a isso tudo a folia segue. E, como cantavam as Frenéticas, hoje eu já sei: Tomorrow is another day... E por falar nas Frê, uma das coisas que mais gosto de fazer durante o carnaval é ficar escutando músicas antigas. Há quem prefira fazer uma maratona de filmes e séries, como meu amigo Luís Arthur Nunes, que sai no bloco "Unidos do Netflix"... Foi assim que resgatei o psicodélico É Ferro na Boneca, dos Novos Baianos. Depois passei por Muitos Carnavais, de Caetano, o primeiro Frenéticas e Legal, de Gal Costa. Sigo resgatando pérolas que há muito não escutava... As ruas de São Paulo estão tomadas por blocos. Blocos é maneira de falar, porque eles cresceram tanto que estão parecendo escolas de samba, tal o número de foliões enlouquecidos que bebem, dançam e fazem xixi pelas ruas. Ah se eu tivesse vinte anos! Na verdade, bem na verdade, sinto saudade é de quando a cidade ficava vazia durante os dias de Momo e a única opção mais carnavalesca, além dos desfiles no sambódromo, eram as boates que tocavam marchinhas e axé... Inesquecíveis nesse quesito eram os bailes do Basfond, na Rua Lisboa, com minha amiga Leia Bastos na porta recebendo os animados... Mas tudo passa, tudo passará. E nada fica, nada ficará. E, para encerrar com Gal, dessa janela sozinho olhar a cidade me acalma. Rio e também posso chorar. E também posso chorar... Bom carnaval a todos!
Na foto, a antológica capa de Hélio Oiticica para Legal, de Gal.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A LÁ LÁ Ô

A lá lá ô ô ô ô ô ô ô, mas que calô ô ô ô ô ô ô... Refletindo sobre a ressignificação do meu protagonismo, percebo, para além da minha zona de conforto, um empoderamento não-binário da minha orientação sexo-afetiva. Isso talvez acarrete uma reinicialização do meu sistema cognitivo de leitura da sociedade machista-heteronormativa. Na verdade esse processo libertador é meio que uma ocupação do meu espaço público/privado como forma de resistência. Mentira! Tô brincando... Eu jamais usaria tantas "palavras da moda" para me expressar. Mas o fato é que o chamado "túmulo do samba" acordou definitivamente para o carnaval. Não sei como foi no ano passado, que eu estava no Rio. Mas esse ano comprovei in loco a multidão que compareceu à Rua da Consolação para seguir o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. Aliás, seguir o bloco me foi impossível, tal a aglomeração humana. Preferi assistir a tudo da janela do apartamento de um amigo, verdadeiro camarote vip de frente para a folia. Me senti em Salvador. Ao contemplar da janela do oitavo andar a Consolação inteira ocupada por animados foliões que se esbaldavam ao som da palavra de ordem "a cidade é nossa", não pude deixar de lembrar da primeira fala da personagem Lisístrata, da comédia homônima de Aristófanes que montei anos atrás, ao constatar a ausência de suas companheiras à assembleia que convocara: Se tivessem sido convidadas para uma festa de Baco, isso aqui estaria infestado de mulheres e tamborins; mas, como eu falei que o assunto era sério, não compareceu nenhuma... Quem disse que o Brasil não é um país sério? Somos sérios sim. Levamos muito a sério essa questão do carnaval, por exemplo. As outras, a gente deixa pra março. E ainda estamos apenas no esquenta, no chamado pré-carnaval. Sim, porque quatro dias de folia era muito pouco, então criou-se o pré-carnaval pra gente poder curtir um pouco mais... É lógico que essa reflexão toda foi pro espaço assim que a Fafá de Belém subiu no trio elétrico e eu passei a gritar enlouquecidamente: Fafá! Fafá!! Fafá!!! Como se fosse possível ela me ouvir gritar do oitavo andar com o som do trio a milhões de decibéis. Mas a essas alturas eu já havia sido abduzido pelo espírito momesco e tudo o que eu mais queria era cair na folia como se não houvesse amanhã. E com a confortante certeza de que "a cidade é nossa"...
Na foto, a privilegiada vista do apartamento de Wilson de Santos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

"A PROPÓSITO DA EXPOSIÇÃO MALFATTI"

Nem paranoia, nem mistificação. A exposição Anita Malfatti - Cem Anos de Arte Moderna, que está no Museu de Arte Moderna de São Paulo, é puro deleite. E encantamento. Sou muito atraído por esse período da arte brasileira. Mais especificamente, pelo grupo de artistas que integrou a Semana de Arte Moderna, da qual Anita foi precursora. A mostra traz um vasto panorama da trajetória da artista, com obras que vão de 1912 a 1956, e que ilustram as diversas fases da sua produção artística. As idas e vindas de Anita entre Alemanha, França e Estados Unidos. Seu contínuo interesse por tudo o que estava acontecendo no mundo das artes. Seu flerte com os diversos movimentos e tendências da pintura. Sua amizade com Tarsila do Amaral. Aliás, uma das coisas que mais me chamou a atenção na exposição e à qual dediquei o maior tempo de apreciação foi justamente uma carta de Tarsila para Anita, enviada da Capital Francesa, no ano de 1920. Escrita à mão, com caligrafia impecável em papel sem pauta. Nela Tarsila conta que estava morando "bem no centro de Paris, a dois passos do Louvre, o mesmo com o metro que me facilita para ir a todas as direcções. No ponto em que estou, nada fica longe". E, na parte que mais adorei ter lido, ela conta que foi dar um passeio de "aeroplano" sobre a Cidade Luz. Depois comenta: "Não tivemos medo, mas também não tencionamos bisar o passeio. A Terra é tão bôa, amemo-la, caminhemos sobre ella sem aquelle vento terrível das alturas, apenas remediado pelo capote e pelo gorro de pelles envolvendo a cabeça toda"... Adorável. E muito chic... Quase morri de dor nas costas, pois a carta é enorme e está exposta em uma vitrine horizontal, tipo mesa, o que fez com que eu me curvasse para poder lê-la melhor com os óculos para perto... Tudo por amor à arte. Mas, como eu dizia, a mostra traz um vasto panorama da produção da artista. Lá estão expostas desde O Farol, de 1915, até Vida na Roça, de 1956. Gosto particularmente do Retrato de Antonio Marino Gouvêa, no qual Anita reproduz ao fundo um outro quadro seu, Lago Maggiore, que pertencia ao retratado. E também do singelo Chanson de Montmartre, no qual uma moça rega flores à janela acompanhada de seu gatinho. Estão também expostos O Japonês, Tropical, Chinesa, A Estudante Russa, vários nus masculinos e femininos, retratos de amigos, familiares e intelectuais. E um desenho intitulado Grupo dos Cinco, de 1922, no qual aparecem Tarsila e Mário tocando piano, Menotti e Oswald repousando no chão enquanto a própria Anita dorme sobre um divã. Imperdível é pouco... Ao final da visita compreende-se porque a exposição de 1917 causou tanto estranhamento na provinciana São Paulo de então: Anita estava conectada com o que havia de mais moderno e vanguardista no mundo. Uma mulher à frente de seu tempo. Ou, como diz o meu amigo Odilon: Uma mulher moderna, voltada pro futuro...
Na foto, a obra O Japonês. Salvei do Google, pois não gosto de fotografar as obras quando vou a exposições de arte. O título do post está entre aspas porque é o título da crítica de Monteiro Lobato à exposição de 1917, que ficou mais conhecida como Paranoia ou Mistificação.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

DE VOLTA À PAULICEIA

Estou de volta a São Paulo depois de dez dias junto ao mar no pequeno paraíso que é a praia de Camburi. Dormir e acordar rodeado de belezas naturais de tempos em tempos é algo essencial para quem mora na Pauliceia. Respirar a brisa do mar, sentir a maresia, ouvir estrelas! Ora, direis, perdeste o senso. E eu vos direi no entanto que junto ao mar as estrelas são tantas que a gente chega até mesmo a ouvi-las. Ou o vinho que bebemos nos faz acreditar que sim. Mas, como já dizia Baudelaire, é preciso estar sempre embriagado. De vinho, de poesia ou de virtude, daquilo que preferirem... Eu prefiro esse mix de vinho e maresia, de lua e estrelas, nasceres e pores de sol, subires e desceres de marés... Sempre acompanhado de alguma literatura, para inspirar, e d'alguma música, para embalar as emoções... Claro que, como a perfeição não existe, tinha que ter algo de ruim: Os mosquitos. Um inferno. E dá-lhe repelente e matinset... Na volta, ao longo da estrada, um verdadeiro show em tecnicolor proporcionado por quaresmeiras e manacás que, no auge da floração, pintam e bordam a subida da serra... A capital, para variar, está cheia de coisas a serem vistas, assistidas, visitadas e revisitadas. A primeiríssima coisa que pretendo fazer, assim que terminar de desfazer a mala e botar a roupa para lavar, é visitar a exposição de Anita Malfatti no MAM. A mostra comemora os cem anos da famosa exposição da pintora que causou furor em 1917 e sacudiu a Pauliceia a ponto de fazer Monteiro Lobato chamá-la de Paranoia ou Mistificação... Das coisas que me fazem amar a cinzenta e poluída São Paulo de Piratininga. Essa visita à exposição de Anita merecerá, evidentemente, post exclusivo aqui no blog. Este que encerro agora era só para matar a saudade e fechar o parêntese aberto com a minha ida para Camburi. Agora, devidamente reabastecido de mar, sol, horizontes, entardeceres, noites estreladas, silêncio e canto dos pássaros, volto a encarar de frente a grande metrópole. Embriagado de vinho, de poesia e de virtude... Bom fevereiro a todos!
Na foto, obra do artista carioca Marcelo Eco, que homenageia a famosa esquina paulistana cantada por Caetano.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

JANEIRO À BEIRA DE

Janeiro à beira de: O mês já está quase no fim, à beira de terminar. E eu estou novamente em Camburi, meu paraíso à beira mar. Bacana, não? Para encerrar o primeiro mês do ano em grande estilo... Tantas coisas já aconteceram nesse janeiro! São Paulo fez aniversário, minha irmã veio me visitar, o prefeito Dória pintou muros e paredes de cinza para encobrir pixações e grafittis, voltou atrás e até propôs criar um grafitódromo, o que eu, amante do grafitti que sou, achei bem esquisito. E por falar em amante do grafitti, achei engraçado que de repente todos passaram a amar e a defender veementemente essa expressão artística antes tão ignorada... Mas vamos falar de coisa boa: Edson Cordeiro voltou a cantar na Pauliceia. O cantor, que há anos mora em Berlim, brindou a plateia que lotava o Teatro J. Safra com pérolas de seu repertório, especialmente canções do último álbum, Paradies Vogel, e algumas do próximo, que se chamará Fado. Edinho, como o chamam os amigos, está cada vez melhor: Voz, afinação, potência, presença cênica, timming de comédia, tudo detalhadamente burilado pela vasta experiência nos palcos desse mundo afora. Palmas para esse brasileiro que tão bem nos representa no exterior. Ou, para citar Chico, mirem-se no exemplo. Desse pequeno notável... Vera Fischer também está de volta aos palcos, agora como o capeta em si na comédia Ela é o Cara, em cartaz no Teatro Folha. Uma interessante brincadeira que faz do diabo uma estrela da TV e vice-versa. Difícil de entender? Por isso mesmo é que é interessante... Já Miguel Falabella, na contramão de Vera, volta aos palcos como a personificação de ninguém menos do que Deus, o criador do universo, na peça God. O papel veste como luva nesse deus das artes cênicas e hitmaker dos palcos. Eu sei que esse espetáculo é do ano passado, é que só tive oportunidade de assistir agora, nesse retumbante e chovedouro janeiro. E justamente por não aguentar mais tanta chuva em São Paulo é que resolvi me refugiar mais uma vez em Camburi, meu pequeno paraíso à beira-mar. Aqui o sol sempre brilha. E à noite as estrelas enchem de poesia o céu do meu verão... Teve mais, eu é que não estou lembrando agora. Ah, sim! La la land, que gostei, mas não amei. É que acho que já perdi boa parte do meu romantismo... Beijos e bom fim de janeiro a todos...
Na foto, grafittis à beira mar na praia de Camburi.

sábado, 14 de janeiro de 2017

HORTANCE, A VELHA

Vim ao Rio de Janeiro nessa quinta-feira especialmente para assistir à estreia de Grace Gianoukas na peça Hortance, a Velha. Esse texto de Gabriel Chalita tem a cara de Grace e parece ter sido escrito sob medida para ela. Sempre muito autoral em tudo o que faz, Grace se apropria da história e do personagem de Chalita e os reinventa para si própria, deixando tudo com mais cara de Grace ainda. A direção é de Fred Mayrink, que já a dirigira brilhantemente na novela Haja Coração. Excelente diretor, Fred prepara tudo para que Grace transborde seu talento livremente sobre a cena. E ela deita e rola... Amparada por uma equipe de profissionais competentes e talentosos, Grace conduz a plateia pelo cotidiano e pelas lembranças dessa velha adorável, que se apresenta adoravelmente vestida, penteada, maquiada e iluminada a desfilar por um cenário igualmente encantador. A gente ri, se diverte, se emociona e sai do teatro querendo mais. Os anos e anos em que Grace andou pelos palcos do país com seus stand ups e personagens a fizeram ainda mais atenta a cada reação da plateia. Ela está mais presente e afiada do que nunca. No dia em que o cabaré de Hortance está para fechar, a velha é surpreendida pela presença do público e resolve presenteá-lo com um número especial. Esse público, no caso, somos nós, os espectadores. E o número especial, sem sombra de dúvida, é a própria Grace. The one and only. Senhoras e senhores, aplausos, por favor!

domingo, 8 de janeiro de 2017

EMPTY SÃO PAULO

Adoro ficar em São Paulo nessa época do ano, quando a cidade está praticamente deserta para mim. Faço turismo, descubro e redescubro lugares, vou a feiras comprar alimentos e tudo está na maior tranquilidade. O trânsito, então, nem se fala. Tudo flui de maneira ágil e segura... Uma das coisas de que mais gosto é andar pelo centro da cidade apreciando tesouros da arquitetura e as obras de arte que enfeitam esses tesouros. Há também, no centro, bares, restaurantes e lojas muito antigos que são uma delícia de se descobrir. Como o Bar Guanabara, desde 1910 na Avenida São João com o Vale do Anhangabaú. Ou a Casa Godinho, mercearia que desde 1888 está aberta na Rua Líbero Badaró. Museus e exposições também ficam bem mais tranquilos de se visitar nessa época. Pena estar fazendo tanto calor. Pelo que me lembro, São Paulo não era tão quente assim quando aqui cheguei vinte anos atrás... Nada de filas em restaurantes: É só chegar e sentar. Os parques também estão bem mais frequentáveis, principalmente para mim, que detesto aglomerações: Na última sexta-feira, aproveitamos a tarde para fazer um pic-nic no da Aclimação e foi perfeito. Com direito a cisnes negros nos espreitando das margens do lago e passarinhos se aproximando para ganhar nacos da nossa comida... A academia fica praticamente só minha e nunca, jamais, em tempo algum aquela detestável história de ter que revesar aparelhos... Enfim, nesse período do ano é quando mais curto a cidade que escolhi para viver. Logo mais ela estará fazendo aniversário e voltarei a lhe prestar homenagem aqui no blog. Viva São Paulo!
Na foto, o trânsito flui sobre o Minhocão, outro local que é bom de se visitar nessa época do ano.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

ANIMAIS NOTURNOS

Violento. Triste. Denso. Cruel. Perturbador. E extremamente belo. Assim é o novo filme de Tom Ford, Animais Noturnos. Lindo desde o primeiro frame, com a baliza de banda nua e gorda dançando em uma tela gigantesca que compõe a exposição de arte da personagem principal. Luz, fotografia, direção de arte, roteiro, direção, tudo impecavelmente belo. Como no primeiro filme do diretor, Direito de Amar, a que assisti em um vôo de São Paulo para Paris. Por vezes lembra Almodóvar, pela beleza dos enquadramentos e pela trilha sonora executada com instrumentos de corda. É sempre instigante ver a violência, o horror, a crueldade, brotarem do belo. O filme promete uma coisa e acaba levando a várias outras, totalmente inesperadas. Mas não é isso que é bacana em uma obra de arte? Ainda mais quando vem tão ricamente embalado. E nem poderia ser diferente, posto que seu roteirista e diretor é estilista... Adorei o programa da tarde. Quando o filme acabou fiquei esperando todos os créditos subirem, como gosto de fazer quando um filme me agrada bastante. E vi que entre as músicas executadas na trilha sonora estava Baudelaire, de Serge Gainsbourg, compositor que adoro. Procurei a música no youtube e não consigo me lembrar que ela tenha tocado em nenhuma cena do filme... Coincidentemente eu havia comprado, antes de entrar para assistir ao filme, o livro Spleen de Paris, de Charles Baudelaire... Vai entender!
Na foto, a intrigante exposição de arte de Susan, a personagem de Amy Adams.