domingo, 20 de agosto de 2017

PLENO AGOSTO

Tanto se fala do mês de agosto! Mal, em geral. Eu não tenho nada contra esse que, para mim, é um mês igual a todos os outros. E o agosto desse ano de 2017 está sendo especialmente bacana. Primeiro porque retomei minhas apresentações na Terça Insana. Estou, portanto, de volta à estrada. O que reúne duas das coisas que mais gosto de fazer na vida: Viajar e fazer teatro. E, como agora o ritmo de viagens é bem menos intenso do que nos áureos tempos, sobra espaço para todas as outras atividades... Segundo porque retomei também a minha rotina diária de exercícios físicos, agora praticados não mais no chiquérrimo Renaissance Spa & Fitness, mas na simpática & popular Smart Fit da Rua Augusta. Entrei o mês de agosto firmemente empenhado em recuperar a forma perdida e, além do treino diário, estou cuidando da alimentação e bebendo beeem menos do que andava bebendo nos últimos tempos. Drinks agora só no fim de semana. E moderadamente... Tenho também assistido a muitas coisas legais. Uma delas foi a estreia da peça A Visita da Velha Senhora, de Friederich Dürrenmatt, no Teatro Popular do Sesi, protagonizada por Denise Fraga em atuação notável e digna de prêmio. A competente direção é assinada por Luiz Villaça, marido da atriz. E o grande elenco que a acompanha faz jus a essa montagem inspirada e inspiradora, para dizer o mínimo... Teve também O Filme da Minha Vida, de Selton Mello, que mereceu post especial aqui no blog. E uma grata surpresa: O filme Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano, que aborda o dia a dia de pessoas comuns que, entre outras coisas, são gays ou não. Trabalho, sexo, relações afetivas e de amizade são mostrados como são. E não da maneira geralmente edulcorada pelas produções cinematográficas. O protagonista Elias é vivido pelo jovem ator Kelner Macedo, outra grata surpresa revelada pela película. Sua interpretação carismática e natural conduz o espectador com interesse e curiosidade durante todo o filme... Ah! Já ia esquecendo: Vi também a peça Whisky e Hambúrguer, escrita e dirigida por Mario Bortolotto, que divide a cena com Patrícia Vilela. O texto é bom, Patrícia é excelente atriz e mais não digo... Para finalizar, hoje, nesse domingo frio & chuvoso, assisti em casa mesmo, em DVD, ao interessantíssimo documentário Gatos, que acompanha a fascinante vida dos gatos de rua da cidade de Stambul. Qualquer pessoa apaixonada por gatos como eu fica enlouquecida assistindo. Mas desconfio que mesmo os que não gostam desses adoráveis animais serão facilmente fisgados... E vamos em frente, que ainda tem muito agosto para ser vivido!
Nas fotos, Denise Fraga e Tuca Andrada em cena de A Visita da Velha Senhora, Kelner Macedo em Corpo Elétrico e Patrícia e Mario em Whisky & Hambúrguer.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A VIDA QUE SE LEVA


Se é verdade o que dizem, que o que se leva dessa vida é a vida que se leva, humildemente confesso que vou, sim, levar muita coisa. Eu não sou propriamente o que se pode chamar de uma pessoa empreendedora, que constrói muitas coisas em termos de projetos profissionais. Mas, em matéria de viver a vida, modéstia à parte, sou expert. E não é querer me exibir: Eu vivo bem a vida, mas é nas coisas mais simples. Um mero domingo de sol, em casa mesmo, consigo do nada transformar em um momento inesquecível. Principalmente se o céu está azul, o sol se reflete multiplicado por vários na água da piscina e eu observo da sacada enquanto sorvo goles de vinho branco ouvindo Serge Gainsbourg. Como está sendo agora... Eis o que importa: A vida ser inesquecível e, consequentemente, a gente ser inesquecível também. Por isso é que acho que mesmo não deixando grandes obras, realizações concretas, vou levar muita coisa dessa vida. E, por tabela, deixar. Deixar principalmente a lembrança de alguém que soube viver bem... Dia desses me foi solicitado escrever um parágrafo sobre mim mesmo, para a divulgação de um trabalho do qual iria fazer parte. Fiquei matutando sozinho: O que dizer, em apenas um parágrafo, que me descrevesse e desse uma visão geral da minha trajetória profissional? Me lancei nessa tarefa hercúlea e, após selecionar o que me pareceu mais digno de constar nesse parágrafo revelador, fiquei achando que não havia feito nada de importante na vida. Então era essa a minha trajetória? Com mais de cinquenta anos de idade e mais de trinta de profissão era isso o que eu tinha para apresentar? Isso era tudo? Sim, era tudo. E sabe o que mais? Era extremamente importante. Para mim. Tudo foi feito com amor. Por inteiro. De coração aberto. E com a consciência tranquila. Quer legado mais importante do que esse? E, para terminar citando Gonzaguinha, começaria tudo outra vez...

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

POESIA BEM VINDA

Ah, como tudo anda sem graça ultimamente. Ah, como a vida tá difícil pra todo mundo. Ah, como o Brasil está em crise. Ah, como está seco e poluído o ar de São Paulo neste mês de agosto... Pois uma lufada de ar fresco acaba de ser lançada: O Filme da Minha Vida, de Selton Mello. Dizem que rir é o melhor remédio em tempos difíceis e eu, como comediante, não posso deixar de concordar. Mas se rir é o melhor remédio, a poesia é a salvação. O terceiro longa de Selton Mello é poesia pura. Há algo de Fellini que permeia o filme do início ao fim. Altas doses de lirismo que tiram a gente da vidinha mais ou menos que andamos levando. O filme foi rodado no sul do país, mas poderia ter sido em qualquer lugar do mundo. Não há fronteiras quando se trata da imaginação. O colorido meio sépia da fotografia remete à memória de tempos passados. As descobertas do amor e da sexualidade. O cinema como possibilidade de expansão do reduzido universo da cidade pequena. A trilha sonora maravilhosa, que embala grande parte das cenas. A paisagem de encher os olhos. A participação de Rolando Boldrin. A comovente interpretação do protagonista Johnny Massaro... Há muito a ser visto e apreciado nessa obra de rara beleza do cinema nacional. Inspirado é o mínimo que se pode dizer desse momento da carreira de Selton Mello. Pode não ser o filme da minha vida ou da sua. Mas que vale a pena, ah como vale! Saí do cinema e o entardecer na Avenida Paulista tinha tons que eu ainda não havia percebido...
Na foto Tony, o personagem de Johnny Massaro, na deslumbrante paisagem sulista.

domingo, 30 de julho de 2017

DILEMAS DE UM PALHAÇO

Eu amo teatro. E quando digo que amo, não me refiro apenas ao fazer teatral. Amo assistir teatro, também. E quando se trata de bom teatro, amo ainda mais. Ontem tive a oportunidade de conferir o espetáculo Pontos de Vista de um Palhaço, solo do ator Daniel Warren, que só contribuiu com o meu amor pela arte da representação. Abandonado pela mulher que ama, o personagem de Daniel expõe diferentes pontos de vista: O próprio e o do palhaço que ele representa; o da mulher e o dos líderes religiosos que ela segue. Em uma sessão de terapia coletiva na qual os outros participantes são o próprio público. E Daniel o faz com maestria. O espetáculo é uma pequena joia. Prende a atenção do início ao fim sem nunca deixar a peteca cair. A interpretação de Daniel consegue ser surpreendente durante todo o tempo que dura a peça. E a gente sai da sala com a alma lavada... Nunca gostei muito de palhaços. Tampouco dos chamados "clowns", que são uma espécie de sofisticação dos mesmos. Outro dia, perdido que estou de saudades da capital francesa, fui ao cinema assistir ao filme Perdidos em Paris e sem saber me deparei com eles, os clowns. Aquelas repetições sem fim e uma lógica sem lógica me irritam em vez de me divertir... Não é o caso desse Pontos de Vista. Daniel Warren é um excelente ator. Não se limita a ser clown sobre a cena. Ele constrói seu personagem em diversas camadas de interpretação, colorindo-o com as técnicas de palhaço que inteligentemente estudou para enriquecer ainda mais o seu brilhante trabalho. E o resultado é apaixonante. Sem falar que ele é puro carisma... Fiquei bastante tocado pela força que tem esse espetáculo, que é todo trabalhado na elegância e sensibilidade. Deus queira que um dia eu consiga fazer algo parecido! E todos os aplausos para esse pequeno grande ator...
A direção e a dramaturgia são de Maristela Chelala, que divide com Daniel a concepção artística. O espetáculo está em cartaz na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Imperdível...
Na foto, o protagonista Daniel Warren brilha sem o menor esforço sobre a cena.

sábado, 29 de julho de 2017

MAISON CLOSE

Pense numa pessoa que viveu em Paris no começo dos anos noventa, se apaixonou pela cidade, ficou dezesseis anos sem ir visitá-la e, de 2007 pra cá, estava indo regularmente uma vez por ano ou a cada dois anos no máximo. Essa pessoa sou eu. E o intervalo de dois anos sem ir a Paris já venceu em maio desse ano... Pense na síndrome de abstinência que essa pessoa, no caso eu, está vivendo. E imagine a pessoa, sozinha, em uma sala do MASP visitando a exposição Toulouse-Lautrec em Vermelho. Foi o que aconteceu comigo ontem à tarde... E foi maravilhoso. Toulouse-Lautrec simboliza a mítica Paris boêmia dos artistas, dos cabarés, das prostitutas, dos espetáculos de variedades, da vida noturna, do bas-fond, do cancan, e, claro, de Montmartre, o bairro sede de todo esse movimento. Fui transportado para os salões da maison La Fleur Blanche, para o lendário Moulin de la Galette, encontrei com a dançarina Jane Avril e com o cabaretier Aristide Bruant... Revi as bailarinas de cancan e suas saias, tal qual havia assistido ao vivo no próprio Moulin Rouge... As pinceladas nervosas do artista fazem os óleos sobre tela ou sobre cartão parecerem desenhos de lápis pastel. E os gigantescos cartazes em litografia que anunciavam as atrações dos cabarés dão a medida da importância de Lautrec para a arte da virada do século dezenove para o vinte. Gostei especialmente de uma parede inteira dedicada a retratos de atores e atrizes. Entre eles, évidemment, a grande Sarah Bernhardt... A mostra traz setenta e cinco obras e cinquenta documentos como cartas, bilhetes, telegramas e fotografias, abrangendo toda a produção do artista, desde os primeiros anos até a sua precoce morte aos trinta e seis anos em decorrência do abuso de álcool e da sífilis contraída na vida libertina que levava. Como disse anteriormente, mítico. Icônico. Arquetípico... Quando saí das dependências do museu fiquei parado na Avenida Paulista como quem espera ser resgatado por um carro mágico. Igual àquele que transportava o personagem do filme Meia Noite em Paris, de Woody Allen, para a Paris boêmia da Belle Époque. Mas tudo o que passou foram ônibus, taxis, úbers (ou seriam úberes?), carros e mais nada. E eu fiquei ali, sonhando com o dia em que verei Paris outra vez... Delírios à parte, a exposição é maravilhosa e pode ser visitada até o dia primeiro de outubro. Sendo que às terças-feiras a entrada é gratuita. Para quem está na Pauliceia, o MASP fica na mais paulista das avenidas...
Nas fotos, Toulouse-Lautrec em si, A Roda - a bailarina Loïs Fuller vista dos Bastidores e La Femme au Boi Noir, duas das obras que mais gostei. Ah! O título do post se refere às "casas fechadas" que o artista costumava frequentar com suas amigas.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

O LUGAR DA LÍNGUA

Muito já falei aqui no blog sobre o mau uso que se faz da nossa inculta e bela Língua Portuguesa. Sei que poderia até soar pernóstico pretender que se fale e escreva corretamente o idioma em um país que tem tantos problemas sociais e políticos, vive uma crise sem precedentes e tem uma desigualdade social inaceitável. Mas certas coisas, que nem seriam propriamente erros, mas vícios de linguagem, tiram muito da pouca paciência que tenho... Ultimamente, o uso da palavra "lugar" para designar coisas que não são lugares tem me irritado sobremaneira. Por exemplo: "Esse espetáculo é um lugar de reflexão". Espetáculo não é lugar. O teatro seria... "Eu estou num lugar de auto-conhecimento". Momento seria mais adequado... Mas acho que só eu me importo com esses detalhes. E por falar em lugar, outra coisa que me incomoda bastante é o uso de "onde" e "aonde" se referindo a coisas que também não são lugares. "É um filme aonde eu contraceno com fulano". Um filme no qual contraceno seria bem mais agradável aos ouvidos. Pelo menos aos meus ouvidos... "É uma medida onde o supremo revê a sua postura". Que saco! Medida não é lugar... Eu gostaria muito de saber quem começa a usar esses termos dessa maneira e porque todos passam a fazer o mesmo achando que está super correto. Vai saber! Outra modinha chata é o tal de "sobre". Esta, imagino que venha de tradução literal do inglês, como about last night. E é um tal de "sobre ontem à noite", "sobre dar e receber" e "sobre estar em boa companhia"... Haja! Tem até uma música chata, interminável e com mensagem de auto-ajuda que diz: Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si, é sobre cantar e poder escutar mais do que a própria voz... Sem falar no hábito de terminar as frases com: ...que você respeita. Por exemplo: A melhor banda de rock que você respeita. Ãh? E as palavras da moda, que de repente as pessoas não conseguem dizer uma só frase sem utilizá-las pelo menos duas vezes? Do tipo superação, empoderamento, protagonismo... Ai que preguiça! Tem também os que reforçam o sujeito da frase colocando o pronome logo após: "A lei, ela é para todos". "Meus amigos, eles são poucos". Enfim, vou parar por aqui porque eu mesmo já estou me tornando irritante... E, para terminar citando Olavo Bilac: Amo-te, ó rude e doloroso idioma. És, a um tempo, esplendor e sepultura...
Na foto, a biblioteca Mario de Andrade. Um bom lugar para se estar em contato com a nossa língua. E é lugar mesmo! Rsrsrs...
PS: Acabei de lembrar de outra! Arquitetos e decoradores tem usado muito o verbo conversar para dizer que determinados móveis ou objetos combinam com a decoração. Assim: Esse abajur conversa com a cortina. Pano rápido.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

IMOBILIDADE ILUSÓRIA

Passei o último fim de semana fazendo um workshop de modelo vivo. Um ator precisa estar sempre em movimento, em busca de desafios, a superar limites. Eu já havia tido uma pequena experiência como modelo vivo na época da faculdade de teatro em Porto Alegre, posando para aulas de desenho do Instituto de Artes. Anos depois, já morando em São Paulo, tive a experiência de posar para uma aula de escultura de um grupo de mulheres. Agora, me sentindo velho e cheio de limitações corporais, resolvi voltar a exercitar essa possibilidade. Foram dois dias de estudos, conversas e trocas de experiências que resultaram em uma sessão de poses para a artista Sandra Lagua que nos desenhou em diversas poses e propostas. Para alguém que estava se sentindo tão enferrujado como eu foi no mínimo libertador. Não tenho a menor ideia se pretendo fazer disso um ganha pão, mas a simples possibilidade de me testar já foi bastante desafiadora. É um mercado restrito, poucas pessoas se aventuram de maneira consciente nesse métier, a maioria "topa tirar a roupa pra ganhar um troco". Homens, então, são uma minoria. Fiquei lembrando de quando cheguei em São Paulo, vinte anos atrás, e fiquei hospedado chez minha amiga Nora Prado. Nora era modelo vivo e foi uma das precursoras dessa atitude do modelo consciente, ativo e propositor que o curso nos estimulou a ser. Ela chegou a fazer uma peça, um solo chamado A Modelo, no qual contava suas experiências posando para vários artistas, entre eles, seu pai Vasco Prado. O workshop foi ministrado por Juliano Hollivier, que além de excelente modelo vivo com muitos anos de experiência no mercado, também é ator. Consegui vencer várias barreiras: Tirar a roupa diante de outras pessoas, por exemplo, foi uma delas. Expor minha barriga e todos os meus outros "defeitos " também. Fiquei bastante satisfeito com o resultado. E recomendo para quem tiver vontade de se testar na profissão. Vai ter uma nova edição em agosto. É só acessar o site julianohollivier.com E ficar por dentro de tudo.
Nas fotos, desenhos de Jacques-Louis David e Michelangelo feitos a partir da observação de modelos vivos.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

FEUD

O que é uma vida de artista no mercado comum da vida humana? Cantava Gal Costa no álbum Água Viva, de 1978. O que os versos de Suely Costa talvez não trouxessem era a resposta para tão complexa questão... Acabo de assistir aos oito episódios da série Feud, sobre a lendária rivalidade entre as grandes damas do cinema americano Bette Davis e Joan Crawford. E confesso que me bateu forte. Para além do deleite estético e do prazer de acompanhar as peripécias das divas. Após assistir aos episódios finais, o que ficou fortemente impregnado em mim foi a constatação da instabilidade das carreiras artísticas. Mais do que as disputas de egos exaltados ou a fogueira das vaidades, o que me impressiona é esse fino fio tenso por onde se equilibra a inconstante disputa pela construção e manutenção de um sonho. Se há alguma constância na carreira de um artista, é justamente a inconstância... Digo que me bateu forte porque venho de voltar aos palcos depois de uma ausência de quase dois anos. Um projeto de sonho inocente, segue a canção de Gal. Não se esqueça de mim essa semana... Susan Sarandon e Jessica Lange representam, respectivamente, Miss Davis e Miss Crawford. Ah sim, estou falando de Feud, já havia viajado completamente no tema. E a grande luta que travam, maior do que a rivalidade que dá título à série, é a luta pela manutenção de suas carreiras em um mercado que se transforma e que as deixa de lado. Cruel. Arrasador. Grandes talentos se afogando em álcool e decepções. Muita coisa mudou de lá para cá. Mas creio que a essência permanece. Essa necessidade constante do aplauso, dos holofotes, de ser o centro de, pelo menos, algumas atenções. Essa ilusão que encerra a realidade do ganha pão. Essa quimera. Os egos inflados, as disputas, as vaidades. Do que era mesmo que eu falava? De Feud, a série americana. Você não pode deixar de assistir. Mas antes, prepare os drinks e aperte o cinto. Vem turbulência por aí. Pescador quando tece sua rede, jogador quando joga sua sorte: Cada um que conhece sua sede é artista da vida ou da morte... Pois a série termina com a morte das protagonistas, o que deixa a triste sensação de que não haverá continuidade. E agora? Como viver sem essas adoráveis lutadoras? E as fofocas de Hedda Hopper? Como ficar sem Mamacita? O que terá acontecido a Baby Jane? Quem descerrar a cortina há de ver cheio de horror...

quinta-feira, 13 de julho de 2017

JULHO A MIL

E o mês de julho segue cheio de novidades. Um mês normalmente associado a férias. Para mim está sendo o contrário. Já não era sem tempo! Andava tendo comichões de abstinência do palco. Minha volta foi em grande estilo, ao lado de Grace Gianoukas, recebendo convidados no Festival Terça Insana no Teatro Sergio Cardoso. Nesse fim de semana repetiremos a dose com novos convidados. Logo mais farei também viagens com o espetáculo, o que me enche de alegria. Interessante também está sendo dividir palco e bastidores com novos talentos, que já se tornam novos amigos, como Johnas Oliva e Renata Augusto. Andei assistindo a alguns musicais com meu amigo Odilon, que veio fazer sua visita anual à Pauliceia. Um deles foi 60, a Década de Arromba, protagonizado pela eterna musa da Jovem Guarda Wanderléa. Em três horas de espetáculo ela mostra, do alto de seus setenta anos, que ainda é uma brasa. Mora? A Ternurinha é puro carisma sobre a cena. Suas entradas são aguardadas com excitação e recebidas com aplausos calorosos. Ah! E a filha Jadde também brilha ao lado da mãe diva. Viva a Wandeka! Tenho assistido à série Feud, com as maravilhosas Jessica Lange e Susan Sarandon vivendo Joan Crawford e Bette Davis respectivamente. Mas isso merecerá, evidentemente, post especial assim que terminar de assistir a todos os oito episódios... No mais, dias lindos de sol e aquele friozinho gostoso de dormir e de se vestir para sair...
Na foto eu, bem pimpão, chegando no teatro para me apresentar.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

SALVE BRECHERET

Prorrogada até o fim do mês a exposição Brecheret: Encantamento e Força, na Dan Galeria, que fica na Rua Estados Unidos aqui nos Jardins. Me sinto um tanto privilegiado de estar vizinhando, ainda que temporariamente, com tão expressivo patrimônio da arte mundial. A mostra exibe quarenta e seis obras, entre esculturas e desenhos, do artista ítalo-brasileiro considerado, juntamente com Anita Malfatti, introdutor do Modernismo no Brasil. Fazem parte, por exemplo, as obras Ídolo e Cabeça de Mulher, que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922. Há cavalos, dançarinas, bustos, cabeças, nus masculinos e femininos, alguma arte indígena e figuras sacras, como as esculturas São Francisco com Burrinho e São Francisco com o Bandolim, e o impressionante desenho de San Michelle feito em crayon no período da formação do artista em Roma. Por pouco não vejo essa obra, que está exposta em uma pequena sala contígua. Não fosse a generosidade e simpatia de Andréa Vasconcellos, que me forneceu diversas informações e gentilmente me enviou o pdf do catálogo, já esgotado, por e-mail. Tive uma paixão à primeira vista pela obra Guerreiro, de 1927, esculpida em pedra de França, totalmente Art Déco como a maioria das minhas obras preferidas desse ícone da arte brasileira e mundial. Já na entrada da galeria, do lado de fora, a gigantesca Morena, esculpida em bronze com mais de um metro e oitenta de altura, recebe os visitantes como a adiantar o que vem pela frente. Luxo só. Não dá para perder.
Nas fotos, Morena recebe os visitantes na entrada da Dan Galeria fotografada por mim, e as obras Guerreiro, Torso Masculino e San Michelle, extraídas do pdf do catálogo da exposição.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

INVERNO EM SP

Caramba! Já estamos na metade do ano outra vez... O mês de julho chegou trazendo frio a São Paulo, o que achei ótimo. Afinal, inverno é mesmo época de fazer frio e já estava com saudades. A gente fica bem mais elegante no frio... Julho trouxe também ipês e cerejeiras floridos, o que é uma festa para os olhos e uma alegria para a alma. Além disso, jardins verticais surgem na Avenida Vinte e Três de Maio como uma interessante saída para o eterno problema das pixações. Ganha a cidade, já menos feia e cinza, com mais verde a oxigenar os dias... E adivinhem quem voltou? Eu! Rsrsrs. Estou de volta à Terça Insana no Festival Grace Gianoukas Recebe, agora no teatro Sérgio Cardoso, nesse e no próximo mês, com convidados e atrações diferentes a cada edição. Já não era sem tempo essa minha rentrée... No mais, rolezinhos de bicicleta no Ibirapuera e passeios em busca de novos grafittis e de ipês e cerejeiras em flor. Ontem fomos a São Roque, aqui pertinho da capital, para apreciar as cerejeiras do Centro Esportivo Kokushikan Daigaku que, malheureusement, estava fechado. Mesmo assim, deu para tirar uma casquinha do lado de fora. Curioso é que ninguém, na cidade e arredores, jamais ouvira falar do tal centro esportivo. E só depois de muito vai e vem é que conseguimos encontrá-lo... Que mais? Ah! Os Arcos do Jânio foram entregues à cidade devidamente restaurados e estão lindos. E vamos em frente. Bom inverno a todos!
Nas fotos, as cerejeiras do Centro Esportivo Kokushikan Daigaku vistas do lado de fora, eu barrado na Disneylândia, ipê florido no Ibirapuera e grafitti na Avenida Rebouças.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

VIAJANDO COM BIVAR

Depois de devorar Verdes Vales do Fim do Mundo, estou economizando a leitura de Longe Daqui Aqui Mesmo (que emendei na sequência, sem intervalo) para que o prazer da leitura seja prolongado por um pouco mais de tempo... Na verdade estou preenchendo lacunas que havia deixado na leitura da obra desse autor que tanto admiro. E ainda me faltam algumas coisas dele para ler. Mas, com calma e sem muita pressa, vou completando a prazerosa viagem através de sua vida e obra. Esses dois aqui citados, por exemplo, encontrei-os por acaso em edição de bolso quando circulava pela Livraria Cultura. E eles tem me acompanhado no ônibus, no metro, na estrada, em casa, e em todas as esperas a que sou submetido por um ou outro motivo. Tudo vira desculpa para embarcar, mochila nas costas, junto com Bivar em suas aventuras e descobertas. Não vivi, como ele, o movimento hippie, por exemplo. Mas peguei uma certa rebarba dessa tendência e vivi boa parte da minha juventude sob a sua influência. Cheguei a viajar de carona e a acampar. Só que aqui mesmo, no Brasil. Enquanto ele corria o mundo... Felizmente, desde a mais tenra idade tive os livros como passaporte e eles me faziam companheiro de viagem de vários autores que admirava: De Castañeda a Clarice. De Lobato a Fernando Gabeira... Só bem mais tarde é que fui descobrir o Bivar. E passei a acompanhar suas andanças pelo mundo, os shows a que assistiu, as cidades que conheceu, as reflexões a que foi levado, as peças que escreveu e as pessoas que encontrou. Acho que foi na hora certa pois, como diz o seu amigo Andrew Lovelock em Longe Daqui Aqui Mesmo: Nunca é tarde para começar qualquer coisa... Movido por essa ideia é que estou em busca de tudo o que me falta ler da obra de Antonio Bivar. E, para quem ainda não o descobriu, indico sua leitura como indispensável. Boa viagem!
Na foto, Bivar em si pede carona na estrada.

domingo, 25 de junho de 2017

FESTA JUNINA

Dia de São João e aniversário do Weidy em Piracaia, chez nossos amigos Rodrigo et Thomas. A maison se chama La Figueira e muito já falei dela aqui no blog. Nossa intenção era chegar na sexta-feira para o por do sol. Mas houve tanto trânsito na saída de São Paulo que acabamos chegando para um rápido brinde e dormir. No sábado acordamos cedo e, após o desjejum, saímos para caminhada matinal por longa trilha mata adentro até uma inspiradora queda d'água. Mago, o cão pastor suíço dos nossos anfitriões, abria caminho nas picadas, branco e enorme como um urso polar. Depois de longos papos e planejamentos de projetos artísticos voltamos vale acima até a figueira em si, gigantesca, centenária, a dar nome à propriedade. Sentamos em suas majestosas raízes, que saem da terra formando paredes vivas, como muros a circundá-la... Nossos anfitriões são vegetarianos e preparei uma ceia, algo entre o almoço e o jantar, composta de creme de aipo, batatinhas salteadas com alecrim e salada de avocado com tomate cereja e azeitonas verdes. De entrada, pão italiano com homus e queijo melba com amêndoas e damascos. Tudo regado a espumante brut da Serra Gaúcha. O por do sol veio para fechar o glorioso sábado com uma profusão de cores de doer a alma. Digo de doer a alma porque, a essas alturas, o som de Benjamin Clementine já habitava o ar que respirávamos... Pausa para um cochilo e à noite já estávamos reunidos para mais comemorações com vinho tinto e velouté de cenoura com mandioca. Alguma música francesa no iPad, ampliada pela caixinha de som bluetooth... Domingo de sol radioso, céu de brigadeiro. Os meninos saem para nova caminhada na mata e eu me estendo ao sol para bronzear a carcaça. Penso na passagem do tempo aqui e lá, na grande cidade. Aqui as atividades se distribuem naturalmente ao longo do dia, sem horários determinados para isso ou aquilo. E quando a gente se dá conta, mais um dia findou. O silêncio é quebrado, vez por outra, por pássaros que cantam ao longe ou pelo farfalhar das folhas das árvores. Sem trânsito nem vizinhos. Sem pressa ou poluição. Sem sirene ou buzina. Encho os pulmões de ar e agradeço...
Nas fotos, vista da piscina, a maison em si e o sol se põe na janela do quarto.

sábado, 17 de junho de 2017

ZU LAI

Há poucos minutos de São Paulo existe um lugar sagrado onde se pode meditar, respirar mais calmamente e entrar em contato com a natureza, a arquitetura e a arte sacra orientais. É o templo budista Zu Lai. Situado em Cotia, região metropolitana de São Paulo, é o primeiro templo do Monastério Fo Guang Shan na América Latina. Além de todas as atividades espirituais oferecidas, como cursos de tai chi e meditação, o Zulai tem museu, biblioteca, loja, café e restaurante vegetariano. Sem falar nos belíssimos jardins com lagos, cerejeiras e esculturas, nos quais você pode tomar sol, fazer pic nic ou simplesmente ouvir o silêncio, coisa raríssima de se conseguir vivendo na Pauliceia. Fui conhecer este paraíso na Terra nesse fim de semana de feriado prolongado, o que fez com que encontrasse o local bastante cheio de frequentadores vindos de todas as partes. Pretendo voltar em um dia de semana qualquer. Imagino que sem tanta gente circulando o passeio deva ser ainda mais proveitoso. Sem muito mais o que dizer, deixo-os com algumas das belas imagens que registrei por lá. Namaste!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

ZONA DE CONFORTO

O que todos tem contra a chamada zona de conforto? Só se fala em sair dela. Apregoa-se ali: Saia da sua zona de conforto. Jacta-se acolá: Consegui sair da minha zona de conforto. Eu estou muito bem obrigado na minha. Daqui não saio. Daqui ninguém me tira... Aliás, tem zona melhor pra se estar? Eu, heim! Só se for a Zona em si, repleta de drinks e quengas e abajures lilases e tal... Ainda mais agora, com o frio que anda fazendo. Ir até a cozinha fazer um café, para mim, já é sair da zona de conforto... Mas São Paulo não para, São Paulo não pode parar. E nesse fim de semana tem show da cult band Hercules And Love Affair, da qual já fez parte Antony Hegarty, do Antony And The Johnsons, minha paixão de cortar os pulsos. É só digitar o nome dele aqui na pesquisa do blog para ver o tamanho da minha paixão... O show fará parte de um festival holandês de diversidade que tem sua primeira edição no Brasil. A noite terá extensa programação, o que me faz crer que Antony, digo, Hercules, pisará o palco lá pelas... Ai, que preguiça!!! Nem Hercules, nem Antony em si, nem os Johnsons e nem mesmo um Love Affair serão capazes de me tirar da minha fofa, quentinha e aconchegante zona de conforto... Beijo não me liga. Mas se joga lá: Festival Milkshake, dia 16 de junho, Stereo Pop Club, SP.
Na foto, a capa do álbum cult da banda não menos cult.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

PALAVRAS ERRANTES

Palavras são como pássaros, às vezes pousam na página em branco enchendo-a de beleza e poesia. Outras vezes voam em bando, migratórias, para terras longínquas, deixando sem assunto e nem ao menos título a pobre lauda vazia... Vez por outra se permitem pousar sobre um ou outro assunto, o novo espetáculo de um grande ator de teatro, a estreia de um amigo, um livro que li, um restaurante que conheci, bem en passant, não chegando a preencher sequer um parágrafo... E os assuntos, assim como as palavras, voam em bando para outro hemisfério. Les mots me échappent, como se diz en français... A vida, esse fenômeno por si só já tão interessante, às vezes nos faz pensar que está passando em vão. São Paulo, essa cidade efervescente que amo tanto, às vezes me faz ter a sensação de que não me corresponde, pois me permite, morto de tédio, achar que não há mais o que fazer... E se vai com as palavras o meu assunto. Ouvindo antigos discos de Caetano Veloso me encontro e me reencontro em diversas faixas, refrões, versos. Por mais distante, o errante navegante, canta ele em Terra. Me dou conta de que sigo errando por esse planeta que, às vezes penso, não é o meu. Sim, porque no planeta que imagino meu, metade das coisas que aqui acontecem não aconteceriam... Eu não sou daqui, eu não tenho amor. Marinheiro só errando de cais em cais... Ela me conta que era atriz e trabalhou no Hair. Eu também era ator, costumava brilhar sobre a cena. Alguém disse outro dia na TV: A gente nunca sabe quando vai estar no palco outra vez. Nunca sabe. Acho que foi Crioulo... Eu sempre quis muito. Mesmo que parecesse ser modesto. Agora nem sei se o que quero é muito ou pouco. Tampouco se quero. Ou o quê... Que me voltem as palavras! Isso eu sei que quero. Pelo menos...
Na foto, grafitti na antológica Rua Augusta, inesgotável fonte de assuntos.

sábado, 27 de maio de 2017

ANTÍGONA

Como diria Odorico Paraguassu, é com a alma lavada e enxaguada nas águas da emoção mais profunda que venho por meio deste enaltecer o incomensurável talento de Andrea Beltrão. E, como trata-se de post em blog e o tempo/espaço urge, não me estenderei sobre o irretocável conjunto da obra mas, sim, me restringirei ao não menos irretocável solo que ela agora nos apresenta: Antígona. Não a de Sófocles, mas a da própria. Dela e de Amir Haddad em bem sucedida e oportuna adaptação. Os exageros iniciais de Odorico se justificam por vários motivos. Primeiro porque já pisei em temporada de três meses, há exatos trinta anos, as mesmas tábuas em que agora Andrea nos brinda com sua tragédia: O histórico palco do Sesc Anchieta, templo do teatro de Antunes Filho. Lugar sagrado em que, no ano de 1987, me apresentei com Império da Cobiça, criação do Grupo Tear, da minha mestra Maria Helena Lopes. E, segundo mas não menos importante, porque amo a tragédia grega, em especial essa de Antígona, a jovem que se rebela contra a tirania do governante opressor. Em adaptação primorosa, Andrea percorre não apenas a tragédia mas o mito em si. A genealogia do mito. E conduz a plateia com maestria pelas peripécias trágicas, sem deixar de lado o humor, se é que isso é possível, e acaba provando que é. Sem nunca banalizar a gravidade do tema. Ela é capaz de fazer o público embarcar facilmente em todas as emoções que propõe sobre a cena. Não sou crítico de teatro. O que tento passar aqui vem totalmente embalado pela emoção. E, devo confessar, por algumas taças de vinho... O que mais me agrada na montagem é a dosagem perfeita entre o registro trágico e o drama. Recentemente assisti a uma montagem de Gota d´Água em que o registro da interpretação escorregava o tempo todo para o drama, o que não seria o caso, posto que Gota d´Água é uma adaptação da Medeia, portanto, uma tragédia. Ocorre que Andrea é uma grande atriz. E mais não digo... Muitos anos atrás, nem vou dizer quantos, assisti a uma montagem da Antígona protagonizada por minha professora de interpretação, a grande Sandra Dani, que me marcou profundamente. Dois anos atrás assisti, em Paris, a uma montagem cinematográfica protagonizada pela não menos maravilhosa Juliette Binoche. Devo dizer que temia algo que não estivesse à altura dessas minhas referências. Pois meu temor revelou-se totalmente infundado. Andrea brilha como nunca. Ou melhor, como sempre. Fui às lágrimas quando ela avança pela plateia dizendo a frase do coro: Numerosas são as maravilhas da natureza, mas de todas, a maior é o Homem... Lembrei o tempo todo do meu professor de teatro grego na faculdade de teatro em Porto Alegre, o mestre Ivo Bender. Ele certamente faria várias críticas ao espetáculo. Mas saberia, como poucos, apreciá-lo... Fica até 18 de junho. Não perca!
Fiz a foto enquanto Andrea esperava o público sentar para começar o espetáculo. Depois, educadamente, desliguei o celular.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

JAPAN HOUSE

Como volta e meia costumo repetir aqui no blog, São Paulo não se cansa de me surpreender. Acaba de inaugurar na cidade, em plena Avenida Paulista, a Japan House. Em bom português, a Casa Japão. E eu, encantado que sou com tudo o que diz respeito a esse país, fui correndo conferir. Correndo é maneira de falar. A inauguração foi no sábado passado, mas esperei até ontem para evitar aglomerações. E foi ótimo ter esperado. Estava super tranquilo. Mesmo assim, visitei tudo rapidamente, uma passada geral para conferir todos os ambientes. Pretendo voltar com mais tempo e mais calma para me dedicar a cada recanto. Um misto de galeria de arte, biblioteca, café, jardim, loja, restaurante e museu. A exposição inaugural é dedicada ao bambu, elemento presente em vários aspectos da vida e da cultura japonesas. Diversos artistas apresentam obras de grande beleza e impacto visual utilizando esse rico e versátil material. Dei uma rápida olhada nos livros e fiquei especialmente tocado por Kazu, ensaio fotográfico de Herb Ritts com nus artísticos do jogador de futebol japonês Kazuyoshi Miura. O restaurante, no segundo andar com vista para a Avenida Paulista, é o Junji Sakamoto, do renomado chefe de mesmo nome, e a cafeteria no térreo é o Imi Café. Sem muito o que dizer e ainda sob o impacto da primeira visita, deixo algumas imagens que registrei com meu celular. Mais para a frente conto em detalhes sobre o restaurante, exposição, café e etc. Como sempre, a cidade de São Paulo me surpreende e encanta. Sou muito grato por ter sido acolhido por ela. Arigatô, Pauliceia!
Nas fotos, o terraço com vista para a Paulista, eu fazendo graça em frente à parede de washi do artista Yasuo Kobayashi, obra de Chikuunsai IV Tanabe na sala de exposições, o incrível jardim de pedra e Kazuyoshi Miura para Herb Ritts.

terça-feira, 2 de maio de 2017

MONÓLOGO PÚBLICO

Como é bom ir ao teatro. Como é bom ir ao teatro e sair satisfeito. Como é bom ir ao teatro e se sentir provocado, instigado. Como é bom ir ao teatro e sair de lá transformado. Assim é o teatro de Michel Melamed: Provocador, instigante, transformador. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito nesse feriado de segunda-feira. Gosto muito de tudo o que faz esse poeta, autor, ator, diretor, performer e apresentador de TV. Seu solo Dinheiro Grátis já havia mexido muito comigo anos atrás no Rio de Janeiro. E nesse Monólogo Público ele vem ainda mais intenso e autobiográfico. É um deleite embarcar nas desventuras do personagem narrador cujo texto se desenvolve ora em verso ora em prosa, cheio de jogos de palavras e associações, pleno de beleza e inteligência raras. Com uma belíssima luz assinada por Adriana Ortiz, um impressionante objeto/cenário de Sergio Marimba e uma trilha sonora inspirada e inspiradora do DJ Ansioso, Michel está muito bem amparado sobre a cena. Mas ele não precisaria de nada disso. Se quisesse, poderia chegar e fazer seu solo em qualquer lugar, com qualquer roupa, em quaisquer condições. O que interessa, o que enche os olhos, a alma e o coração, é o que está com ele. Seu conteúdo. Ainda bem que o seu monólogo é público. Para mim, que já vivo uma crise de abstinência cênica, foi como uma espécie de abdução ao mundo do teatro. Uma consagração. Uma epifania. Viva Michel Melamed!
Nas fotos, Michel em si sobre o palco e eu totalmente abduzido após o espetáculo.

domingo, 30 de abril de 2017

MEDO DE AVIÃO

Que sacanagem esse negócio de todo domingo um cantor bacana se despedir da gente. Domingo passado foi Jerry Adriani. Hoje, Belchior. O tempo vai passando, vamos envelhecendo e perdendo pelo caminho amigos, ídolos e referências. Eu, que nunca tive medo de avião, tremi nas bases quando encontrei com Belchior na loja de discos Spotless, do então meu amigo Cid (onde andará?) na longínqua Porto Alegre do ano de 1979... Já contei mil vezes aqui no blog desse encontro que mudaria a minha vida. Mas, dada a importância da efeméride, vale repetir. Eu ouvia atentamente nos fones de ouvido o recém-lançado LP de estreia de Ângela Ro Ro quando o cearense adentra o descolado point para uma tarde de autógrafos de seu igualmente recém-lançado LP Medo de Avião. Meio sem graça com a pouca frequência, se dirige à minha pequena e meiga pessoa, pergunta o que estou ouvindo e engatamos animada conversa. O que nunca contei aqui é que eu não estava lá por acaso. Sabia muito bem que o rapaz latino-americano sem dinheiro no bolso e sem parentes importantes viria do interior para dar os seus autógrafos. E, do alto dos meus quinze aninhos, fiz a desavisada & blasé... Belchior se encantou comigo, eu com ele e, além de um bom papo e um autógrafo, ganhei um convite para assistir ao seu show novamente, pois já havia assistido na noite anterior. Me pediu para esperá-lo na entrada lateral do Teatro Leopoldina, que era por onde entravam os artistas, que me levaria com ele para os bastidores do show. Eu era um poço de ingenuidade e virgem até a raiz dos cabelos. O que fez com que nenhuma segunda intenção me passasse pela cabeça. Fiquei com ele no camarim até o começo do show, assisti ao show da coxia e, quando as cortinas se fecharam após o bis, me escafedi com algum tipo de sinal de alerta não identificado me dizendo para sumir. É lógico que até hoje me arrependo amargamente de não ter esperado por ele, de não ter saído com ele após a apresentação, de não ter vivido o que quer que fosse que o destino estava tentando fazer para unir o nordeste ao sul. Um gole de conhaque, aquele toque em teu cetim, que coisa adolescente, James Dean. Agora já foi, já era. Até parece que foi ontem minha mocidade, com diploma de sofrer de outra universidade... Ainda bem que tenho suas canções. Que sempre amei, amo e amarei. Não quero ficar falando aqui de coisas que aprendi nos discos. Quero apenas contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo. Vai em paz, Belchior. Em cada luz de mercúrio vejo a luz do teu olhar. Passas praças, viadutos, nem te lembras de voltar. De voltar, de voltar...
Eu tenho o autógrafo guardado, não sei onde. Se soubesse, postaria aqui para ilustrar o post.

domingo, 23 de abril de 2017

DOMINGO CINZA, FADO FELIZ

Domingo, 23 de abril. Depois de amanhã faço aniversário. Cinquenta e quatro anos de idade. Hoje é o dia de São Jorge. Dia das eleições presidenciais na França. Logo mais, à tardinha, vou ver meu amigo Edson Cordeiro cantar Fado, seu novo trabalho, no Sesc Santana. Ano passado eu estava no Rio de Janeiro. Ano retrasado eu estava em Paris. Pelo menos esse ano, já que não estou em Paris, estou de volta ao lar... Sempre gostei de comemorar meu aniversário. Não necessariamente com festa, mas principalmente me presenteando com coisas que gosto de fazer... O domingo cinza de outono levou Jerry Adriani, cantor de grande beleza e voz potente. Como poucas são hoje em dia. Eu, que sempre fora seu seu fã, um dia fui agraciado com sua presença em um dos shows da Terça Insana aqui em São Paulo. Me esperou na saída e ficou um bom tempo conversando comigo. Me contou na ocasião que seu filho se preparava para ser ator. Me deu o número do celular e eu, bobo que sou quando se trata de ídolos, nunca liguei... Que os anjos o recebam no céu da Jovem Guarda! Sobre o quê mesmo é esse post? Não é sobre uma música chata, repetitiva e sem fim, com mensagem de auto-ajuda. Nem pretendo contar nove verdades e uma mentira sobre mim. Prefiro Nove Semanas e Meia de Amor, o filme... Edinho já cantou, arrasou como sempre, foi ovacionado pela plateia lotada do Sesc. Costurou fados com música popular brasileira e internacional. Como só ele sabe fazer. Seu gesto é no momento exato em que me mato, para citar Bethânia em Drama, de Caetano. Quando agradece ao Sesc, Edson fala de um Brasil que dá certo, que pode dar. E com o qual eu sonho... Estou de volta em casa, torcendo para que Le Pen não seja eleita presidente da França. E dando continuidade aos trabalhos comemorativos do meu aniversário... Bonne semaine à tous!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

ABRIL 5.4

Bem vindo, mês de abril. O quinquagésimo quarto abril da minha existência na Terra. Começo me desculpando com os leitores, afinal hoje já é dia 12 e este é apenas o primeiro post do mês. Eu poderia alegar falta de assunto, o que não é verdade. Aliás, assunto é o que não falta nessa era dos assuntos que vivemos. Os top trends, os assuntos do dia, da semana, do momento. As opiniões de uns versus as opiniões de outros. A polarização, a ressignificação, a votação, a cassação, a ocupação e, claro, o José Mayer. Então confesso: É desmotivação mesmo. Os assuntos estão todos aí, eu estou aí, no meio deles, afetado direta ou indiretamente por todos. Mas chega uma hora em que a gente cansa, não é mesmo? Tem dias em que a vida pesa. Mesmo para quem leva a vida na flauta... Abril é um mês que mexe muito comigo. É o mês dos meus anos. Do meu inferno astral. Estou me aproximando da metade dos cinquenta, portanto, ficando cada vez mais perto dos sessenta, setenta, etc. Essa perspectiva me põe para pensar. E nem sempre tenho vontade de dividir o que penso com quem me lê. Quando estou pensativo gosto de ficar quieto no meu canto. Ícaro, o espetáculo do Luciano Mallmann a que assisti em Porto Alegre, me pôs para pensar. O filme Moonlight me pôs para pensar. Logo, paro para pensar... A internet se transformou numa espécie de depósito onde todo mundo joga o que quer, independente da qualidade, sem separar o que é reciclável do que é meramente descartável... Quando comecei esse blog oito anos atrás eu estava cheio de expectativas que hoje não tenho mais. Temo estar passando por um processo de desblogarização... Fala sério: Arrasei no termo. Desblogarização. Acho que acabo de cunhá-lo. Nunca tinha ouvido ou lido... Lembro de muitos meses de abril passados nos mais diferentes lugares: Soledade, Porto Alegre, Paris, São Paulo, Rio de Janeiro. Espero que esse quinquagésimo quarto seja pleno de renovação. Porque chega uma hora em que a gente cansa, não é mesmo? Bom mês de abril a todos...
Na foto, Chanson de Montmarte, de Anita Malfatti. Um bom lugar para se passar o mês de abril.

quinta-feira, 30 de março de 2017

UM ZAZ IN POA

Uma semana passada em Porto Alegre me deixou passado. É que a capital gaúcha sempre acaba me surpreendendo positivamente. Primeiro foram os diversos reencontros. Foram muitas pessoas queridas que revi depois de muito tempo. Almoços com familiares, jantares e happy hours com amigos, sete dias foram pouco para a quantidade de compromissos que tinha, sem falar em dentista, oftalmologista, exames, etc... Tive o prazer de rever em cena o ator João Carlos Castanha, de quem sou fã e que há muito não via. Dessa vez foi como Jane Hudson, na peça O Que Terá Acontecido a Baby Jane. Uma montagem simples, quase naïf, que privilegia a performance histriônica dos atores. Dividindo a cena com Castanha estão Lauro Ramalho, como Blanche, e Caio Prates, como a empregada Elvira e o professor de piano, todos sob a batuta do meu amigo Zé Adão Barbosa. Lembro que o Zé já falava em montar essa Baby Jane desde o tempo em que eu ainda morava em Porto Alegre. A peça apresenta um interessante contraste com a sofisticada encenação de Charles Moeller e Claudio Botelho, a que assisti recentemente em São Paulo, com Eva Wilma e Nicete Bruno nos papéis principais... Para coroar minha estada nos pampas teve o show da cantora francesa Zaz no Auditório Araújo Vianna. Eu já havia assistido ao seu show de dois anos atrás, em São Paulo, no Bourbon Street. Um local pequeno, um jazz club, onde tive a chance de estar bem perto do palco. Agora Zaz retorna ao Brasil com um show grande, com projeções e efeitos de luz arrebatadores. E o Araújo Vianna reformado, com cobertura, foi para mim um show à parte, pois há muito não visitava o local. A cereja do bolo foi a participação da minha amiga Valéria Houston, dividindo o palco com Zaz em um brilhante dueto para Ne Me Quitte Pas. Inoubliable... Deixo a cidade já com saudade e fazendo planos para voltar em breve! Au revoir, Porto Alegre!
Nas fotos, Paris no palco do Araújo com Zaz e a boneca de Baby Jane.

terça-feira, 28 de março de 2017

SONHO DE ÍCARO

Ainda estou sob o impacto do espetáculo Ícaro, do meu amigo Luciano Mallmann, a que assisti no último sábado. Saí do teatro em algum estado entre o de choque e o de graça. A peça mexeu muito comigo. Um contundente teatro-depoimento, no qual Luciano expõe sua história e as histórias de pessoas que, como ele, são cadeirantes. Não tenho muito o que dizer sobre esse trabalho, apenas que é belo e cheio de conteúdo. O que, hoje em dia, já não seria pouco. Aliás, bem raro. O personagem narrador nos conduz com delicadeza e sensibilidade pelos meandros da sua condição, mostrando-nos que acima de tudo e apesar de tudo está tudo bem. Mesmo. Luciano sempre foi lindo. E continua lindo sobre rodas, agora maduro e com cabelo e barba grisalhos. É um espetáculo que precisa ser visto por todos, independente da quantidade de movimentos que possam realizar. Aliás, só é preciso sair de casa e ir até o teatro para tal. Não é só literalmente que a gente se movimenta na vida. O próprio ato de viver é um movimento contínuo que ás vezes segue à nossa revelia, ao acaso, deixando-se levar pelo destino. Mas quando decidimos tomar as rédeas da vida e conduzi-la de acordo com a nossa vontade, surgem belos resultados como esse iluminado Ícaro do Luciano. Como o personagem mitológico, ele desejou voar e foi ao chão. Mas tratou de sacudir a poeira e dar a volta por cima. Para a nossa alegria... Desejo que a caminhada desse espetáculo seja longa, que ele tenha múltiplas oportunidades de mostrá-lo, não só em Porto Alegre, mas nos quatro cantos do Brasil. E que a gente sempre possa sair, por uma hora que seja, do nosso mundinho fechado para apreciar esse belo trabalho. Parabéns, meu amigo!

quinta-feira, 23 de março de 2017

TRISTE BIXIGA

Os festejos comemorativos dos meus vinte e um anos em São Paulo foram encerrados com um jantar em uma típica cantina italiana do bairro do Bixiga. O que era para ser apenas um brinde com vinho & polpetone acabou se transformando em um resgate do passado . Explico: Na década de oitenta, quando ainda vivia em Porto Alegre, vim estrear um espetáculo na capital paulista e permaneci em cartaz na cidade por três meses. Era o ano de 1987, eu tinha apenas vinte e três para vinte e quatro anos e obviamente saía todas as noites. O destino certo e infalível era o boêmio bairro do Bixiga. Mais especificamente na confluência das ruas Santo Antônio e Treze de Maio. Não apenas para jantar nas cantinas, mas também e principalmente para beber nos bares que lotavam a Treze de Maio. Começando pelo Café do Bixiga, logo em baixo, e terminando com o Café Piu-piu no alto da rua. No meio tinha o Metamorphose - se não me engano era esse o nome. Esse bar tinha um interessante jogo de espelhos formado por vidros espelhados com uma vela acesa de cada lado. A gente se sentava frente a frente com alguém e ficava transformando o rosto de um no rosto do outro. Muito louco... Na Santo Antônio tinha uma livraria que ficava aberta à noite e onde eu sempre passava para ver as novidades. Foi lá que comprei o livro de Glauco Mattoso, Manual do Pedólatra Amador: Aventuras & Leituras de Um Tarado por Pés e descobri que não estava sozinho... Mas dessa vez não foi nada disso o que encontrei por lá: Beeem decadente, o local exibe casas e prédios cobertos de pixações, os bares todos fechados ou transformados em cortiços, e as cantinas fechadas ou vazias. Só o Café Piu-piu persiste no alto da rua. Triste Bixiga. Ó quão dessemelhante... Eu quis rever a Cantina Montechiaro, na rua Santo Antônio, onde costumava ir após os espetáculos, por isso a escolhi para comemorar minha maioridade paulistana. Tinha na memória o salão lotado, com vários artistas de teatro a abrilhantá-lo com suas presenças. Lembro de ter sido apresentado a Lilia Cabral bem garota, que estava no ar em sua primeira novela na Globo. O grupo de teatro ao qual eu pertencia era muito admirado e respeitado e todos queriam nos conhecer. Mas lá se vão trinta anos... O que encontrei foi um salão vazio. Além de mim e do Weidy só havia um senhor solitário em uma mesa e um casal em uma outra. Ainda assim valeu pelo brinde e pelo resgate dessa memória. E também por que descobri, no meio de toda a feiúra reinante, um artista de rua que muito me emocionou...
Nas fotos, obra do artista Orsetti e o salão vazio da Montechiaro provam que estando atento e forte a gente consegue ver beleza em tudo. Até na decadência.

segunda-feira, 20 de março de 2017

SÃO PAULO 2.1

Quando cheguei em São Paulo de mala e cuia, há exatos vinte e um anos, eu já não era mais nenhum adolescente: Tinha trinta e dois para trinta e três anos de idade. Mas devo confessar que sonhos e ilusões eu ainda tinha muitos. Os sonhos, grande parte deles cheguei a realizar. Alguns eu adiei. De outros eu desisti. Quanto às ilusões, ah, as ilusões: Não acredito mais no fogo ingênuo das paixões. Afinal de contas, são tantas ilusões perdidas na lembrança, como já cantava Fagner... Meu amor pela Pauliceia se mantém, agora mais maduro & sereno, como é comum aos amores que duram. E ainda não descobri nenhum outro lugar onde seria capaz de morar. Por incrível que pareça a cidade continua me surpreendendo, mesmo depois de tantos anos vividos aqui. E é com enorme prazer que a revisito e a redescubro sempre. Quanta coisa já mudou nesses vinte e um anos! A internet, por exemplo, ainda engatinhava quando cheguei por aqui. A gente curtia o Mercado Mundo Mix, se jogava pra dançar no Massivo, os bares da Consolação bombavam – sim, havia bares na hoje pacata Rua da Consolação – e, claro, íamos a muitas festas nas casas dos amigos. Taí uma coisa que quase não rola mais: Festinhas em casa. Ou será que continua rolando, só que pro pessoal que é jovem hoje? É claro que sim, to brincando. Eu é que não tenho mais idade nem paciência pra muita festa... Uma coisa não mudou: Continuo frequentando o Ritz. Que, aliás, já frequentava desde antes de morar aqui... Vou celebrar meus vinte e um anos de São Paulo aqui no blog, dividindo-os com quem me lê. Será na quarta-feira, dia vinte e dois de março. Vou abrir um vinho e fazer um brinde especial. Agora que o outono chegou tudo há de ser mais leve. Isso é uma outra coisa que mudou nos últimos anos: Deixei de amar o verão. Agora, com a idade e o aquecimento global, estou preferindo temperaturas mais amenas. Como as do outono e da primavera. Bom outono a todos! E feliz vinte e um anos de Sampa pra mim!
Na foto, les feuilles mortes na entrada do meu edifício.

quarta-feira, 8 de março de 2017

JESSICA LANGE FOREVER

Sempre fui fã de Jessica Lange. Pelo menos desde que assisti ao filme Frances, no começo dos anos oitenta. Foi amor ao primeiro frame. Além de excelente atriz, ela está para mim em um patamar especial, uma espécie de Olimpo habitado por grandes divas que possuem muito mais do que apenas talento: Elas tem beleza, glamour, star quality, fotogenia, carisma e uma série de atributos que as fazem únicas. Poderia citar mais algumas, mas não vou fazê-lo para não empanar o brilho desse post especialmente dedicado a Ela... Bem, a responsável por esse reacender da minha paixão por Miss Lange é a série American Horror Story, do Netflix, que venho assistindo compulsivamente nos últimos meses. Nela Jessica brilha soberana e esbanja seu imensurável talento. Eu nem sabia da existência desse seriado quando um amigo me recomendou assistir no youtube ao vídeo dela cantando Life on Mars, de David Bowie, em cena extraída da produção. Fiquei impressionado e desde então venho revivendo minha paixão adolescente e platônica por Jessica Lange... Lembro de tê-la visto em King Kong, All That Jazz, Tootsie e mais alguns filmes que agora me fogem à memória. Em uma das temporadas do seriado, Freak Show, Jessica é a proprietária de um circo de aberrações e é justamente nesse circo que a vemos interpretar a canção de Bowie que me fez descobrir e seguir a série no Netflix. No momento estou assistindo à temporada The Coven, na qual ela lidera um grupo de bruxas. Em um dos episódios, sua rival Myrtle diz à filha dela: Sua mãe é o demônio vestindo Givenchy. E eu que pensava que o diabo vestia Prada...
Na foto, Jessica esbanja seu talento como Elsa Mars, a dona do circo de aberrações.