terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

SHORT STORIE

Duas faxineiras da academia esperando o elevador. Passa um treinador sarado que acabara de se trocar.
Treinador - Agora é a minha vez de treinar.
Faxineira 1 - Esse é o Brasil que eu quero.
Faxineira 2 - Oi?
Faxineira 1 (apontando com o olhar para o treinador) Esse é o Brasil que eu quero!
Faxineira 2 - Você não tem marido?
Faxineira 1 - Tenho, uai!
Chega o elevador. Elas entram. Pano rápido.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

MUSIC AND ME

Sempre que estou em Porto Alegre acabo sendo surpreendido por algum evento musical interessante. Da última vez que estive aqui tive o privilégio de assistir a um concerto de Nelson Freire em uma segunda-feira que lotou as dependências do Teatro São Pedro. Agora foi a vez do projeto Clássicos na Pinacoteca, que apresentou o Recital de Música Poética no auditório Brianne Bicca da Pinacoteca Rubem Berta, em plena terça-feira. O recital, dividido em três partes, apresentou obras curtas do romantismo alemão conhecidas como Lied. Com belíssimas melodias, essas obras tem apelo junto ao público pela intensidade emotiva e por serem, digamos assim, mais palatáveis do que as geralmente complexas composições eruditas. Fiquei bastante impactado não apenas pelo talento e virtuosismo dos três músicos, mas também pela sua juventude. Na primeira parte, A soprano Carla Knijinik apresentou cinco famosos Lieder de Franz Schubert, acompanhada da pianista Larissa Camargo. Na segunda parte, o oboísta Érico Marques executou três Romanzas para Oboé e Piano, de Robert Schumman, também acompanhado da pianista. E por fim, Larissa Camargo apresentou ao piano cinco das Canções Sem Palavras, de Felix Mendelssohn. Ao final da apresentação, o público que lotava o pequeno auditório com cadeiras extras contribuiu espontaneamente com a quantia que pode dispor... Na noite anterior eu já havia assistido ao show de fados do projeto Amo-te Segundas de Lisboa, com o grupo Alma Lusitana, na Galeria Moinhos de Vento. Esse, totalmente gratuito... A cultura e a arte melhoram as pessoas. Eu, pelo menos, melhoro sempre que tenho a oportunidade de vivenciar prazeres estéticos como esses. E o bom é que estão ao alcance de todos os bolsos. Basta estar atento...
Nas fotos, a juventude da soprano Carla Knijinik, do oboísta Érico Marques, da pianista Larissa Camargo e da fadista do Alma de Lisboa.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

QUEIJOS, VINHOS E ETC.

Sabe quando você está vendo, fazendo e conhecendo um monte de coisas e lugares interessantes e não tem muita vontade de escrever sobre? É o que está acontecendo comigo agora. Só que as coisas e os lugares tem sido tão interessantes que não posso deixar de relatá-los, ainda que em poucas linhas... Começo pela minha ida a Caxias do Sul com minha irmã Raquél no último fim de semana. Já faz mais de dez anos que eu havia me apresentado em Caxias com a Terça Insana e, desde então, ainda não tinha voltado. Dessa vez o passeio teve caráter bem mais gastronômico e enológico, digamos assim. Visitei duas encantadoras vinícolas: Luiz Argenta e Dom Camilo. Ambas de pequeno porte, a primeira tem um perfil moderno, baseado em tecnologia e design. Já a segunda tem os métodos e instalações tradicionais. A primeira impressiona pela imponente construção da vinícola em si e pela originalidade das garrafas, de design exclusivo. Já a segunda, pela beleza estonteante da localização, um belvedere que descortina o Vale do Rio das Antas. O que ambas tem em comum é a excelência dos produtos que oferecem. Vinhos e espumantes da melhor qualidade. Bebi todos por mim e por nossa amiga Lourdes que, como estava dirigindo, passava o conteúdo da sua taça para a minha... Se ficasse só nisso, o passeio já teria sido maravilhoso. Mas é claro que ainda tivemos toda a gastronomia local a nos banquetear. Foi um tal de maionese de galinha, sopa de agnolini, polenta frita, radicci com bacon, galeto, costelinha, salames, copas, linguiças e queijos a perder de vista. Essa orgia gastronômica se deu na tradicional Galeteria Alvorada, de Caxias, e no pequeno e charmoso Sacarolla, situado no porão de uma casa na pequena Nova Pádua, em que você é atendido pelos familiares. Em um fim de semana comi mais do que nos últimos meses... Sem falar na incrível plantação de uvas de mesa da família Venturin, onde você entra nos parreirais acompanhado de um dos membros da família, que colhe os cachos na hora para a nossa alegria... Inesquecível.
Nas fotos, a linda cave da Luiz Argenta, o rosé brut da Dom Camilo feito pelo método champenoise, detalhe da Galeteria Alvorada, fachada do simpático Sacarolla e as impressionantes uvas de mesa da Família Venturin.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

ADIEU, BIBI!

Morreu Bibi Ferreira, uma das maiores e mais completas artistas brasileiras. Digo artista porque, no caso de Bibi, dizer atriz seria redutor. Ela era muito mais. Era muitas. Atriz, cantora, diretora, empresária, uma mulher de teatro. Com ela morre uma estirpe. Uma casta, uma cepa. Tive a sorte de tê-la assistido em Gota d'Água, genial recriação de Paulo Pontes e Chico Buarque para a Medéia de Eurípedes. Eu era um garotinho de quinze anos e só pude assistir ao espetáculo porque meu professor de literatura levou a classe toda ao teatro. Depois da apresentação ainda tivemos um debate com Bibi e todo o elenco... Também a vi no musical Piaf, montagem que reinaugurou o Teatro São Pedro, de Porto Alegre, após a conclusão da reforma liderada por Dona Eva Sopher, outra grande perda recente da nossa arte e cultura. A morte de Bibi me deixou pensando. Aliás, eu já vinha pensando desde a segunda-feira, quando morreu o jornalista Ricardo Boechat em um acidente de helicóptero. E o que tenho pensado é o seguinte: Os melhores brasileiros, os grandes, os incrivelmente inteligentes e talentosos, os representativos da nossa arte, educação e cultura, estão todos nos deixando, partindo, indo embora para sempre. Normal, morrer faz parte da vida. Mas o que me preocupa é que eles não estão sendo devidamente substituídos! Os que estão ficando nos seus lugares não estão suprindo a demanda. Não vão dar conta do recado. Em todos os planos, em todos os setores das sociedade. As lacunas estão cada vez maiores. Tudo o que temos hoje são pálidas sombras do que já tivemos. E, sendo assim, onde iremos parar? Eu sei que estou abalado por todas essas perdas tão recentes e isso me deixa um tanto pessimista. Às vezes me sinto vivendo em um mundo deserto de almas negras, como cantava Elis no álbum Ela... Mas o fato é que junto com Bibi morre um pouco mais do Brasil. Aquele Brasil dos grandes a que me referia. E o resto é apenas o resto...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

BEIJA-ME A BOUCA, AMOR

Estamos vivendo uma era tão tecnológica e virtual, que tudo o que não existir pelo menos digitalmente, aqui na web, irá inevitavelmente desaparecer. O teatro então, que é por natureza uma arte efêmera, será inexoravelmente esquecido. Foi pensando nisso em uma tarde chuvosa que resolvi contar aqui no blog um pouco sobre cada um dos espetáculos que dirigi... Começo com Beija-me a Bouca, Amor que foi a minha estreia na direção. Uma colagem de esquetes e canções, bem no estilo show de variedades que eu viria a experimentar anos depois como ator na Terça Insana. Estávamos no ano de 1986, em Porto Alegre. Eu fazia parte do elenco do Grupo Tear, de Maria Helena Lopes, e já estava no terceiro ano da faculdade de teatro, quando recebi o convite de Zé Adão barbosa e Lúcia Serpa – minha colega no Tear – para dirigi-los nesse formato que surgia como uma moda de verão nos palcos dos bares e casas noturnas da capital gaúcha. O roteiro costurava com canções dois textos curtos de Karl Valentin – O Chafariz e A Dança – e um de autoria de Renato Campão, chamado Brigitte Bardot. Algumas canções foram extraídas de um medley que Elis Regina cantava no show Falso Brilhante – entre elas O Guarany, de Carlos Gomes – e, para arrematar o repertório, Beija-me Amor, de Arnaldo Baptista e Élcio Decário, do repertório de Rita Lee, que inspirou o título do espetáculo. Havia ainda um divertido duelo vocal entre os atores no qual eles utilizavam trechos de músicas começadas por “se você”... Estreamos no Porto de Elis, local icônico da vida cultural e noturna da cidade, onde cumprimos temporada às terças-feiras (olha a terça aí de novo). De lá fomos para a Sala Jazz Tom Jobim, do Restaurante Lugar Comum, outra referência Porto Alegrense da década de oitenta. Participamos também do projeto Esquete às Seis e Meia, do Teatro São Pedro. Sempre com muito sucesso e recebendo rasgados elogios, o Beija-me, como o chamávamos carinhosamente, foi remontado em 1989, com Pilly Calvin substituindo Lúcia Serpa, que já havia se mudado para São Paulo. Nessa remontagem incluímos mais um esquete (se não me falha a memória escrito pelo próprio Zé Adão) e uma canção, especialmente composta para Pilly cantar em espanhol. Com essa nova versão fizemos temporada na Sala Álvaro Moreyra, do Centro Municipal de Cultura, voltamos ao Porto de Elis e fizemos até algumas viagens para o interior do estado. Nos apresentamos na cidade de Carazinho e em Soledade, minha terra natal. Uma pequena curiosidade: Em mais de trinta anos de carreira no teatro, Beija-me a Bouca, Amor foi o único espetáculo que apresentei em Soledade até hoje... As fotos para a divulgação foram feitas pela fotógrafa Irene Santos, parceira em muitos trabalhos, e ficaram maravilhosas. Como essas que ilustram o post, com Zé Adão e Lúcia Serpa juvenis e cheios de graça. Deixou saudades...