quinta-feira, 11 de maio de 2017

JAPAN HOUSE

Como volta e meia costumo repetir aqui no blog, São Paulo não se cansa de me surpreender. Acaba de inaugurar na cidade, em plena Avenida Paulista, a Japan House. Em bom português, a Casa Japão. E eu, encantado que sou com tudo o que diz respeito a esse país, fui correndo conferir. Correndo é maneira de falar. A inauguração foi no sábado passado, mas esperei até ontem para evitar aglomerações. E foi ótimo ter esperado. Estava super tranquilo. Mesmo assim, visitei tudo rapidamente, uma passada geral para conferir todos os ambientes. Pretendo voltar com mais tempo e mais calma para me dedicar a cada recanto. Um misto de galeria de arte, biblioteca, café, jardim, loja, restaurante e museu. A exposição inaugural é dedicada ao bambu, elemento presente em vários aspectos da vida e da cultura japonesas. Diversos artistas apresentam obras de grande beleza e impacto visual utilizando esse rico e versátil material. Dei uma rápida olhada nos livros e fiquei especialmente tocado por Kazu, ensaio fotográfico de Herb Ritts com nus artísticos do jogador de futebol japonês Kazuyoshi Miura. O restaurante, no segundo andar com vista para a Avenida Paulista, é o Junji Sakamoto, do renomado chefe de mesmo nome, e a cafeteria no térreo é o Imi Café. Sem muito o que dizer e ainda sob o impacto da primeira visita, deixo algumas imagens que registrei com meu celular. Mais para a frente conto em detalhes sobre o restaurante, exposição, café e etc. Como sempre, a cidade de São Paulo me surpreende e encanta. Sou muito grato por ter sido acolhido por ela. Arigatô, Pauliceia!
Nas fotos, o terraço com vista para a Paulista, eu fazendo graça em frente à parede de washi do artista Yasuo Kobayashi, obra de Chikuunsai IV Tanabe na sala de exposições, o incrível jardim de pedra e Kazuyoshi Miura para Herb Ritts.

terça-feira, 2 de maio de 2017

MONÓLOGO PÚBLICO

Como é bom ir ao teatro. Como é bom ir ao teatro e sair satisfeito. Como é bom ir ao teatro e se sentir provocado, instigado. Como é bom ir ao teatro e sair de lá transformado. Assim é o teatro de Michel Melamed: Provocador, instigante, transformador. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito nesse feriado de segunda-feira. Gosto muito de tudo o que faz esse poeta, autor, ator, diretor, performer e apresentador de TV. Seu solo Dinheiro Grátis já havia mexido muito comigo anos atrás no Rio de Janeiro. E nesse Monólogo Público ele vem ainda mais intenso e autobiográfico. É um deleite embarcar nas desventuras do personagem narrador cujo texto se desenvolve ora em verso ora em prosa, cheio de jogos de palavras e associações, pleno de beleza e inteligência raras. Com uma belíssima luz assinada por Adriana Ortiz, um impressionante objeto/cenário de Sergio Marimba e uma trilha sonora inspirada e inspiradora do DJ Ansioso, Michel está muito bem amparado sobre a cena. Mas ele não precisaria de nada disso. Se quisesse, poderia chegar e fazer seu solo em qualquer lugar, com qualquer roupa, em quaisquer condições. O que interessa, o que enche os olhos, a alma e o coração, é o que está com ele. Seu conteúdo. Ainda bem que o seu monólogo é público. Para mim, que já vivo uma crise de abstinência cênica, foi como uma espécie de abdução ao mundo do teatro. Uma consagração. Uma epifania. Viva Michel Melamed!
Nas fotos, Michel em si sobre o palco e eu totalmente abduzido após o espetáculo.

domingo, 30 de abril de 2017

MEDO DE AVIÃO

Que sacanagem esse negócio de todo domingo um cantor bacana se despedir da gente. Domingo passado foi Jerry Adriani. Hoje, Belchior. O tempo vai passando, vamos envelhecendo e perdendo pelo caminho amigos, ídolos e referências. Eu, que nunca tive medo de avião, tremi nas bases quando encontrei com Belchior na loja de discos Spotless, do então meu amigo Cid (onde andará?) na longínqua Porto Alegre do ano de 1979... Já contei mil vezes aqui no blog desse encontro que mudaria a minha vida. Mas, dada a importância da efeméride, vale repetir. Eu ouvia atentamente nos fones de ouvido o recém-lançado LP de estreia de Ângela Ro Ro quando o cearense adentra o descolado point para uma tarde de autógrafos de seu igualmente recém-lançado LP Medo de Avião. Meio sem graça com a pouca frequência, se dirige à minha pequena e meiga pessoa, pergunta o que estou ouvindo e engatamos animada conversa. O que nunca contei aqui é que eu não estava lá por acaso. Sabia muito bem que o rapaz latino-americano sem dinheiro no bolso e sem parentes importantes viria do interior para dar os seus autógrafos. E, do alto dos meus quinze aninhos, fiz a desavisada & blasé... Belchior se encantou comigo, eu com ele e, além de um bom papo e um autógrafo, ganhei um convite para assistir ao seu show novamente, pois já havia assistido na noite anterior. Me pediu para esperá-lo na entrada lateral do Teatro Leopoldina, que era por onde entravam os artistas, que me levaria com ele para os bastidores do show. Eu era um poço de ingenuidade e virgem até a raiz dos cabelos. O que fez com que nenhuma segunda intenção me passasse pela cabeça. Fiquei com ele no camarim até o começo do show, assisti ao show da coxia e, quando as cortinas se fecharam após o bis, me escafedi com algum tipo de sinal de alerta não identificado me dizendo para sumir. É lógico que até hoje me arrependo amargamente de não ter esperado por ele, de não ter saído com ele após a apresentação, de não ter vivido o que quer que fosse que o destino estava tentando fazer para unir o nordeste ao sul. Um gole de conhaque, aquele toque em teu cetim, que coisa adolescente, James Dean. Agora já foi, já era. Até parece que foi ontem minha mocidade, com diploma de sofrer de outra universidade... Ainda bem que tenho suas canções. Que sempre amei, amo e amarei. Não quero ficar falando aqui de coisas que aprendi nos discos. Quero apenas contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo. Vai em paz, Belchior. Em cada luz de mercúrio vejo a luz do teu olhar. Passas praças, viadutos, nem te lembras de voltar. De voltar, de voltar...
Eu tenho o autógrafo guardado, não sei onde. Se soubesse, postaria aqui para ilustrar o post.

domingo, 23 de abril de 2017

DOMINGO CINZA, FADO FELIZ

Domingo, 23 de abril. Depois de amanhã faço aniversário. Cinquenta e quatro anos de idade. Hoje é o dia de São Jorge. Dia das eleições presidenciais na França. Logo mais, à tardinha, vou ver meu amigo Edson Cordeiro cantar Fado, seu novo trabalho, no Sesc Santana. Ano passado eu estava no Rio de Janeiro. Ano retrasado eu estava em Paris. Pelo menos esse ano, já que não estou em Paris, estou de volta ao lar... Sempre gostei de comemorar meu aniversário. Não necessariamente com festa, mas principalmente me presenteando com coisas que gosto de fazer... O domingo cinza de outono levou Jerry Adriani, cantor de grande beleza e voz potente. Como poucas são hoje em dia. Eu, que sempre fora seu seu fã, um dia fui agraciado com sua presença em um dos shows da Terça Insana aqui em São Paulo. Me esperou na saída e ficou um bom tempo conversando comigo. Me contou na ocasião que seu filho se preparava para ser ator. Me deu o número do celular e eu, bobo que sou quando se trata de ídolos, nunca liguei... Que os anjos o recebam no céu da Jovem Guarda! Sobre o quê mesmo é esse post? Não é sobre uma música chata, repetitiva e sem fim, com mensagem de auto-ajuda. Nem pretendo contar nove verdades e uma mentira sobre mim. Prefiro Nove Semanas e Meia de Amor, o filme... Edinho já cantou, arrasou como sempre, foi ovacionado pela plateia lotada do Sesc. Costurou fados com música popular brasileira e internacional. Como só ele sabe fazer. Seu gesto é no momento exato em que me mato, para citar Bethânia em Drama, de Caetano. Quando agradece ao Sesc, Edson fala de um Brasil que dá certo, que pode dar. E com o qual eu sonho... Estou de volta em casa, torcendo para que Le Pen não seja eleita presidente da França. E dando continuidade aos trabalhos comemorativos do meu aniversário... Bonne semaine à tous!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

ABRIL 5.4

Bem vindo, mês de abril. O quinquagésimo quarto abril da minha existência na Terra. Começo me desculpando com os leitores, afinal hoje já é dia 12 e este é apenas o primeiro post do mês. Eu poderia alegar falta de assunto, o que não é verdade. Aliás, assunto é o que não falta nessa era dos assuntos que vivemos. Os top trends, os assuntos do dia, da semana, do momento. As opiniões de uns versus as opiniões de outros. A polarização, a ressignificação, a votação, a cassação, a ocupação e, claro, o José Mayer. Então confesso: É desmotivação mesmo. Os assuntos estão todos aí, eu estou aí, no meio deles, afetado direta ou indiretamente por todos. Mas chega uma hora em que a gente cansa, não é mesmo? Tem dias em que a vida pesa. Mesmo para quem leva a vida na flauta... Abril é um mês que mexe muito comigo. É o mês dos meus anos. Do meu inferno astral. Estou me aproximando da metade dos cinquenta, portanto, ficando cada vez mais perto dos sessenta, setenta, etc. Essa perspectiva me põe para pensar. E nem sempre tenho vontade de dividir o que penso com quem me lê. Quando estou pensativo gosto de ficar quieto no meu canto. Ícaro, o espetáculo do Luciano Mallmann a que assisti em Porto Alegre, me pôs para pensar. O filme Moonlight me pôs para pensar. Logo, paro para pensar... A internet se transformou numa espécie de depósito onde todo mundo joga o que quer, independente da qualidade, sem separar o que é reciclável do que é meramente descartável... Quando comecei esse blog oito anos atrás eu estava cheio de expectativas que hoje não tenho mais. Temo estar passando por um processo de desblogarização... Fala sério: Arrasei no termo. Desblogarização. Acho que acabo de cunhá-lo. Nunca tinha ouvido ou lido... Lembro de muitos meses de abril passados nos mais diferentes lugares: Soledade, Porto Alegre, Paris, São Paulo, Rio de Janeiro. Espero que esse quinquagésimo quarto seja pleno de renovação. Porque chega uma hora em que a gente cansa, não é mesmo? Bom mês de abril a todos...
Na foto, Chanson de Montmarte, de Anita Malfatti. Um bom lugar para se passar o mês de abril.

quinta-feira, 30 de março de 2017

UM ZAZ IN POA

Uma semana passada em Porto Alegre me deixou passado. É que a capital gaúcha sempre acaba me surpreendendo positivamente. Primeiro foram os diversos reencontros. Foram muitas pessoas queridas que revi depois de muito tempo. Almoços com familiares, jantares e happy hours com amigos, sete dias foram pouco para a quantidade de compromissos que tinha, sem falar em dentista, oftalmologista, exames, etc... Tive o prazer de rever em cena o ator João Carlos Castanha, de quem sou fã e que há muito não via. Dessa vez foi como Jane Hudson, na peça O Que Terá Acontecido a Baby Jane. Uma montagem simples, quase naïf, que privilegia a performance histriônica dos atores. Dividindo a cena com Castanha estão Lauro Ramalho, como Blanche, e Caio Prates, como a empregada Elvira e o professor de piano, todos sob a batuta do meu amigo Zé Adão Barbosa. Lembro que o Zé já falava em montar essa Baby Jane desde o tempo em que eu ainda morava em Porto Alegre. A peça apresenta um interessante contraste com a sofisticada encenação de Charles Moeller e Claudio Botelho, a que assisti recentemente em São Paulo, com Eva Wilma e Nicete Bruno nos papéis principais... Para coroar minha estada nos pampas teve o show da cantora francesa Zaz no Auditório Araújo Vianna. Eu já havia assistido ao seu show de dois anos atrás, em São Paulo, no Bourbon Street. Um local pequeno, um jazz club, onde tive a chance de estar bem perto do palco. Agora Zaz retorna ao Brasil com um show grande, com projeções e efeitos de luz arrebatadores. E o Araújo Vianna reformado, com cobertura, foi para mim um show à parte, pois há muito não visitava o local. A cereja do bolo foi a participação da minha amiga Valéria Houston, dividindo o palco com Zaz em um brilhante dueto para Ne Me Quitte Pas. Inoubliable... Deixo a cidade já com saudade e fazendo planos para voltar em breve! Au revoir, Porto Alegre!
Nas fotos, Paris no palco do Araújo com Zaz e a boneca de Baby Jane.

terça-feira, 28 de março de 2017

SONHO DE ÍCARO

Ainda estou sob o impacto do espetáculo Ícaro, do meu amigo Luciano Mallmann, a que assisti no último sábado. Saí do teatro em algum estado entre o de choque e o de graça. A peça mexeu muito comigo. Um contundente teatro-depoimento, no qual Luciano expõe sua história e as histórias de pessoas que, como ele, são cadeirantes. Não tenho muito o que dizer sobre esse trabalho, apenas que é belo e cheio de conteúdo. O que, hoje em dia, já não seria pouco. Aliás, bem raro. O personagem narrador nos conduz com delicadeza e sensibilidade pelos meandros da sua condição, mostrando-nos que acima de tudo e apesar de tudo está tudo bem. Mesmo. Luciano sempre foi lindo. E continua lindo sobre rodas, agora maduro e com cabelo e barba grisalhos. É um espetáculo que precisa ser visto por todos, independente da quantidade de movimentos que possam realizar. Aliás, só é preciso sair de casa e ir até o teatro para tal. Não é só literalmente que a gente se movimenta na vida. O próprio ato de viver é um movimento contínuo que ás vezes segue à nossa revelia, ao acaso, deixando-se levar pelo destino. Mas quando decidimos tomar as rédeas da vida e conduzi-la de acordo com a nossa vontade, surgem belos resultados como esse iluminado Ícaro do Luciano. Como o personagem mitológico, ele desejou voar e foi ao chão. Mas tratou de sacudir a poeira e dar a volta por cima. Para a nossa alegria... Desejo que a caminhada desse espetáculo seja longa, que ele tenha múltiplas oportunidades de mostrá-lo, não só em Porto Alegre, mas nos quatro cantos do Brasil. E que a gente sempre possa sair, por uma hora que seja, do nosso mundinho fechado para apreciar esse belo trabalho. Parabéns, meu amigo!