segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

VILA BUTANTAN

Lá se vão vinte anos morando por aqui e São Paulo continua a me surpreender. Dia desses fui conhecer a Vila Butantan e fiquei muito bem impressionado. Eu sei que não é nenhuma novidade, já tem quase um ano ou mais, mas estive fora da cidade por um bom tempo (dez meses no Rio de Janeiro) então muitas coisas recentes ainda são novas para mim. Como o Cinesala, que citei no post anterior. E eu acho ótimo que sempre tenha coisas pra gente descobrir na cidade onde mora, assim ela nunca se torna entediante. Se bem que esse risco São Paulo não corre mesmo... Enfim, vamos à Vila: Uma espécie de shopping center ao ar livre, formado por contêiners, que resulta numa grande praça de alimentação, com muitas áreas abertas e terraços onde a gente pode se esparramar em gigantescos pufs enquanto saboreia drinks ou degusta toda sorte de fast food. A Vila tem restaurantes, food trucks, bares, loja de vinhos (o Los Mendozitos, que antes era carrinho itinerante), lojas de decoração, salão de beleza, de unhas, grafittis, espaço relax com massagens, shows ao ar livre, espaço para eventos e tudo o que você puder imaginar. Como o próprio nome diz, fica no Butantan, quase à beira do Rio Pinheiros, e é uma excelente alternativa para quem está passando por ali na hora do rush: Parar, apreciar o por do sol no terraço, ouvir boa música, ver as luzes da cidade se acendendo enquanto a noite abraça a cidade. Cada dia mais tarde, diga-se de passagem, com o horário de verão. Eu, como bom romântico, fiquei encantado. Depois de comer, subi ao terraço e pedi um drink. Fiquei jogado nos almofadões apreciando o fim de tarde ao som de um jazz que fez o momento pra lá de perfeito... Tudo nessa Vila é de extremo bom gosto e de uma modernidade cheia de frescor. Tive a agradável sensação de estar viajando, num país estrangeiro, numa cidade onde nunca havia estado antes. Isso, essa capacidade que São Paulo tem de ser muitas numa só, é uma das coisas que mais me encantam na cidade. Que bom que ela me acolheu quando aqui cheguei, há vinte anos, com minha mala e minha cuia de chimarrão... Quando, dias depois de ter estado lá, comentei com um amigo que trabalha no Ritz, ele me disse que a Vila é de um dos sócios do restaurante. Explicado, então o bom gosto! Você, que não mora por aqui, quando estiver de passagem pela capital paulista não deixe de visitar esse agradável endereço. E vá de uber ou de táxi, para poder experimentar os drinks!
Nas fotos, dois momentos da Vila que salvei do Google.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

FRIO DEZEMBRO

O mês de dezembro entrou tão cool, com temperaturas amenas e dias nublados. O céu plúmbeo, carregado de cúmulus nimbus, derrama vez por outra fina garoa sobre a Pauliceia. Que mais uma vez faz jus ao famoso codinome... Minha companhia mais constante tem sido as memórias de Antônio Bivar, relatadas aos quatro ventos em seu novo livro. Último mês de um ano difícil, pontuado por tristes perdas, entrou ainda marcado pela dor da morte de muitas pessoas em trágico acidente aéreo. Eu, que recentemente estive junto ao mar, mais precisamente na praia de Camburi, entro com energias revigoradas e uma tímida esperança. Que afinal, diz-se, é a última que morre... Fui com tanta expectativa assistir ao filme Elis que saí um pouco frustrado. Mais pelo que faltou do que pelo que foi mostrado. Ainda assim, muitas críticas ao que foi mostrado. Mas, como não gosto de falar mal, eu reflito e me calo... Bom mesmo foi ter ido conhecer o Cinesala (com muito atraso, eu sei), do eterno craque Raí, e conferir o quente, picante e intenso Elle, de Paul Verhoeven, mais um impecável desempenho de Isabelle Huppert. Eu adoro essa moça e já tive o prazer de apreciar seu talento sur la scène na peça Les Fausses Confidences, de Marivaux, a que assisti em Paris no ano passado. Que mais? Ah, sim! O Ritz fez trinta e cinco anos na Alameda Franca e brindamos à efeméride entre amigos com "bons drink"... No mais, retomo suavemente a academia e continuo fazendo fisioterapia para a bursite do ombro... E vamos em frente que dezembro está só começando e ainda teremos muito o que brindar até o fim do ano... Santé!
Na foto, eu e um cachorro amigo em Camburi.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

NOITE DE AUTÓGRAFOS

Aos Quatro Ventos é o título do novo livro autobiográfico de Antonio Bivar, que teve lançamento ontem, em noite de autógrafos na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Muito já falei aqui no blog da minha admiração por este escritor. Mais do que pelo escritor, pelo conjunto da obra, por Bivar em si como personagem, pelo que ele representa para a cultura pop deste país. E agora, aproveitando o lançamento, quero gritar "aos quatro ventos": Eu amo Bivar! É que ontem, pela primeira vez, tive o privilégio de estar com ele pessoalmente. Foi quando aproveitei para pedir-lhe que autografasse não apenas a obra que estava lançando, mas também meu antigo exemplar de As Três Primeiras Peças. Bivar foi um doce comigo, tiramos uma foto e eu o cumprimentei pelo trabalho, me declarando como fã que sou. Joyce Pascowitch abrilhantava o evento com sua presença, irradiando simpatia. Em seguida chegaram Mario mendes, Vânia Toledo, Edy Star e muitos outros que vieram na sequência, mas que só fiquei sabendo depois, pelas redes sociais. Eu havia comprado o livro pela manhã e já começara a saboreá-lo lentamente como sempre faço com seus livros, para que o prazer da leitura se prolongue ao máximo. E ele começa justamente contando de dois shows históricos que dirigiu: Drama, de Maria Bethânia, e Atrás do Porto Tem Uma Cidade, de Rita Lee & Tutti-Frutti, nome com o qual ele próprio batizou a banda da cantora. Pessoas como Bivar, que tem muitas histórias de vida interessantes para contar, conseguem torná-las ainda mais interessantes quando sabem escrever bem. E esse é totalmente o caso. O narrador-autor Bivar envolve o leitor com tal maestria que é impossível não devorar cada obra sua e ficar à espera da próxima... Já nos primeiros capítulos desse novo livro ele nos transporta para a São Paulo e o Rio de Janeiro do começo dos anos setenta e, através de suas aventuras, nos descortina duas cidades bem mais possíveis, viáveis e efervescentes do que são hoje. Talvez mais permeáveis a uma certa ingenuidade hoje extinta... A Livraria Cultura estava bastante tumultuada pela presença de um enorme número de adolescentes que compareceram a um outro lançamento, simultâneo ao de Bivar, de uma jovem atriz-cantora-youtuber-new-celebrity e entoavam seus hits em alto e bom som. O que fez com que eu me retirasse bem antes do que desejava. O bom é que fui, lépido & fagueiro, "mundo adentro vida afora", brindar ao sucesso de Bivar no Ritz. Com meus dois exemplares de sua obra autografados especialmente para mim...
Nas fotos, a capa do novo livro e Bivar et moi em momento de tietagem explícita.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

PENSAMENTOS À BEIRA MAR

Tenho a vaga impressão de que não vinha para Camburi há mais de um ano. Dommage! Amo tanto esse lugar que, por mim, viria pelo menos quatro vezes por ano. Uma em cada estação... Me dou conta, aos poucos, de que nada mudou. Exceto os preços, evidentemente. Afinal de contas, estamos no Brasil... O mar me encanta e me chama. Junto dele me sinto maior, melhor, conectado com a criação. Deus, na minha opinião, está bem mais ligado ao mar do que ao céu. Seria uma espécie de Netuno ou Posseidon... Dessa vez serão cinco dias de frente para esse elemento que não é o meu, mas que admiro e respeito. Peço licença à Rainha do Mar, Iemanjá... O sorveteiro passa vendendo os incríveis picolés Rochinha. Peço um de milho verde, meu preferido ever. Nos fones de ouvido, ouço as mesmas musicas de sempre: Novos Baianos, Serge Gainsbourg, Ella Fitzgerald, Cole Porter, Corinne Bailey Ray. Olho em volta e vejo pessoas que se distraem com revistas, jogos e toda sorte de brincadeiras. Não necessito de nenhum tipo de passatempo. Pelo contrário, tudo o que menos desejo quando estou junto ao mar é que o tempo passe. Por mim, ele se eternizaria em contemplação... Cachorros simpáticos, vira-latas velhos amigos, se aproximam pedindo atenção. Sentam-se ao meu lado, me cuidam. Brincam uns com os outros... Para completar, claro, uma caipirinha de sakê com lima da Pérsia. E a melhor das sensações me invade: A de que a vida é como deveria ser... Namastê!

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

GATOS & HÁBITOS

Estive lendo um livro interessantíssimo chamado A Gata do Dalai Lama. Esta curiosa obra despertou minha atenção para algumas coisas extremamente relevantes, mas que para as quais normalmente não dou a devida importância. Por exemplo, o momento presente. Vivê-lo intensamente e com total concentração é o mínimo que deveríamos fazer, posto que o presente é tudo o que temos. Só que, invariavelmente, estamos com a cabeça em algum lugar distante, voltada para o dia de amanhã ou, ainda pior, para o passado... Outra coisa para qual me atentei com a leitura: A prioridade de nossa preocupação deveria ser o outro em lugar de nós mesmos. E o que normalmente acontece é ficarmos girando em torno do nosso insignificante umbigo. Ou pior ainda: Adulando o nosso ego. Quanto desperdício! O melhor do livro é que todas essas reflexões são apresentadas do ponto de vista de uma gatinha... Só que não é uma gata qualquer, trata-se da Gata de Sua Santidade, o Dalai Lama. O que só corrobora minha tese de que gatos são seres superiores... Um dos capítulos inicia com a GSS colocando algumas questões para o leitor: "Você é uma criatura de hábitos? Entre as canecas de café da sua cozinha, existe uma favorita, embora qualquer uma delas sirva ao seu propósito? Você desenvolveu rituais pessoais que lhe dão uma sensação tranquilizadora de que a vida é como deveria ser? Se sua resposta a qualquer uma desses perguntas é sim, então, querido leitor, você pode muito bem ter sido um gato em outra vida"... Eu, que sou um amante desses animais, e que desenvolvo hábitos e rotinas constantemente, me identifiquei muito com a leitura. Aprendi muito, também. Difícil está sendo manter essa elevação espiritual toda agora que estou lendo a biografia de Rogéria, que é recheada de passagens mundanas & apimentadas... O que não a faz menos adorável. Assim é a vida: Cheia de altos e baixos, luzes e sombras, alegrias e tristezas, elevações e baixarias. Que chato seria se fosse uma coisa só o tempo todo, não?
Na foto, a adorável gatinha na capa do livro.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA

Terminei a leitura de Rita Lee, Uma Autobiografia, e me sinto completamente abandonado em um deserto árido clamando por uma vida menos ordinária...Foram dois ou três dias de leitura no metrô, na sala de espera da fisioterapia, no ônibus, em casa, na rua, na chuva, na fazenda, aqui, ali, em qualquer lugar. Me apeguei à personagem Rita Lee num grau tão inexplicável que agora sofro de uma melancólica saudade somada a uma crise de abstinência que não tenho ideia de como tratar... Rita é dona de um estilo bastante original e particular e sua escrita envolve ao mesmo tempo que emociona e diverte. Seu senso de humor, já conhecido de todos pelas letras de suas canções, se expande e se multiplica sobre o papel. Ela é, para dizer o mínimo, caleidoscópica. Não se quer parar de ler e, ao mesmo tempo, quer-se poupar a leitura para que o prazer seja prolongado. E a pergunta que mais me faço desde o fim da última página é: Como vou viver sem? Ainda bem que tenho tudo, ou quase tudo dela: DVDs, CDs, LPs, livros. E a trilha sonora principal dos meus dias tem sido sua discografia. Que privilégio ter segredinhos de alcova revelados pela própria e poder conhecer finalmente sua versão de tudo o que já foi dito a seu respeito por aí... Seu amor pelos animais, já tão conhecido por todos, no livro é esmiuçado em detalhes encantadores... Sua infância e juventude, seu amor por São Paulo, pela família, por Hebe Camargo, suas inseguranças, teorias conspiratórias, altos & baixos, tudo adoravelmente descrito. Qual é a moral? Qual vai ser o final dessa história? São coisas da vida e a gente não sabe se vai ou se fica... Ainda por cima, de lambuja, Rita cita minha saudosa amiga Claudia Wonder! Nem luxo nem lixo: Imortal, meu amor... Eu sempre amei Rita Lee, amo e amarei até o fim dos meus dias. E tenho certeza de que ela, enquanto estiver viva e cheia de graça, ainda vai fazer um monte de gente feliz! Corre ler essa obra-prima: Rita Lee, Uma Autobiografia, da Editora Globo. Sua vidinha nunca mais será a mesma...
Na foto, Rita em si com sua flauta transversa.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

IZAKAYA

Dia desses fui ao Issa para comer takoyaki, o bolinho de polvo que tanto adoro. Eu havia descoberto esse simpático izakaya anos atrás quando fui ao teatro escola Celia Helena, no bairro da Liberdade, para assistir ao espetáculo de formatura de um amigo e, ao procurar um lugar para comer algo e tomar um drink enquanto esperava, encontrei essa maravilha escondida na Rua Barão de Iguape. Na ocasião eu nem sabia que o Issa era um izakaya, nem tampouco o que isso significava. Passaram-se os anos, os izakayas viraram uma tendência na cidade, e, no próprio Issa, acabo por comprar um livro interessantíssimo que me foi oferecido pela proprietária, Dona Margarida: Izakaya - Por Dentro dos Botecos Japoneses, de Jo Takahashi, com fotografias de Tatewaki Nio e ilustrações de Mika Takahashi. Agora estou me sentindo super por dentro do assunto e a cada semana descubro um izakaya ainda mais encantador do que o outro. Vamos à definição: Izakayas são uma mistura de boteco com pub, bar e bistrô. Originalmente eram locais que vendiam o sakê para ser levado para casa. Mas, evidentemente, as pessoas gostavam de experimentar o sakê antes de levá-lo e para isso os comerciantes passaram a servir pequenas porções de aperitivos para acompanhar a degustação da bebida. Dá para imaginar o que veio na sequência... Hoje eles são gastrobares de poucos lugares, cardápio pequeno e com uma variedade de bebidas. Os pratos estão mais para porções, espécie de tapas japoneses que a gente nunca se conforma em comer só um ou dois, acaba experimentando vários... E, consequentemente, bebendo vários sakês. Aí, quando vem a conta, já viu... Além do Issa, eu já conhecia o moderno Minato Izakaya, em Pinheiros. E agora estou experimentando aos poucos os outros locais que o livro apresenta. Essa semana estive no Kidoairaku, um dos mais antigos da Liberdade. Parece uma casa de vó, meio bagunçada, mas a comida é realmente maravilhosa. Bagunçada e acumuladora, tal a quantidade de objetos espalhados pelo local. Fui atendido pelo Erik, filho do dono, que me contou curiosidades e me deu dicas do que pedir. Sim, porque o cardápio, colado na parede, é todo escrito em japonês... Ainda tenho muito o que desbravar nesse setor dos izakayas. Mas o livro é realmente interessante, além de belíssimamente ilustrado e fotografado. Vale a pena.
Nas fotos, a capa do livro, Dona Margarida posa para mim e o cardápio na parede do Kidoairaku.