sexta-feira, 22 de agosto de 2014

NOVELA DE RÁDIO

Semana passada assisti à pré-estreia do excelente Caros Ouvintes, espetáculo escrito e dirigido por Otávio Martins, no qual minha amiga Agnes Zuliani dá um show de interpretação. O elenco é bastante afinado, todos estão muito bem em cena. Mas Agnes e Eduardo Semerjian cumprem a terefa com dose extra de competência, compondo seus personagens com tal riqueza de detalhes que lhes conferem, mais do que brilho, humanidade. Desde então fiquei com esse tema na cabeça: O rádio. A era do rádio. E, claro, as novelas de rádio. Fiquei tentando lembrar do filme de Woody Allen, no qual Denise Dummond interpretava Carmen Miranda. Lembrei também da excelente biografia da Pequena Notável escrita por Ruy Castro. A memória, quando acionada, traz à tona coisas nas quais nunca mais havíamos pensado, é impressionante. Por exemplo, o espetáculo Certo Dia Numa Estação de Rádio, a que assisti em Porto Alegre nos anos oitenta, com Dilmar Messias e a saudosa Claudia Meneghetti. E o espetáculo que dirigi também na capital gaúcha, chamado Beija-me a Bouca, Amor! Nele os atores Zé Adão Barbosa e Pilly Calvin interpretavam uma novela de rádio ao vivo no palco... Minha infância foi bastante marcada pelo rádio. Já contei aqui no blog que não dormia sem ouvir o Clube dos Namorados, da Rádio Farroupilha, no meu rádio portátil da Luluzinha... Mas o que mais me veio à lembrança nesses últimos dias foi uma novela de rádio. Eu fui criança nos anos setenta e, por incrível que pareça, na pequena Soledade onde eu vivia, no interior do Rio Grande do Sul, ainda cheguei a acompanhar uma novela de rádio com minha mãe. Naquele ano, acho que 1971, as minhas aulas eram à tarde e todas as manhãs, um pouco antes do almoço, por volta das onze e meia, sintonizávamos a Radio Cristal de Soledade para acompanhar nossa novela: O Egípcio. Que, se não me engano, era de autoria de Ivani Ribeiro. Enquanto minha mãe preparava o almoço eu roía as unhas com o ouvido colado no rádio acompanhando as aventuras da mocinha Mineia e seu galã Radamés, sempre tentando se livrar das maldades do vilão Marduk. Lembro do medo que sentia do terrível labirinto do Minotauro, onde o vilão prendia suas vítimas. Nunca esqueci que no dia do último capítulo, um sábado, eu tinha aula das dez da manhã até o meio dia e minha mãe me deixou faltar à aula para não perder o desfecho da trama! Dá para entender porque me transformei num compulsivo noveleiro... Mas então é isso: Não percam Caros Ouvintes, em cartaz no Grande Auditório do MASP até dezembro. É uma bela homenagem àquele tempo glorioso. Na foto, Agnes Zuliani na pele da enfezada Dona Ermelinda Penteado.

11 comentários:

  1. Endosso tudo sobre a peça, com louvor! A radionovela "O egípcio" era mesmo da Ivani, uma história cheia de bruxarias nos tempos dos faraós, contando inclusive com a passagem de Moisés. Radamés e Minéia eram o casal central da trama.Marduque era o bruxo.Foi um grande sucesso.Entre os intérpretes estavam Ézio Ramos, Elaine Cristina e Aldo César. Bjs

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  2. Me sinto absurdamente homenageada! Que coisa de louco meu amigo/irmão. Sua memória é demais. Eu me lembro de muitas coisas, mas nada comparada a você. Fico feliz por ver que gostou de Caros Ouvintes. Quem sabe a gente consegue uma boa temporada. Quanto a você, não vejo a hora de vê-lo esbanjando esse seu talento de ator/cantor/ dançarino/MC e agora escritor. Que seja breve para todos nós. Aproveito para dizer ao Farielo que ele também tem uma memória do outro mundo (quase literal, já que tantos já se foram!) Adoro vocês e agradeço!

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  3. Que figuras, Roberto e Farielo... Não acompanhei novelas de rádio por falta de oportunidade. Quando tive a oportunidade de ler esse texto também fiquei nostálgico, e já sabia que a Agnes iria arrasar.
    Bjo a todos.

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  4. Amados, o conhecimento do Robertinho se dá in loco, a pessoa viveu esses tempos. Eu sou fruto da pesquisa no Google, rs! Beijos a todos e Odilon, saudades! ;)

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  5. Que saudades, ouvi a novela O Egipcio inteira pela Radio Vanguarda de Sorocaba.Nos anos 60-70

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  6. Parabéns pelo belo trabalho que nos é oferecido, só salientando que foi graças á novela "O egipcio" que por volta de 1971 ou 72 colocaram Marduque o nome do nosso bairro, que oficialmente chama-se Mascarenhas de Moraes - Uruguaiana-RS, abrç - na época tinha 6 anos.

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  7. O rádio era meu maior passatempo, asisti essa novela com minha mãe, ficávamos grudada no rádio, esses momentos são inesquecíveis o talento de ivanir Ribeiro. A era do rádio minha grande saudade.

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  8. O rádio era meu maior passatempo, asisti essa novela com minha mãe, ficávamos grudada no rádio, esses momentos são inesquecíveis o talento de ivanir Ribeiro. A era do rádio minha grande saudade.

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  9. Aqui em Canoinhas - SC, também ouvíamos a radionovela "O Egipcio", a qual fez muito sucesso no início dos anos 70.Lembro-me do Radamés, da Menéia, e do bruxo Marduke.Deixou saudades.

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  10. eu recebi meu nome Minéia em homenagem essa radionovela que minha mãe ouvia....na infância odiava meu nome por ser diferente....mas com o passar do tempo acabei adorando ter um nome diferente...sempre falo para meus alunos a origem do meu nome, eles acham fora da realidade ouvir novela...mas relato que na minha época de criança era a
    melhor diversão. pois usava muito a imaginação...era algo maravilhoso

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