terça-feira, 31 de março de 2026

MANHÃ DE OUTONO

Andar de ônibus sem pagar a passagem tem me dado uma agradável sensação de pertencimento. Melhor ainda, de merecimento. Finalmente fiz meu bilhete único de idoso. É como se depois de um longo período de investimento eu estivesse finalmente colhendo os juros de uma aplicação rsrs. Mais ou menos como uma planta que depois de um longo e rigoroso inverno finalmente desabrocha em magnífica florada… É claro que o outono, com sua luz dourada, torna tudo mais vibrante ao olhar. Da janela do coletivo a cidade adquire cores nunca dantes vislumbradas. Minha idade já avançada, com certeza, também contribui para esse estado de plenitude e gratidão que me invade em plena manhã. Meu aniversário que se aproxima me deixa mais receptivo e atento a tudo ao meu redor. Logo mais, no dia 25 de abril, irei completar sessenta e três outonos de vida e as folhas mortas vermelhas e douradas começarão a cair como na velha canção: C’est une chanson que nous ressemble, toi tu m’aimais et je t’aimais… Meu ponto se aproxima e me preparo para descer do ônibus. A Avenida Paulista me parecia bem maior antigamente. Agora eu a percorro tão rapidamente que mal cabe nela o meu devaneio de senhor de meia idade. O outono da vida tem o sabor das memórias guardadas. Como folhas secas entre as páginas de um livro. Basta abri-lo e elas voltam a cair… Na foto, feita por Guto de Castro, eu em um outono no Parque da Redenção, em Porto Alegre.

Um comentário:

  1. Feliz Outono!
    Tens sorte de já desfilar pela cidade gratuitamente. Aqui em SSA só depois dos 65.

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