domingo, 22 de março de 2026
30 ANOS EM SP
Hoje faz trinta anos que me mudei para São Paulo de mala e cuia e aqui amarrei o meu pingo… O dia 22 de março de 1996 caiu numa sexta-feira. Cheguei em São Paulo pela manhã e fui direto para o apartamento da minha amiga Nora Prado, na Avenida Rebouças, que me recebeu com o carinho e a afetividade que normalmente ela costuma dedicar aos amigos. No dia seguinte, também pela manhã, fui até a Moóca me apresentar ao diretor Oswaldo Gabrieli para começar a trabalhar no seu grupo de teatro, o XPTO. Oswaldo me mostrou o galpão onde se realizavam os ensaios, me deu uma cópia do texto para ler e me pediu que voltasse na segunda-feira de manhã para começar a ensaiar com o elenco. Já contei inúmeras vezes aqui no blog - mas não custa lembrar- que quem me conseguiu esse trabalho foi minha amiga Lúcia Serpa, que já estava morando aqui e também integrava o elenco. Lúcia sabia que eu estava louco para me mudar para São Paulo e assim que abriu uma vaga no grupo me indicou para o diretor. O espetáculo que estava sendo ensaiado pelo XPTO era O Pequeno Mago e o Pavão Dourado, que tinha no elenco ninguém menos do que uma outra amiga minha, Grace Gianoukas. E naquele fim de semana de março de 1996, teve início uma longa história que se estende até os dias de hoje: Minha vida em São Paulo… Não posso ser falso a ponto de dizer que é a cidade onde eu mais gostaria de morar no mundo (quem me conhece sabe que esta seria Paris). Mas posso dizer sem hesitar que é a cidade onde eu sempre quis morar aqui no Brasil. Com tudo o que ela tem de bom e de ruim. Amo a pluralidade de São Paulo. Seus contrastes. Seu caleidoscópio de sotaques e etnias. Sua esquizofrenia. Sua ansiedade, sua bipolaridade, seu TDAH… Os apressados ou distraídos, que pensam que ela é feia, precisam ir ao Terraço Italia numa noite enluarada; ou subir no mirante do Sesc Paulista; ou tomar um drink na sacada do Blue Note, debruçada sobre a Paulista; ou, pelo menos, apreciar um entardecer na Praça do Por do Sol; e quanto aos que dizem que não existe amor em SP, esses moços (pobres moços), ah se soubessem o que eu sei… Que bom que essa metrópole me acolheu, como faz normalmente com todos os que a procuram. E hoje comemoro meus trinta anos de habitante da cidade. Quem, como eu, vem de outro sonho feliz de cidade, aprende depressa a chamar-te de realidade... Mal posso esperar para me ver bem velhinho respirando monóxido de carbono e reclamando do trânsito; mas enquanto eu puder ir sozinho e a pé até o Ritz (moro a uma centena de passos de lá), me sentar no balcão e tomar o meu Manhattan, estará tudo bem. Aliás, essa é uma boa ideia para a minha comemoração de trinta anos logo mais, na happy hour… Com a graça de Santa Rita de Sampa!
Nas fotos, eu com minhas amigas Nora Prado e Lucia Serpa na festa de estreia de O Pequeno Mago no Teatro Popular do Sesi.
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