segunda-feira, 13 de abril de 2015

ELIS EM TRÊS SHOWS

Muito já falei aqui no blog do quanto sempre fui fã de Elis Regina. Pois apesar de ser seu grande fã, só tive a oportunidade de assistir a três shows da Pimentinha. O primeiro deles foi Elis, Essa Mulher. Estávamos no ano de 1979 e eu tinha apenas dezesseis aninhos. O show aconteceu no histórico e saudoso Teatro Leopoldina, em Porto Alegre, cidade onde eu vivia na ocasião. Eu adorava o álbum Transversal do Tempo, o primeiro LP de Elis que conheci. Quando chegaram à cidade os cartazes e todo o material de divulgação de Essa Mulher, eu achei que ela tivesse encaretado, pois aparecia como uma finíssima dama de sociedade, os longos cabelos adornados por uma orquídea. Eu vivia minha fase bicho-grilo, cabelo comprido, alpargatas e um bornal de lona à tiracolo. Lembro até hoje da minha surpresa assim que vi Elis entrar em cena: Ela era uma louca! Alegre, serelepe e em nada correspondia à sofisticada dama do cartaz. Cartaz que guardo até hoje enquadrado na parede da minha casa. Ela usava uma espécie de macacão, ou conjunto de calça e blusa e, nos pés, um anabela de salto altíssimo todo dividido em camadas coloridas. O mesmo que apareceu nas fotos do encarte de seu último LP de estúdio, Elis, de 1980. Nesse maravilhoso espetáculo ela me levou do riso às lágrimas. Cheio de coragem, fui até o camarim e depois de longa espera Elis recebeu a mim e à uma senhora que pacientemente esperava ao meu lado. Trocamos algumas palavras, falei de uma colega minha que era filha de um antigo amigo seu, jogador do Grêmio. Ela foi uma fofa e me deu um autógrafo que guardo até hoje como um dos meus tesouros afetivos. Eu vivia no Teatro Leopoldina, ia a quase todos os shows que por lá passavam e invariavelmente os fotografava. Mas, por um inexplicável lapso de memória, não consigo lembrar por que cargas d'água eu estava sem minha câmera logo nesse show tão especial para mim. O que ficou foi somente o autógrafo, escrito em um livrinho de cordel que ganhei no show de Zé Ramalho, o único papel que eu tinha na bolsa... O segundo show de Elis a que assisti foi Saudade do Brasil, em 1980, no Canecão, no Rio de Janeiro. Fui passar o feriado de Páscoa na Cidade Maravilhosa, pois minha irmã Raquél estava morando lá. Mais do que apenas um show, Saudade do Brasil era uma espécie de musical, com um grande elenco de atores bailarinos acompanhando Elis em cena, sob a batuta de Marika Gidali. Fiquei bastante impressionado e o guardo até hoje na lembrança como o melhor show de música a que jamais assisti. Dessa vez estava com minha Olimpus Trip 35 e fui até a beira do palco para fotografá-la. Consegui fazer apenas duas fotos antes de um segurança chegar e me advertir para parar sob pena de me confiscar a câmera. Vinte e cinco anos depois, já no auge do sucesso da Terça Insana, fui me apresentar no mesmo palco do Canecão onde vi Elis cantar e foi com muita emoção que me sentei no canto do palco onde ela sentava para cantar Canção da América... O terceiro e último show foi Trem Azul, justamente o derradeiro show da Pimentinha. Esse eu assisti em Porto Alegre, no Ginásio Gigantinho. Muito grande e inadequado para a apresentação, o ginásio prejudicou bastante o show, que, mesmo assim, foi inesquecível. Elis, vestida com tirador, boleadeira e botas, como uma gaúcha tradicional, deitava e rolava rindo, tirando sarro da televisão e arrasando nas performances de Se Eu Quiser Falar Com Deus e Flora, ambas de Gilberto Gil. Também não pude fotografar devido à distância que meu lugar na arquibancada ficava do palco. Poucos meses depois dessa apresentação Elis nos deixaria. Mas seus três shows ficaram na minha memória para sempre. Acho que já contei todas essas histórias aqui no blog. Mas a leitura de Nada Será Como Antes, de Julio Maria, me trouxe todas essas lembranças de volta e senti enorme vontade de compartilhar.
Nas fotos, o autógrafo que ganhei no show Essa Mulher e as duas fotos de Saudade do Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário