quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

BOY MAGIA

Bruno é um jovem rapaz morador dos Jardins, em São Paulo. É uma espécie de unanimidade estética para cada nove entre dez mulheres e gays. Grupo esse último no qual se inclui. Ele é o que atualmente se chama de Boy Magia. O correspondente contemporâneo do antigo Deus Grego. Ou o que na Porto Alegre dos anos noventa chamávamos de Lazanha. Mal completou trinta anos e já tem um alto cargo em uma empresa multinacional. Apartamento próprio, de cobertura, onde mora com o atual namorado, o Felipe. Bruno e Felipe são o casal mais desejado e invejado pelas bibas da cidade. Não seria exagero dizer do Brasil, visto que circulam nas festas do sul ao norte. Bruno frequenta a academia todos os dias. Domingos inclusive. Ele não malha, tá? Ele treina. Anota aí: Boy Magia treina. Toma suplementos, proteínas, creatinas, vitaminas e Jack 3D. Já bombou, não bomba mais. Segue uma dieta especialmente preparada pelo seu nutricionista, o Marcos. E rigorosamente controlada pelo seu personal trainer, o Wlad. Além de treinar na academia ele anda de skate, de bike, de roller, nada, faz stand up paddle e slackline. O instagram do Bruno já tem mais de 100 k seguidores. Ele posta selfies diários feitos no espelho do vestiário da academia, no banheiro de casa, no quarto, na sala, no terraço, no elevador, nos hotéis onde se hospeda, na balada, nos restaurantes, nos cinemas, teatros, galerias de arte, museus e shows que frequenta. Seria perfeitamente definido como um abdocentrado. Que é uma derivação do que conhecemos como autocentrado, só que mais voltado para a exibição do próprio abdômen nas redes sociais. Sem camisa, evidentemente. E não tá nem aí para o que as pintosas, as invejosas e as cacuras pensam. É o genro que todas as mães de todas as suas amigas quereriam ter se ele fosse hetero. Seu único defeito, na opinião delas, é justamente esse: Não ser heterossexual. O que fazer, não se pode agradar a gregos e troianos. Quer dizer, pensando bem, o Bruno pode... Na foto, Narciso, obra do artista G Comini.

2 comentários:

  1. Mas e onde que a gente ve o abdômen alheio? Não vi, não conheço e já tou com inveja. Me mostra, plis.

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  2. O instagram está cheio deles, Sergio! Vc pode baixar no iphone ou no ipad.

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