quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

BALANÇO DO ANO

Tentando rever o ano de 2025, num esforço de memória ajudado pelos stories do Instagram, consigo lembrar de vários fatos interessantes e destacá-los aleatoriamente, sem seguir exatamente a cronologia em que aconteceram. Logo no começo do ano teve o carnaval em que saí no bloco de rua Somos Todos Carmen, que homenageia a nossa eterna Pequena Notável, fantasiado de Gal Tropical. Superei limites, venci barreiras, mandei minha timidez às favas e só não me diverti mais por conta da sandália de salto que acabou com meus pés. Mas ficou a lição: Em uma próxima saída de bloco pensarei numa fantasia com tênis… Em maio teve a comemoração dos setenta anos da minha irmã Raquél. Revi minha cidade Natal, Soledade, e comemoramos a efeméride, os quatro irmãos reunidos, Ra, Re Ri e Ro, na simpática e encantadora cidade de Ametista do Sul, que tive o prazer de conhecer. Deixei minha claustrofobia de lado e me aventurei em minas, restaurantes e museus subterrâneos… Voltei ao Rio de Janeiro, que não visitava desde 2017, para assistir à estreia do espetáculo A Baleia, do meu querido diretor Luís Artur Nunes. Foi muito bom rever a Cidade Maravilhosa, redescobrir Copacabana e seus bistrôs. E acreditem: Fazia frio no Rio… Inesquecível foi também o show de Aloki no Pacaembú, que meu companheiro Weidy participou fazendo o casting de cinquenta bailarinos que formavam um painel humano em referência ao título da turnê Keep Art Human. Assisti do camarote VIP, com open bar, e nem me lembro quantos uísques tomei rsrs; com direito a passar pelo backstage e tirar foto com o popstar… Vi titãs do teatro brasileiro em cena, do alto de suas longevidades, como Othon Bastos e Nathália Timberg; conheci a pequena Santana de Parnaíba, aqui pertinho de São Paulo; minha irmã Rita, que mora nos Estados Unidos, veio me visitar em São Paulo depois de dez anos que não nos víamos; revi Andy Warhol na incrível exposição da Faap; e Cazuza, mais exagerado do que nunca, na belíssima exposição do Shopping Leblon, no Rio; o prêmio I Love Prio do Humor, de Fabio Porchat, homenageou a Terça Insana e meu personagem Betina Botox... O caleidoscópio de memórias segue girando na minha cabeça mas, para o post não ficar interminável, encerro com a minha volta aos palcos gaúchos com a temporada do meu solo Caio em Revista em Porto Alegre, no adorável teatro Estúdio Stravaganza, no mês de novembro. Revi muitos amigos , familiares, pessoas importantíssimas na minha trajetória artística que também não encontrava há muitos anos e de lambuja comemorei meus quarenta anos de teatro. Voltei recarregado e com a agradabilíssima sensação de que o ano valeu a pena. Nada mal, não é? Resumindo, 2025 foi um ano de superações, reencontros e redescobertas. Bem do jeitinho que eu gosto. Feliz Ano Novo a todos! Nas fotos, Gal Tropical homenageia Carmen Miranda, os icônicos óculos de Betina Botox e um dos meus emocionados agradecimentos à plateia após o espetáculo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

PARAÍSO ON DEMAND

Já disse mais de mil vezes aqui no blog que Ilhabela é um paraíso a poucas horas de São Paulo. Agora atualizo para paraíso on demand, já que tudo hoje em dia está ao alcance de um clic via pix… (Até a fila da balsa pode ser evitada por um agendamento digital). Continuo amando a ilha em si e tudo o que nela está contido. Praias, cachoeiras, igrejas, capelas, ruazinhas, casarios, palmeiras, flores e vistas de tirar o fôlego. Tenho me sentido velho para algumas demandas que antes tirava de letra. Como a escada que leva até a casa que alugamos no alto do morro em frente à Praia do Curral. Agora ela parece não ter mais fim para mim. E a trilha que fizemos hoje para conhecer a cachoeira do Veloso, que me deu a sensação de já estar indo para o céu ao encontro de Deus Pai, tamanha a duração da subida morro acima... Por outro lado, redescubro pequenas belezas a poucos passos de onde estou como a capelinha que fica entre as praias do Curral e Veloso, que já visitara na primeira vez que estive aqui e hoje reencontrei com a alegria de quem recebe um presente de Natal. Aproveitei para rezar, agradecer - sempre - e pedir por mim e por todos os que amo… Deus permita que eu sempre possa voltar a esse lugar encantado e redescobri-lo com mais e mais encantos e alegrias. E, de preferência, com menos escadas e montanhas a escalar… Nosso Natal está sendo único e renovador. Tenho sido tomado por ondas de amor desde que fui a Porto Alegre em novembro fazer meu espetáculo Caio em Revista. Essas ondas me pegam e me fazem retransmiti-las a todos à minha volta. Acho válido e digno, ainda mais nesse momento em que todos parecem querer somente discordar, boicotar, polemizar e cancelar uns aos outros. Do alto da minha felicidade isentona, de cima do meu muro lindo com vista para o mar (eu sou tão inseguro porque o muro é muito alto) desejo a todos os que me leem, me seguem, me curtem, me adoram, me desejam - aloka - um felicíssimo Natal, um Ano Novo maravilhoso de fato, o fim das picuinhas e discordâncias e a maravilhosa e inacreditável união entre os povos. (E pra dar o salto me amarro na torre no alto da montanha) Para haver amor entre os homens! Como sou ingênuo e poliana, devem estar pensando - com razão - os que chegaram até aqui. Mas não é exatamente disso que estamos precisando? (Amarradão na torre dá pra ir pro mundo inteiro, e onde quer que eu vá no mundo eu vejo aminha torre) Fica a dica... Entre parêntesis citações de Sandra, canção de Gilberto Gil. Na foto, a capelinha da Praia do Veloso.

sábado, 20 de dezembro de 2025

VIVA MEU BLOG

A loucura e o corre-corre habituais de dezembro, somados aos preparativos para o Natal que iremos passar em Ilhabela, me fizeram esquecer completamente que meu blog fez aniversário ontem, dia 19 de dezembro. Já são dezesseis anos que me dedico a alimentar esse canal com ideias, dicas, opiniões, comentários, humor, viagens, literatura, teatro, cinema, shows, exposições, enfim, uma variedade de assuntos que busco compartilhar com meus queridos seguidores, amigos, fãs, leitores, admiradores em geral. O prazer que essa atividade me proporciona suplanta qualquer possível frustração que tivesse sido gerada pelo fato de o blog não ter se tornado um viral, não ter "monetizado" ou eu não ter me tornado um "influenciador digital", coisa que abomino rsrs. Isso tudo sem falar na estreia da quinta temporada de Emily in Paris na Netflix, que me pegou em meio a uma crise de abstinência, tanto da série em si quanto da cidade, que não visito há exatos dez anos. São dez episódios de mais ou menos trinta minutos (curtíssimos!), sendo que só a partir do quinto ela finalmente volta para a Paris do título! Os quatro primeiros se passam em Roma... Mas esse post é uma homenagem - ainda que tardia - ao aniversário do meu blog. Dezesseis anos! Nossas bodas de turmalina ou safira. Adoro pedras preciosas e semi-preciosas, posto que sou um Soledadense, nativo da capital dessas gemas no estado do Rio Grande do Sul... Peço aos admiradores da minha escrita e, sobretudo, do meu "conteúdo" que não me abandonem, não desistam de me ler, comentar e seguir, para que eu possa ter sempre o prazer de brindá-los com tudo o que vejo, sinto, penso ou descubro nas minhas incansáveis e intermináveis buscas pela beleza da vida e das artes. Desejo um Natal e um fim de ano repletos de amor, saúde, prosperidade e afetos para todos. Um grande abraço desse seu Roberto Camargo. Na foto, minha gatinha Lina vestida para o Natal.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

DEZEMBRE-SE

Ainda não havia saudado a chegada do mês de dezembro, de tão inebriado que ainda estou pelos dias felizes que vivi em Porto Alegre. Então vamos lá: Bem-vindo, mês de dezembro! Esse que tem sido um dos meus meses preferidos do ano, só perdendo para abril, evidentemente, que é o mês do meu aniversário. Em dezembro a gente finalmente percebe que o que tinha de acontecer no ano já aconteceu. Ou não. E se não aconteceu é porque não era o caso. É também quando se faz um balanço do ano. Para mim, o saldo desse balanço é invariavelmente positivo, posto que sou uma pessoa otimista, que foca no que deu certo. Dezembro marca também o início do verão, essa que já foi em outros tempos minha estação preferida. Agora sou mais dado a meios termos, como outonos e primaveras... Gosto mais de mim em dezembro, acho que me torno uma pessoa melhor. Ao olhar para trás analisando o ano que termina percebo que cresci em diversos aspectos. E que ainda tenho muito para crescer e aprender, malgrado o fim que se aproxima. Hoje pela manhã na academia, ao cumprimentar um colega que não via há semanas, eu disse: Que bom que chegamos até aqui! Ao que ele respondeu: Um ano a menos, agora não é mais um ano a mais... Fiquei pensando sobre o que ouvi e respondi em seguida: Se a gente for pensar assim, é um ano a menos desde que nascemos... Meu otimismo ainda me surpreende rsrs... É claro que quem, como eu, já passou dos sessenta, não tem mais a vida inteira pela frente. Mas ainda tem um bom bocado! Eu sigo vivendo um dia de cada vez. E toda manhã, ao acordar, agradeço a Deus por estar vivo, por viver mais um dia com saúde e feliz. Se for o último, paciência. Não há muito que se possa fazer quanto a isso... Voltando ao mês de dezembro, sempre me dedico a fazer certas coisas em casa nessa época do ano. Como limpar a cristaleira que herdei da minha mãe, assim como todos os copos, taças e objetos que ela abriga no seu interior. É todo um ritual: Coloco uma música para tocar, tiro tudo de dentro, limpo as prateleiras e os vidros, lavo tudo e recoloco tudo de volta no seu devido lugar. É claro que a cada ano os lugares das coisas mudam rsrs. Mas a gente também não muda a cada ano que passa? Enquanto faço isso vou lembrando dos dezembros da minha infância, quando eu entrava de férias e passava a frequentar a piscina do clube; quando meu pai mandava pintar a casa; quando nossa vizinha Doroty, que era professora de artes, vinha pintar motivos natalinos com tinta guache no vidro da porta da nossa casa; e quando toda a minha rua, a principal da cidade, era ornamentada com luzinhas coloridas que ziguezagueavam da entrada da cidade até a Vila Ipiranga... Tenho quase certeza de que já contei tudo isso aqui no blog. O que não deixa de ser também mais um ritual de dezembro. Agora que estou encerrando o post me dou conta de que hoje é o dia de Nossa Senhora da Conceição, dia que minha mãe montava a árvore de Natal. Ou o pinheirinho, como dizíamos no sul. E para terminar citando Caio Fernando Abreu, "olhando essas antigas fotografias me dou conta de que a árvore não era dessas de plástico de hoje em dia, mas de pinheiro autêntico"... Desejo um excelente mês de dezembro a todos! Na foto, Caio Fernando Abreu e seu irmão, que ilustra o texto Torturas de Natal, da Revista AZ, que faz parte do meu solo Caio em Revista.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

40 ANOS BLUES

Estou no aeroporto de Porto Alegre esperando para embarcar no voo que me levará de volta a São Paulo. Os dias que passei aqui foram plenos, iluminados, cheios de emoção e de reencontros há muito esperados. Voltar a me apresentar na cidade com um espetáculo meu, cumprir uma temporada - ainda que curta - em cartaz, fechou um ciclo de quarenta anos desde a minha estreia profissional no teatro que foi justamente aqui, na Porto Alegre da minha juventude. Comemorar esses quarenta anos de teatro junto a todos que estiveram comigo nessa caminhada, nos mais diversos elencos, colegas, professores e diretores, meus familiares que sempre me apoiaram, minha irmã Raquél que me recebe em sua casa, minha amiga Adriane Mottola que me abriu as portas do seu encantador teatro Estúdio Stravaganza (temo agradecimentos mais específicos porque sempre me fazem correr o risco de deixar alguém de fora, traído que já começo a ser por minha memória de idoso) é algo imensurável e que não tem preço. Para completar, a cidade se fez bela, luminosa, com dias ensolarados e noites frescas, o parque da Redenção verde e florido, uma primavera na medida para quem, como eu, há muito tempo não a desfrutava por tantos dias seguidos (foram vinte dias no total). O avião ainda nem decolou e já estou morrendo de saudades e de vontade de voltar… Para terminar citando Beckett, oh dias felizes! Na foto, eu totalmente em êxtase após a estreia de Caio em Revista em Porto Alegre.

domingo, 23 de novembro de 2025

CAIO IN POA

Escrevo ainda sob o impacto da estreia de Caio em Revista aqui em Porto Alegre. Trazer esse espetáculo para a capital gaúcha me enche de alegria por vários motivos. Dentre eles, mostrar para os admiradores do Caio romancista e contista que ele se permitia ser leve e bem humorado quando se dedicava às crônicas de revistas. Os que tiveram, como eu, a sorte de privar da sua companhia e amizade, sabem que ele era uma pessoa divertida e agradabilíssima na convivência com os amigos. Isso eu consegui com este espetáculo. Me lancei em "longa e minuciosa pesquisa" - para citar seu alterego feminino Nadja de Lemos - na qual folheei incansáveis exemplares das revistas AZ e Aroud, de Joyce Pascowitch, para as quais ele colaborou com a inspiração e genialidade que lhe eram peculiares. Depois de muitas crises de rinite consegui reunir esse precioso material com o qual agora presenteio o público gaúcho nessa comemoração dos meus quarenta anos de teatro. O impacto a que me referi no começo do post nada mais é do que a incontida emoção que me inundou na noite da estreia, quando tive o privilégio de ser assistido e aplaudido por amigos queridos, colegas, professores e familiares. Abraçar pessoas que não via há muitos anos me encheu de felicidade. Andava carente desse contato, desse afeto que transborda de maneira sincera e natural. Hoje está fazendo um atípico domingo de primavera cinza, com ventos fortes que fazem assobiar as janelas. Estive pela manhã passeando com minha irmã Raquél pela praia de Ipanema, na zona sul de Porto Alegre, e os tons plúmbeos da paisagem me remeteram a terras distantes, memórias de outros tempos e situações. Logo mais, às dezoito horas, farei a última apresentação desse primeiro fim de semana da temporada. E, na semana que vem, faremos mais três apresentações na sexta, no sábado e no domingo. Espero rever ainda muitos amigos e conhecer novos gaúchos antes de voltar à Pauliceia. Vocês já sabem, mas não custa relembrar: Caio em Revista, meu espetáculo solo que tem direção de Luis Artur Nunes, está em cartaz no Estúdio Stravaganza, sexta e sábado às 20 horas e domingo às dezoito. Os ingressos estão à venda no Sympla e no local. Na foto, eu e o cartaz de Caio em Revista na frente do Estúdio Stravaganza.

domingo, 16 de novembro de 2025

GAY PORT

O escritor gaúcho Caio Fernando Abreu costumava se referir carinhosamente à sua querida Porto Alegre com essa alcunha: Gay Port. Gay não apenas no sentido alfabético-militante (lgbt etc.), mas também no literal, de alegre mesmo. É assim que tenho percebido a cidade desde que aqui aportei: Alegre, intensa, florida, plural e colorida. Inclusiva, inclusive. Vim para a estreia (no próximo dia 21) de meu espetáculo solo Caio em Revista, com o qual comemorarei meus quarenta anos de carreira no teatro. Adoro a cidade nesta época do ano. Jacarandás em flor pintam e bordam de roxo suas ruas. A Feira do Livro agita a Praça da Alfândega e arredores. Tive o prazer de estar presente em dois lançamentos de livros dedicados à memória do teatro gaúcho: Por Uma Crítica Expandida da Cena, de Airton Tomazzoni, e Grupo de Teatro Província - Memórias, do meu amado diretor e amigo Luis Artur Nunes. As sessões de autógrafos na praça são precedidas de uma pequena explanação dos autores sobre as obras nas dependências do Clube do Comércio, belíssimo exemplar do estilo art-déco que se debruça sobre a Praça da Alfândega e seus jacarandás. Uma pena que esse tesouro não esteja adequadamente preservado... Revi amigos queridos que há muito não encontrava e colegas de profissão que há séculos eu não via. Tenho aproveitado as manhãs para caminhar no Parque da Redenção, lugar intimamente ligado às minhas memórias da juventude. Na semana que vem começo a ensaiar minha peça no teatro, o Estudio Stravaganza, da minha amiga Adriane Mottola, que "importou" de São Paulo o meu espetáculo para finalmente mostrá-lo aos gaúchos. Nem preciso dizer o quanto estou feliz & animado com esta curta temporada que me traz de volta aos palcos gaúchos depois de seis anos sem me apresentar por aqui. Aqui onde tudo começou. Aqui para onde sempre volto. Que esse porto seja para sempre alegre! Em todos os sentidos... Nas fotos, alameda de palmeiras no Parque da Redenção e o art-déco da entrada do Clube do Comércio.