quarta-feira, 6 de maio de 2026
LÍNGUA PORTUGUESA
Ontem, dia 05 de maio, foi o Dia Mundial da Língua Portuguesa. No intuito de homenageá-la, dei uma rápida busca no Google e constatei que nove países a têm como língua oficial. A maioria deles na África. Na América, somente o Brasil (além de Macau, na China, que a preserva junto com o mandarim). Eu amo a Língua Portuguesa. Desde muito pequeno me lancei na leitura de livros como se lançavam ao mar os portugueses que a levaram para outros continentes. A língua tem esse poder de nos transportar, sobretudo quando escrita (bem escrita, quero dizer)… Uma das primeiras palavras que me encantaram foi “entrementes”, que aprendi ainda nos gibis de histórias em quadrinhos. Com o tempo vieram amiúde, sobremaneira, circunspecto, intangível, célere, alhures, adrede, convescote e outras tantas. Milhares, incontáveis, indescritivelmente belas. E meu encanto parece não ter fim. Quando comecei a estudar teatro descobri a dramaturgia. Um novo universo se apresentou, pleno de possibilidades, contendo a História Universal e suas mitologias. E mais: a concisão na escrita. O que para mim é um luxo. Isso me lembra (como sempre) Caio Fernando Abreu. Uma vez ele me contou que estava ministrando uma oficina de literatura e eu perguntei que tal eram os alunos, se havia algum talento literário na turma e ele me respondeu: Eles usam muitos “frementes” e “arfantes”. Genial e conciso, até nos comentários… Para encerrar de maneira concisa, cito aqui outro mestre da concisão, Nelson Rodrigues. No último final de semana fui com Grace Gianoukas assistir à montagem de Nossa Senhora dos Afogados, belíssima encenação de Monique Gardenberg com o grupo do Teatro Oficina em homenagem a Zé Celso Martinez Correia. Precisa ser visto. Se por mais não for, pela arrebatadora performance da atriz Leona Cavalli. E antes que a concisão (a minha) vá para as cucuias, me despeço desejando vivas à Língua Portuguesa, com os versos de Olavo Bilac: “Amo o teu viço agreste e o teu aroma de virgens selvas e de oceano largo; amo-te, ó rude e doloroso idioma”.
Na foto, Bilac fazendo a bonita no alto da escada. Imaginem a descida.
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