quinta-feira, 7 de novembro de 2019

ENCONTROS

Sempre que estou morrendo de saudades de Paris, tendo surtos, palpitações, crises de abstinência, procuro algum programa que, por aqui mesmo, alivie mon petit coeur. Foi assim que decidi assistir ao filme Encontros, de Cédric Klapisch. Na verdade eu já havia sido atraído pelo cartaz, que mostra um jovem casal com a vista do Sacre-Coeur ao fundo. O rapaz é o ator François Civil, de quem sou fã desde que assisti à série Dix Pour Cent, no Netflix. Agradabilíssima surpresa. O tema, um dos meus favoritos: A solidão das grandes cidades. Só que aqui, abordado do ponto de vista dos jovens. Como cada um lida com a própria solidão. De que maneira cada um deles tenta superar as dificuldades da vida adulta. Rémi e Melánie são vizinhos, não se conhecem, estão sempre por um triz para que aconteçam os tais encontros do título. Mas o que vemos é uma série de desencontros. Ela dorme muito. Ele é insone. Ela tenta vários dates por aplicativos de relacionamentos. Ele se isola. Ambos procuram, por razões diferentes, psicoterapeutas. A história se passa em uma Paris surpreendentemente urbana, jovem, tecnológica e - malgré a alcunha de Cidade Luz - obscura. Totalmente oposta ao clichê romântico de cartão postal tão largamente explorado pelo cinema do mundo inteiro... Outra agradável surpresa: Camille Cottin, a Andrea de Dix Pour Cent, como a psicanalista da personagem Melánie. E Pierre Niney, que viveu Yves Saint Laurent no filme homônimo, como um amigo mala que o personagem Rémi reencontra pelo Facebook. Parece aqui, não? Aliás, parece com qualquer lugar do mundo... Eu, que vivi uma Paris bem mais tête à tête, cujos matchs se davam ao vivo, em lugares direcionados à paquera ou a outros tipos de relacionamentos, fiquei bastante surpreso. Primeiro porque nem me lembrava que solidão é um assunto que também diz respeito aos jovens. Segundo, porque nem havia internet quando eu fui jovem em Paris... Pra não dizer que só falei bem: Há um erro grave de continuidade. Quando os prédios aparecem no térreo, com os personagens entrando nas portarias, o dela fica à direita da imagem e o dele, à esquerda. Quando eles estão em casa, ele na sacada e ela na janela da chambre de bonne, estão ao contrário, como na foto que ilustra o post. Será que só eu percebi? Rsrsrs... Ah, quase me esquecia: Tem um gatinho tão fofo, mas tão fofo, que rouba as cenas em que aparece. E o árabe do mercadinho, que dá palpites e conhece toda a vizinhança e arredores. Mais a cara de Paris, impossível... Last, but not least: No final do filme, já nos créditos, uma versão remix de Cavalgada, do Rei Roberto, cantada em português. Chorei...
Na foto, os jovens solitários Rémi e Melánie em Paris. Bem que eu gostaria de um pouco de solidão em Paris agora.

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