sábado, 28 de fevereiro de 2026

30 ANOS SEM CAIO

No sábado dia 21 fui à missa de trinta anos sem Caio Fernando Abreu. Não consigo me lembrar há quantos anos eu não ia a uma missa. Estavam lá Cida Moreira, Celso Cury, Maria Adelaide Amaral, Sylvia Moreira e outros tantos amigos queridos do escritor. É claro que na hora da contrição me emocionei e fui às lágrimas por minha gatinha Lina, meu sobrinho Daniel, pelo Caio em si - motivo da reunião - e por todos os meus mortos amados. (E, nessa altura da vida em que me encontro, devo confessar que não são poucos). Minha emoção foi tal que acabei comungando. Há séculos não tomava a hóstia sagrada. Mas me enchi de coragem, pedi sinceramente a Deus perdão por todos os meus pecados, as minhas falhas, faltas e ausências e, contrito que só, tomei a santa hóstia em minhas mãos e a depositei com fervor cristão em minha boca. Na hora de rezar o Pai Nosso, Maria Adelaide, que se sentara a meu lado, me deu a mão. Fiquei felicíssimo, posto que tenho grande estima e admiração por ela. Ao nos despedirmos eu disse a Cida Moreira que irei assistir ao seu show no Blue Note e ela me disse que irá levar meus óculos Ray-Ban que esqueci há um ano na casa dela. Celso Cury e eu nos perguntamos dos “nossos japoneses”, o meu, Weidy, e o dele, Wesley. Silvia Moreira me disse que Caio “rodou a gira” ao me ver comungar. E Maria Adelaide, sempre fina, gentil e educada, me disse que foi muito bom me encontrar. E mais, que sempre é. Eu que o diga, Maria. Eu que o diga! Saí da capela do Sion ainda mais macambúzio do que entrara, mas com um certo conforto interior. Afinal de contas não é assim mesmo, desde que o mundo é mundo? Chegadas, partidas, nascimentos, mortes. Horários a serem cumpridos, compromissos, encontros. Livros a serem lidos, louça na pia para lavar, séries a maratonar, armários que precisam urgentemente ser organizados. Tristezas a superar, traumas a resolver, medos e fantasmas para se enfrentar. Shows a serem assistidos e óculos Ray-Ban a serem devolvidos, japoneses a serem lembrados, giras a rodar, mãos dadas a rezar? No meio disso tudo reencontros, amigos, brindes, comemorações, conquistas, vitórias... A vida não é mesmo fascinante? Quando estou quase chegando em casa passo em frente ao prédio onde Caio morava, na rua Haddock Lobo. Impossível não pensar que por um descuido do tempo, um pequeno erro de cálculo, não chegamos a ser vizinhos. Viro à esquerda na Alameda Franca e voilà, cheguei em casa. Acho que um pouquinho melhor do que quando saí... Na foto, cena do meu solo Caio em Revista.

2 comentários:

  1. Disse tudo meu amigo "A vida não é mesmo fascinante?" E eu te respondo sinceramente: Sim, o é.
    E como é bom ter amigos a se reunir e lembrar de nós 30 anos depois da partida.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ai, ai, Odilon! Bom mesmo seria nem partir… prorrogar a existência até a eternidade. E, claro, com muitos amigos!

      Excluir