quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
A BOSSA DA PROVÍNCIA
Passei os últimos dias de 2025 e os primeiros de 2026 saboreando a leitura da obra Grupo de Teatro Província - Memórias, de Luís Artur Nunes. Quem me conhece sabe não só da nossa amizade e parceria teatral, mas também da enorme admiração que nutro por esse mestre das artes cênicas. Sou, portanto, suspeitérrimo para falar rsrs. Pois quero aproveitar esse meu “lugar de fala suspeito” exatamente para exaltar a riqueza da escrita de Luís Artur e, quem sabe, influenciar quem me lê a fazer o mesmo. Luís Artur realiza a proeza de embutir nas suas memórias - vastas e personalíssimas - todas as informações que um texto técnico traria , mas sem soar didático ou acadêmico em momento algum. Pelo contrário: Ao contar a história de seu grupo de teatro, o Província, ele nos brinda com pura literatura, extremamente rica e palatável. Para ser não apenas lido, mas degustado. Palavras que não são habitualmente utilizadas surgem tão habilmente inseridas no contexto das frases que a gente as saboreia e as reconhece sem precisar ir correndo ao dicionário. Fora a importância do registro histórico da existência do grupo, que é maravilhoso e bem-vindo, o livro suscita o prazer de uma boa leitura. Nos enriquece e nos ensina. Resgata a beleza da nossa língua, que tem andado tão maltratada. Que Porto Alegre sempre foi celeiro de talentos e pródiga em antecipar tendências e vanguardas todos nós já sabíamos. A novidade é o frescor e a vastidão linguística com que Luís Artur nos brinda ao lançar seu olhar objetivo e ao mesmo tempo afetuoso sobre essas importantes memórias. Um relevante resgate da nossa arte e cultura, fundamental nos tempos desatentos e fragmentados que vivemos... Tive a felicidade de estar presente no lançamento do livro em Porto Alegre, na última Feira do Livro, que reuniu grande parte dos integrantes do grupo. Foi emocionante rever Graça Nunes, Haydée Porto, Suzana Saldanha, Beto Ruas, Arines e Izabel Ibias, entre outros. Uma tarde inesquecível, emoldurada pelos jacarandás da Praça da Alfândega... Como dei a entender no início do post, não tenho a isenção necessária para fazer uma crítica ou mesmo uma análise formal da obra. O que me move é a paixão. E o livro é apaixonante. Tomara que ele inspire algum cineasta a transformar em filme a história dessa fantástica troupe, que mudou os rumos do teatro gaúcho e brasileiro. Seria lindo! Fica a dica…
Na foto, os jovens e nada provincianos Luís Artur e Suzana Saldanha na capa do livro.
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Obá, mais um livro para minha lista. Obrigado por indicações tão preciosas.
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