domingo, 23 de novembro de 2025
CAIO IN POA
Escrevo ainda sob o impacto da estreia de Caio em Revista aqui em Porto Alegre. Trazer esse espetáculo para a capital gaúcha me enche de alegria por vários motivos. Dentre eles, mostrar para os admiradores do Caio romancista e contista que ele se permitia ser leve e bem humorado quando se dedicava às crônicas de revistas. Os que tiveram, como eu, a sorte de privar da sua companhia e amizade, sabem que ele era uma pessoa divertida e agradabilíssima na convivência com os amigos. Isso eu consegui com este espetáculo. Me lancei em "longa e minuciosa pesquisa" - para citar seu alterego feminino Nadja de Lemos - na qual folheei incansáveis exemplares das revistas AZ e Aroud, de Joyce Pascowitch, para as quais ele colaborou com a inspiração e genialidade que lhe eram peculiares. Depois de muitas crises de rinite consegui reunir esse precioso material com o qual agora presenteio o público gaúcho nessa comemoração dos meus quarenta anos de teatro. O impacto a que me referi no começo do post nada mais é do que a incontida emoção que me inundou na noite da estreia, quando tive o privilégio de ser assistido e aplaudido por amigos queridos, colegas, professores e familiares. Abraçar pessoas que não via há muitos anos me encheu de felicidade. Andava carente desse contato, desse afeto que transborda de maneira sincera e natural. Hoje está fazendo um atípico domingo de primavera cinza, com ventos fortes que fazem assobiar as janelas. Estive pela manhã passeando com minha irmã Raquél pela praia de Ipanema, na zona sul de Porto Alegre, e os tons plúmbeos da paisagem me remeteram a terras distantes, memórias de outros tempos e situações. Logo mais, às dezoito horas, farei a última apresentação desse primeiro fim de semana da temporada. E, na semana que vem, faremos mais três apresentações na sexta, no sábado e no domingo. Espero rever ainda muitos amigos e conhecer novos gaúchos antes de voltar à Pauliceia. Vocês já sabem, mas não custa relembrar: Caio em Revista, meu espetáculo solo que tem direção de Luis Artur Nunes, está em cartaz no Estúdio Stravaganza, sexta e sábado às 20 horas e domingo às dezoito. Os ingressos estão à venda no Sympla e no local.
Na foto, eu e o cartaz de Caio em Revista na frente do Estúdio Stravaganza.
domingo, 16 de novembro de 2025
GAY PORT
O escritor gaúcho Caio Fernando Abreu costumava se referir carinhosamente à sua querida Porto Alegre com essa alcunha: Gay Port. Gay não apenas no sentido alfabético-militante (lgbt etc.), mas também no literal, de alegre mesmo. É assim que tenho percebido a cidade desde que aqui aportei: Alegre, intensa, florida, plural e colorida. Inclusiva, inclusive. Vim para a estreia (no próximo dia 21) de meu espetáculo solo Caio em Revista, com o qual comemorarei meus quarenta anos de carreira no teatro. Adoro a cidade nesta época do ano. Jacarandás em flor pintam e bordam de roxo suas ruas. A Feira do Livro agita a Praça da Alfândega e arredores. Tive o prazer de estar presente em dois lançamentos de livros dedicados à memória do teatro gaúcho: Por Uma Crítica Expandida da Cena, de Airton Tomazzoni, e Grupo de Teatro Província - Memórias, do meu amado diretor e amigo Luis Artur Nunes. As sessões de autógrafos na praça são precedidas de uma pequena explanação dos autores sobre as obras nas dependências do Clube do Comércio, belíssimo exemplar do estilo art-déco que se debruça sobre a Praça da Alfândega e seus jacarandás. Uma pena que esse tesouro não esteja adequadamente preservado... Revi amigos queridos que há muito não encontrava e colegas de profissão que há séculos eu não via. Tenho aproveitado as manhãs para caminhar no Parque da Redenção, lugar intimamente ligado às minhas memórias da juventude. Na semana que vem começo a ensaiar minha peça no teatro, o Estudio Stravaganza, da minha amiga Adriane Mottola, que "importou" de São Paulo o meu espetáculo para finalmente mostrá-lo aos gaúchos. Nem preciso dizer o quanto estou feliz & animado com esta curta temporada que me traz de volta aos palcos gaúchos depois de seis anos sem me apresentar por aqui. Aqui onde tudo começou. Aqui para onde sempre volto. Que esse porto seja para sempre alegre! Em todos os sentidos...
Nas fotos, alameda de palmeiras no Parque da Redenção e o art-déco da entrada do Clube do Comércio.
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