A pandemia levou meu sorriso. E, junto com ele, levou meu assunto. Quem dera a responsável por isso tivesse sido a Rita, como na canção de Chico Buarque. Não quero mais falar, conversar, participar de lives, assistir a lives e nem tenho tido vontade de escrever. Levei o isolamento social ao pé da letra. Tenho evitado até mesmo me olhar no espelho do banheiro. Fiquei mais bicho do mato do que já era...
Há dias em que o parágrafo acima resume meu estado de espírito durante esse tempo de confinamento. Felizmente, outro tipo de ideias e sentimentos também me invadem, alternadamente, quando, por exemplo, admiro entardeceres da sacada do apartamento enquanto bebo vinho e ouço música. E assim vou levando...
Quando saio à rua rapidamente para fazer compras e vejo os lugares todos fechados, vazios, as pessoas usando máscaras, tenho a sensação de estar vivendo em uma daquelas peças do teatro do absurdo, como O Rinoceronte, de Ionesco...
No começo, duvidei. Mas quando vi a porta de ferro do Ritz abaixada, a ficha caiu. Aquilo não fechava desde 1981! Não tinha mais como negar, o confinamento já era uma realidade. A Rua Augusta vazia à luz do meio-dia. Uma fila serpenteando em frente ao supermercado fazia o Santa Luzia parecer um aeroporto. Nem uma única flor ornamentava os jardins e suas alamedas desertas...
Me vem à memória os versos da canção Sinal Fechado, de Paulinho da Viola. Um diálogo travado rapidamente por duas pessoas que, em seus carros, esperam o sinal abrir para seguirem seus rumos:
-Olá, como vai?
-Eu vou indo e você, tudo bem?
-Tudo bem, eu vou indo correndo pegar meu lugar no futuro. E você?
-Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono tranquilo. Quem sabe?
Meu esforço nesse momento está concentrado em não perder este meio de comunicação e de contato: Meu blog. Me recuso a deixá-lo morrer. Mesmo que apenas uma vez por mês eu hei de dar as caras por aqui. Ainda que tenha pouco a dizer...
-Me perdoe a pressa. É a alma dos nossos negócios.
-Qual! Não tem de quê. Eu também só ando a cem...
Na foto, entardecer na sacada do apartamento.
terça-feira, 19 de maio de 2020
domingo, 3 de maio de 2020
PASSAGEM DAS HORAS
O título do post se refere a um poema de Fernando Pessoa que adoro e que levei à cena nos idos anos oitenta, na faculdade de teatro em Porto Alegre; com Angel Palomero, Naira Scavone e o saudoso Fernando Severino no elenco. Mas não é sobre os versos de Pessoa que pretendo discorrer aqui, e sim sobre do que se trata o nosso momento. Precisamente, a passagem do tempo. Das horas, dias, semanas, meses. E nesse passar, o mês de maio chegou. Um dos meus preferidos do ano. Principalmente quando estou em Paris. Saudades, né minha filha? Rsrsrs. Três coisas tem me mantido bastante atento e, ao mesmo tempo, distraído: A série mexicana La Casa de las Flores, no Netflix, a reprise da novela Brega & Chique, no Canal Viva, e a leitura do romance A Educação Sentimental, de Gustave Flaubert. A seguir, pílulas sobre cada um dos três.
ALMODÓVAR MEXICANO – Estou apaixonado pela série La Casa de las Flores. Uma espécie de novela mexicana, bem ao estilo de Maria do Bairro, com toques de Almodóvar. Quando digo “toques” de Almodóvar estou sendo super discreto. O correto seria dizer “desbragadamente inspirada” em. Primeiro, pelo tom debochado e cômico com que o diretor aborda os temas dramáticos. Depois, por uma série de fatores que preenchem os episódios: Bichas, travestis, transexuais, ninfomaníacos, órfãos, michês, streapers, traficantes, viciados, adúlteros e, evidentemente, cenários com cores saturadas. Sem falar na exaltação à cafonice e ao kitsch, que adoro... As atrizes, como sempre acontece nesse tipo de produção, dão shows de interpretação. E nos brindam com lágrimas, ataques de nervos, rompantes de luxúria & frenesi. A trilha sonora, evidentemente, um deleite à parte. Com direito a uma cena de dublagem do clássico brega da dupla Pimpinela, Siga Seu Rumo, por aqui imortalizada na performance de Marisa Orth junto à banda Vexame...
VALE A PENA REVER – O Canal Viva reprisa às 14:30 a novela Brega & Chique, que causou frisson nos anos oitenta pela performance de Marília Pera como a milionária finíssima que, da noite para o dia, se vê sem marido e sem tostão. Por outro lado, a personagem de Glória Menezes, pobre e cafona à la mort, acorda milionária por uma herança deixada pelo falecido marido que elas, evidentemente, não sabem tratar-se do mesmo. E, diga-se de passagem, não morreu. Um veaudeville de encher as tardes. Serve também para constatar o quanto as novelas brasileiras ainda eram artesanais pouquíssimo tempo atrás. Interpretações teatrais, cenários fake, captação de noturnas que mostrava quase nada, e, claro, erros de texto que passavam batido. Isso cá entre nós ainda acontece. (Emoji de carinha chorando de rir). Mas o talento dos atores, ah! Saudades, né minha filha?
ROMANTISMO A GO GO – Minha história com o romance A Educação Sentimental, de Gustave Flaubert, é curiosa. Já tentei diversas vezes ler essa obra e sempre acabava desistindo. Primeiro foi quando morava em Paris e, para praticar o idioma, resolvi ler no original. Desisti nos primeiros capítulos com uma dúvida: Seria o motivo a língua francesa ou eu não tinha gostado mesmo? Acho que o idioma francês não deve ter sido a razão, pois na mesma ocasião, li obras ainda mais complexas como Calígula, de Camus, e A Idade da Razão, de Sartre, no original e não tive nenhum problema de compreensão. De volta ao Brasil, mais duas tentativas que deram em nada. Até que finalmente, ano passado, vi uma edição bonita e acessível na Livraria Cultura e resolvi adquirir. Pois não é que agora, com a pandemia e o consequente isolamento social, retomei a leitura e estou adorando? O livro é a minha cara. Boemia, amizades entre homens que beiram a homoafetividade e paixões platônicas. Quer mais? A história se passa em Paris. Com riqueza de detalhes, nomes de ruas, de bares, restaurantes e cafés. Que, claro, assim que lá voltar irei conferir. Só me resta dizer o quê? Saudades, né minha filha...
Desejo que o mês de maio seja mais leve para todos, apesar de tudo! Vamos em frente na certeza de que dias melhores virão.
Nas fotos, a família baphônica de A Casa das Flores, Marília Pera como Rafaela Alvaray e a capa da edição do romance de Flaubert.
ALMODÓVAR MEXICANO – Estou apaixonado pela série La Casa de las Flores. Uma espécie de novela mexicana, bem ao estilo de Maria do Bairro, com toques de Almodóvar. Quando digo “toques” de Almodóvar estou sendo super discreto. O correto seria dizer “desbragadamente inspirada” em. Primeiro, pelo tom debochado e cômico com que o diretor aborda os temas dramáticos. Depois, por uma série de fatores que preenchem os episódios: Bichas, travestis, transexuais, ninfomaníacos, órfãos, michês, streapers, traficantes, viciados, adúlteros e, evidentemente, cenários com cores saturadas. Sem falar na exaltação à cafonice e ao kitsch, que adoro... As atrizes, como sempre acontece nesse tipo de produção, dão shows de interpretação. E nos brindam com lágrimas, ataques de nervos, rompantes de luxúria & frenesi. A trilha sonora, evidentemente, um deleite à parte. Com direito a uma cena de dublagem do clássico brega da dupla Pimpinela, Siga Seu Rumo, por aqui imortalizada na performance de Marisa Orth junto à banda Vexame...
VALE A PENA REVER – O Canal Viva reprisa às 14:30 a novela Brega & Chique, que causou frisson nos anos oitenta pela performance de Marília Pera como a milionária finíssima que, da noite para o dia, se vê sem marido e sem tostão. Por outro lado, a personagem de Glória Menezes, pobre e cafona à la mort, acorda milionária por uma herança deixada pelo falecido marido que elas, evidentemente, não sabem tratar-se do mesmo. E, diga-se de passagem, não morreu. Um veaudeville de encher as tardes. Serve também para constatar o quanto as novelas brasileiras ainda eram artesanais pouquíssimo tempo atrás. Interpretações teatrais, cenários fake, captação de noturnas que mostrava quase nada, e, claro, erros de texto que passavam batido. Isso cá entre nós ainda acontece. (Emoji de carinha chorando de rir). Mas o talento dos atores, ah! Saudades, né minha filha?
ROMANTISMO A GO GO – Minha história com o romance A Educação Sentimental, de Gustave Flaubert, é curiosa. Já tentei diversas vezes ler essa obra e sempre acabava desistindo. Primeiro foi quando morava em Paris e, para praticar o idioma, resolvi ler no original. Desisti nos primeiros capítulos com uma dúvida: Seria o motivo a língua francesa ou eu não tinha gostado mesmo? Acho que o idioma francês não deve ter sido a razão, pois na mesma ocasião, li obras ainda mais complexas como Calígula, de Camus, e A Idade da Razão, de Sartre, no original e não tive nenhum problema de compreensão. De volta ao Brasil, mais duas tentativas que deram em nada. Até que finalmente, ano passado, vi uma edição bonita e acessível na Livraria Cultura e resolvi adquirir. Pois não é que agora, com a pandemia e o consequente isolamento social, retomei a leitura e estou adorando? O livro é a minha cara. Boemia, amizades entre homens que beiram a homoafetividade e paixões platônicas. Quer mais? A história se passa em Paris. Com riqueza de detalhes, nomes de ruas, de bares, restaurantes e cafés. Que, claro, assim que lá voltar irei conferir. Só me resta dizer o quê? Saudades, né minha filha...
Desejo que o mês de maio seja mais leve para todos, apesar de tudo! Vamos em frente na certeza de que dias melhores virão.
Nas fotos, a família baphônica de A Casa das Flores, Marília Pera como Rafaela Alvaray e a capa da edição do romance de Flaubert.
domingo, 26 de abril de 2020
57 ENTRE 4 PAREDES
Ontem foi o dia do meu aniversário. Um aniversário diferente, confinado durante uma pandemia. Como disseram vários amigos ao me cumprimentar, inesquecível. E será mesmo. Mas de uma maneira positiva. Eu, que adoro comemorar o dia dos meus anos, de preferência viajando ou recebendo os amigos em casa, o fiz de maneira especial. Só com Weidy e Lina, nossa nova gatinha de estimação. Passei o dia inteiro comemorando. Fiz comidinhas especiais, Weidy fez um bolo lindo para mim, tomei champanhe, tomei banho de sol na sacada, falei com minhas irmãs por vídeo conferência, com direito a parabéns a você, velas e tudo o mais. Muitos amigos e admiradores me desejaram os melhores votos, me senti querido e importante para várias passoas. Gostei especialmente de uma coisa que me desejou a amiga Agnes Zuliani: Noites arrebatadoras. Ah! Que maravilha. Que privilégio já tão distante, ainda mais agora, em tempos de pandemia... Me dei conta de que a comemoração do aniversário é um estado de espírito. Não importa o local, a quantidade de pessoas, poder ou não sair para a rua. É uma conexão que faço comigo mesmo, revendo minha trajetória, agradecendo por estar vivo, festejando todos os benefícios de que desfruto nessa minha estada aqui na Terra. Ouvi muita música, escutei meus antigos ídolos com novos ouvidos, fiz dublagens e postei nos stories do meu Instagram, enfim, comemorei à altura. Brinquei muito com a Lina, quem tem animaizinhos de estimação sabe que quando são filhotes fervem como crianças, até cansar e cair no sono. A coisa mais linda do mundo... Lembro agora do meu aniversário de cinquenta anos, que passei sozinho em Florianópolis. Weidy estava em Brasília, trabalhando na Copa das Confederações, e fiz questão de ter a experiência de estar só em um lugar que amo durante a entrada em tão significativa idade. Foi maravilhoso. Algumas pessoas disseram “puxa, que triste estar só numa data tão especial”. E respondia a todas elas: Foi uma opção minha. E estou adorando. Aquele também foi um aniversário inesquecível... Como quase todos os meus são. Exatamente porque faço com que o sejam. E assim será, até quando Deus, o Universo, o Bem, a Energia Suprema me permitam. Sou extremamente grato por esta experiência que tenho o prazer de vivenciar: A minha vida. E vou confessar, sem nenhum vestígio de culpa ou soberba: Meu mundinho brut rosé é sensacional...
Nas fotos, eu em dois aniversários especiais: O primeiro e o atual.
Nas fotos, eu em dois aniversários especiais: O primeiro e o atual.
sexta-feira, 17 de abril de 2020
BONS DRINKS EM PARIS
Sou apaixonado pelo livro Les Cocktails du Ritz Paris, que ganhei de presente do meu amigo João Faria. Costumo dizer que ele é um pequeno tesouro, pois além de ser esteticamente lindo, traz revelações, histórias e receitas que são verdadeiras preciosidades para quem, como eu, se interessa pelo fascinante mundo da coquetelaria. Meu amigo João mora há muitos anos em Paris, onde foi barman de estabelecimentos notáveis como o China Club e o Le Fumoir, um dos meus bares preferidos da Cidade Luz. Voltando ao livro, ele me apaixona por diversos motivos. Primeiro porque a cada vez que o manuseio, leio ou releio, sempre acabo aprendendo alguma coisa nova de francês. Agora, com esse isolamento social que nos obriga a ficar em casa, a retomada da leitura me revelou o verbo concocter, que não conhecia, e que significa inventar, elaborar cuidadosamente. Outro elemento motivador da minha paixão pela obra são as belíssimas e divertidas ilustrações da artista Yoko Ueta. Logo no prefácio o autor revela possuir uma vasta coleção de publicações sobre o assunto, cuja leitura o fez tomar a decisão de escrever sua própria versão dos fatos e curiosidades que envolvem a criação de coquetéis clássicos e contemporâneos. Ah, já quase me esquecia de referir, o autor do livro, Colin Peter Field, vem a ser o barman do Bar Hemingway, do icônico Hotel Ritz de Paris. Já nas primeiras páginas ele presenteia os leitores com a planta baixa do bar com o número de cada mesa. Quem, como eu, gosta de bares, sabe que este é um segredo revelado a poucos habitués, para que possam comentar uns sobre os outros discretamente, referindo-se apenas aos números das mesas... Outro presente que o livro dá aos leitores é o trecho de uma carta do escritor Ernest Hemingway para o barman do Ritz da época, na qual ele revela ter experimentado um Bloody Mary – com detalhes da receita – na China, em 1947. Bem antes da data que o dito barman revela ter inventado o drink para o próprio Hemingway, nos anos cinquenta... Eu não sabia – e adorei saber – que a criação de um dos meus coquetéis preferidos, o Manhattan, é atribuída a Jenny Churchill, mãe do primeiro-ministro inglês Winston Churchill. Que as inglesas mandam ver nos drinks, isso eu já sabia... Ainda não tive o prazer de conhecer o bar do Ritz. O hotel esteve fechado para reformas de 2012 a 2016, época em que frequentei Paris com certa regularidade. Mas é sem dúvida uma das primeiras coisas que quero fazer quando voltar à Capital Francesa. Enfim, há muito o que dizer sobre este pequeno tesouro que guardo com muito carinho entre os meus objetos de charme preferidos. Uma brochura impecável, coberta de um tecido que parece ser um linho dourado, e fartamente ilustrada. Um verdadeiro coffee table book! Merci beaucoup, João, pelo adorável cadeau.
Nas fotos, a capa do livro e uma petite dégustation das ilustrações de Yoko Ueta.
Nas fotos, a capa do livro e uma petite dégustation das ilustrações de Yoko Ueta.
terça-feira, 14 de abril de 2020
ACABOU CHORARE
Eu, que adentrei os dias de isolamento social cheio de ânimo e lives e posts e clics e talz, aos poucos fui me recolhendo ainda mais do que simplesmente em casa: Fui me recolhendo em mim. Cada vez menos sextous e sabadous, um ou outro storie, até daqui do blog me afastei. Acho válido. Não tinha como ser diferente: A vida virtual, on-line, é um reflexo da vida real, off-line. Pelo menos deveria ser. Permanecem as leituras e escritos, um ou outro filme ou série, nada de maratonas... Tudo seguia tranquilo, abre a porta e a janela e vem ver o sol nascer. Até que: Ai ai saudade não venha me matar. Moraes Moreira partiu. Pombo correio voa depressa e essa carta leva para o meu amor. Carta de amor também é o tema da canção Revolta, de Moraes e Fausto Nilo, gravada por Marina em seu primeiro álbum Simples Como Fogo. "Já li, reli e ali na tua assinatura eu aprendi: O amor acaba neste quarto desatento". O que seria de mim sem a canção popular... Vale ressaltar que a música, já tão presente e importante na minha vida antes disso tudo, agora passou a ocupar ainda mais espaço dentro dos meus dias. E no movimento contínuo, ininterrupto do tempo, chegou Lina, nossa nova gatinha, uma pequena explosão de amor e alegria, a preencher todos os cantos da casa com seu carisma e beleza, toda rajada como uma oncinha do mato. Talvez pelo buraquinho invadiu-me a casa, tomou meu coração e sentou na minha mão. Acabou chorare: Ficou tudo lindo de manhã cedinho...
Nas fotos, Moraes Moreira na capa do álbum de 1981 e a pequena Lina a repousar sobre o leito.
Nas fotos, Moraes Moreira na capa do álbum de 1981 e a pequena Lina a repousar sobre o leito.
quinta-feira, 2 de abril de 2020
ABRIU O MÊS DE ABRIL
Está finalmente aberta a temporada 2020 do mês de abril, mês do meu nascimento. Confesso que não dou muita bola para esse papo de inferno astral. Gosto tanto de fazer aniversário, que normalmente começo a comemorar com um mês de antecedência, ao invés de me preocupar com infernos. Mas devo admitir que esse ano estou vivendo um período de inferno astral no mínimo sui generis: Quarentena. Haja criatividade para não se deixar abalar... Várias coisas me salvam nesses dias de confinamento. Não sou dado a muito tédio, sempre me ocupo de maneira positiva & satisfatória dentro de casa. Gosto de um certo confinamento, desde que não seja involuntário, como agora está sendo o caso... Minha amiga Rachel Louise Eckert é bartender no Ritz, lugar que frequento desde que me entendo por gente. (Aloka). Enfim, a Rachel tem um podcast chamado Bons Drinks que adoro seguir. Lá ela fala um pouco da história de cada coquetel, com citações de filmes e literatura relacionados e dá dicas de como preparar os drinks, inclusive em casa, agora que estamos de quarentena. O que quero dizer é que uma das coisas que me salvam nos dias de confinamento – além de leituras, escritos e dos óbvios filmes, séries, banhos de sol, exercícios, etc – é justamente a coquetelaria. Não me estranhem ou me julguem esnobe, ó pobres mortais que não fizeram, como eu fiz, o curso básico de coquetelaria do Senac. Rsrsrs. (Isso é assunto para outro post, que dedicarei à minha amiga Flávia Aguiar, colega naquela empreitada). Mas a confecção de coquetéis é um dos prazeres que mais me conforta, não apenas nesses dias sombrios como em todos os outros, desde que exercida com a devida moderação. Para tanto, você não precisa nem ao menos ter uma coqueteleira, como ensina Rachel no seu podcast. Basta colocar os líquidos e o gelo em um recipiente cilíndrico, fechá-lo e shake, shake, shake... Nas praias do litoral norte de SP, por exemplo, os vendedores das barracas batem a caipirinha em vidros com tampas de plástico... E assim vou vivendo, esperando o meu aniversário chegar e a pandemia passar. Com ou sem coqueteleira – e coquetéis – o importante é não sair para a rua. E não deixar a peteca cair, mesmo que dentro de casa. Bons drinks e boa quarentena a todos!
Na foto, Rachel em seu habitat natural, direto dos stories do meu Instagram.
Na foto, Rachel em seu habitat natural, direto dos stories do meu Instagram.
segunda-feira, 30 de março de 2020
24 ANOS EM SP
Tenho passado os dias tão envolvido em atividades que façam o tempo da quarentena passar, que acabei deixando passar em branco o meu aniversário de vinte e quatro anos em São Paulo! Sim, foi no domingo, dia 22 de março, que completei vinte e quatro outonos morando na Pauliceia. Sempre comemoro a data com a devida pompa. Infelizmente, neste ano ela me passou. Esqueci! Também, são tantas lives no Instagram, tantos exercícios e banhos de sol matinais na sacada, tantas preparações gastronômicas de almoços e jantares, leituras, escritos, arrumações de armários... E por falar em arrumações de armários, tenho revisto tantas fotos e vídeos antigos, coisas que nem lembrava mais... O lado bom do confinamento tem sido olhar para dentro. Para trás. Rever, repensar, re-significar. O que tinha importância exagerada passa a ter a importância merecida. Ou nenhuma importância, em alguns casos. Eu sempre fui introspectivo, dado a leituras e escritos. Então, para mim, não muda muito a rotina em si. O que muda é a maneira de encarar o entorno. De qualquer forma, acho que teremos de sair dessa melhores. Digo como seres humanos. Trata-se da humanidade. Acima de partidos, tendências, religiões, fronteiras, picuinhas, tribos, facções, nacionalidades, preconceitos, barreiras sociais, tudo isso já está provado que nada pode contra algo maior. Teremos de nos reinventar como humanidade. Mas aí já acho que é querer demais. Até para mim o otimismo tem limites... Então trato de seguir bem humorado, o que já é uma grande coisa. Mas, voltando ao tema do post, meus anos em Sampa, continuo amando a cidade que me recebeu. Ainda que agora vazia, com os teatros fechados, parques e shopping centers vazios, os restaurantes todos que a projetam internacionalmente parados, e até cartões postais como o Terraço Itália, fechados. Uma visão quase surrealista, para quem está acostumado a vê-la fervendo vinte e quatro horas, sem parar. Mas uma nova visão sobre o que quer que seja é sempre algo interessante, não é verdade? Para terminar citando Caio Fernando Abreu, "Pode parecer lugar comum, mas Sampa, definitivamente, é um caso de amor mal resolvido". Boa quarentena a todos...
Na foto, São Paulo vista da quarentena.
Na foto, São Paulo vista da quarentena.
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