domingo, 30 de agosto de 2026
FAÇO GOSTO
Dia desses ouvi o ator Murilo Benício dizer em uma entrevista que gosta de tomar uísque ouvindo música na varanda da casa dele. E que seus filhos perguntam: E aí, pai, já vai pra varanda tomar o seu uísque e ouvir sua musiquinha triste? Achei bonitinho e me identifiquei tanto! Rsrs. Com o pai, naturalmente. Sou dessas pessoas que ritualizam o ouvir música. Eu não apenas ouço um ruído qualquer enquanto faço outras coisas. Eu paro para ouvir, crio um clima, faço um drink. Não é que eu não esteja fazendo nada, isso para mim é estar fazendo. E é importante. Para mim, evidentemente. Tem mais: Músicas consideradas tristes são as que mais me atraem. Não acho que sejam tristes; acho-as belas, inspiradoras, me fazem bem à alma… Esse domingo que se encerra nesse mês de agosto que também se encerra está sendo exatamente assim: Ouço minha musiquinha triste tomando meu drink. Na sala do apartamento, já que não tenho varanda. E está tudo bem. Penso no quão intenso e interessante foi o mês. Rico em espetáculos, shows, passeios, exposições e até uma ida à praia. Teve a estreia da nova turnê de Simone, o belíssimo musical Piaf, Não Me Arrependo, o Réquiem do Balé da Cidade de São Paulo com orquestra e coral no Teatro Municipal, a exposição Apocalipse, de Alex Flemming, o lançamento do novo livro de Maria Adelaide Amaral, o lírico espetáculo Sobre Poetas e Heresias do ator Jairo Mattos… Acho que lembrei de tudo rsrs. Como nem tudo são flores, três tristes baixas no mundo das artes: O mês nos levou Glória Menezes, Laura Cardoso e Yayoi Kusama. Que os deuses as tenham nas suas companhias… Na ida à praia fizemos uma descoberta: A gatinha local, que eu pensava chamar-se Marie, na verdade se chama Maya. Marie era a irmã dela, que desapareceu faz tempo. O zelador do condomínio tinha me passado a informação errada, me esclareceu o dono das gatinhas. Bem que estranhamos que ela não atendia por Marie rsrs… Agosto, o mês tão maldito, temido e malvisto, mesmo com perdas e algumas tristezas, revelou-se próspero, efervescente e auspicioso. Que amanhã, dia trinta e um, ele se encerre do jeito que começou: Com cigarras cantando como no dia primeiro no show de Simone. Si, si, si, si, si, si, si, si, si, si… Bom mês de setembro a todos! Nas fotos, a belíssima sala do Teatro Municipal, amanhecer na praia de Camburi, Marie, digo, Maya esbanjando charme e Maria Adelaide idem.
domingo, 16 de agosto de 2026
SÁBADO DE AGOSTO
Numa agradável manhã de sábado do mês de agosto, portanto inverno, fui visitar a exposição Apocalipse, do artista Alex Flemming, nos Palacetes da Sé. Que São Paulo guarda tesouros ocultos nas suas entranhas eu já sabia desde que aqui cheguei há trinta anos. O legal é constatar que a cidade segue me surpreendendo positivamente. Eu já havia estado na mesma rua, na calçada oposta, visitando o palacete da Marquesa de Santos um tempo atrás. Na ocasião nem me dei conta de que quase em frente havia esta joia da arquitetura paulistana projetada por Ramos de Azevedo, o nosso Barão Haussmann. A fachada praticamente intacta oculta um interior em ruínas que já foi sede da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. É nesse vasto ambiente em decomposição que Alex Flemming - de volta a São Paulo depois de mais de trinta anos vivendo na Alemanha- exibe suas impactantes telas. O resultado faz jus ao nome da mostra: é totalmente apocalíptico. Em meio à destruição implacável do tempo e do abandono surgem alas ainda preservadas com pisos hidráulicos e vitrais de grande beleza. Li na internet que após a exposição o local será inteiramente restaurado, o que me enche de alegria… Saindo de lá aproveitei para conhecer o Museu do Tribunal de Justiça de São Paulo, um palacete totalmente restaurado, a poucos metros de distância, no bairro da Liberdade. Esse nos dá a sensação de estar num Hôtel Particulier, daqueles que visitamos em Paris. Mais ainda quando ficamos sabendo da história do imóvel: Luís de Lorena, advogado e político paulista descendente dos condes de Sarzedas, apaixonou-se (aos sessenta anos) pela jovem francesa Marie Louise, de dezoito aninhos, e mandou construir o palacete para nele viverem felizes para sempre. Um sugar daddy e tanto! Rsrs. Ficou conhecido como o "Castelinho do Amor". Um deleite para quem aprecia vitrais, lambris e escadarias de madeira. Como não pretendo me estender por aqui, recomendo uma rápida pesquisa no Google sobre horários, visitas guiadas e etc… Após a visita eu procurava um lugar para almoçar na Liberdade quando cruzei com Titi Freak, um dos meus artistas preferidos, que está de volta a São Paulo depois de dez anos vivendo no Japão. Teria sido uma coincidência essa coisa de artistas plásticos voltando ao Brasil depois de morarem anos fora? Ou um toque para mim do tipo: Ei, está na hora de você voltar a morar em Paris! Sigo me perguntando…
Nas fotos, a fachada de Ramos de Azevedo, Alex Flemming e uma de suas obras, detalhe de um dos salões do Castelinho do Amor e Titi Freak et moi em uma rua da Liberdade.
domingo, 2 de agosto de 2026
QUE MULHER É ESSA?
Durante o isolamento da pandemia eu criei um hábito que se repetia todos os domingos, às seis da tarde, para o qual eu me preparava obedecendo a um pequeno ritual: Me vestia especialmente, fazia um drink ou abria um vinho e me sentava para assistir à live da cantora Simone no iPad. Toda essa preparação me dava a sensação de que eu tinha um programa, um compromisso social, algo impensável naqueles tempos. Simone sempre me emocionou, desde seus primeiros álbuns. Amo Gotas D’água, Face a Face e Cigarra. Sem falar em Pedaços, que é repleto de hits e que quase furei o vinil de tanto escutar. Ontem, no primeiro dia de agosto, tive o prazer de assistir à estreia de sua nova turnê Que Mulher é Essa?. Com direção e figurinos de Ronaldo Fraga, o show passeia pela carreira da cantora atualizando delicadamente seus sucessos com um quarteto de guitarra, baixo, bateria e teclado pilotados por jovens músicos talentosíssimos sob a batuta de Ana Frango Elétrico, que assina a direção musical. Além de falar da mulher através de suas canções, Simone também presta lindas homenagens aos que já se foram: Acompanhando-se ao violão elétrico ela se emociona cantando Baby para Gal; Rita Lee é lembrada em Cor de Rosa Choque; Belchior com Velha Roupa Colorida e Cazuza com a belíssima Quando Eu Estiver Cantando, para mim um ponto alto da apresentação. Faz tempo que não via um show tão belo e emocionante, tão completo, tão bem feito e tão bem amarrado em um conceito. A Cigarra segue firme, forte, bela e dando o seu recado às formigas: Quando eu estiver cantando fique em silêncio… Escrevo num fim de tarde de domingo. Me preparei ritualmente, bem como eu fazia na época das lives. O céu estava tão denso, o inverno tão passageiro. São as graças da paixão!
Na foto, Simone em cena de Que Mulher é Essa?
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