domingo, 16 de agosto de 2026
SÁBADO DE AGOSTO
Numa agradável manhã de sábado do mês de agosto, portanto inverno, fui visitar a exposição Apocalipse, do artista Alex Flemming, nos Palacetes da Sé. Que São Paulo guarda tesouros ocultos nas suas entranhas eu já sabia desde que aqui cheguei há trinta anos. O legal é constatar que a cidade segue me surpreendendo positivamente. Eu já havia estado na mesma rua, na calçada oposta, visitando o palacete da Marquesa de Santos um tempo atrás. Na ocasião nem me dei conta de que quase em frente havia esta joia da arquitetura paulistana projetada por Ramos de Azevedo, o nosso Barão Haussmann. A fachada praticamente intacta oculta um interior em ruínas que já foi sede da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. É nesse vasto ambiente em decomposição que Alex Flemming - de volta a São Paulo depois de mais de trinta anos vivendo na Alemanha- exibe suas impactantes telas. O resultado faz jus ao nome da mostra: é totalmente apocalíptico. Em meio à destruição implacável do tempo e do abandono surgem alas ainda preservadas com pisos hidráulicos e vitrais de grande beleza. Li na internet que após a exposição o local será inteiramente restaurado, o que me enche de alegria… Saindo de lá aproveitei para conhecer o Museu do Tribunal de Justiça de São Paulo, um palacete totalmente restaurado, a poucos metros de distância, no bairro da Liberdade. Esse nos dá a sensação de estar num Hôtel Particulier, daqueles que visitamos em Paris. Mais ainda quando ficamos sabendo da história do imóvel: Luís de Lorena, advogado e político paulista descendente dos condes de Sarzedas, apaixonou-se (aos sessenta anos) pela jovem francesa Marie Louise, de dezoito aninhos, e mandou construir o palacete para nele viverem felizes para sempre. Um sugar daddy e tanto! Rsrs. Ficou conhecido como o "Castelinho do Amor". Um deleite para quem aprecia vitrais, lambris e escadarias de madeira. Como não pretendo me estender por aqui, recomendo uma rápida pesquisa no Google sobre horários, visitas guiadas e etc… Após a visita eu procurava um lugar para almoçar na Liberdade quando cruzei com Titi Freak, um dos meus artistas preferidos, que está de volta a São Paulo depois de dez anos vivendo no Japão. Teria sido uma coincidência essa coisa de artistas plásticos voltando ao Brasil depois de morarem anos fora? Ou um toque para mim do tipo: Ei, está na hora de você voltar a morar em Paris! Sigo me perguntando…
Nas fotos, a fachada de Ramos de Azevedo, Alex Flemming e uma de suas obras, detalhe de um dos salões do Castelinho do Amor e Titi Freak et moi em uma rua da Liberdade.
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