quarta-feira, 29 de julho de 2026
FRÁGIL
Hoje eu acordei às cinco horas da manhã para ir ao hospital fazer uma ressonância do joelho e uma tomografia da coluna. Manhã é maneira de dizer, pois ainda era noite fechada. Quando chegamos na rua, uma grande e bela surpresa: a lua cheia ainda enfeitava o céu de inverno. Inverno também é maneira de dizer, pois em plena madrugada já fazia dezoito graus. Sem falar que hoje estão previstos trinta graus de temperatura máxima. Weidy me deixou no hospital e aí é todo aquele ritual de identificação, preenchimento de formulários, etc. Não consigo entender como, em pleno século vite e um, ainda nos obrigam a preencher aqueles intermináveis questionários, à mão, naqueles espaços minúsculos onde mal cabe uma palavra. Nome do exame! Pode? Para quê, se já está no agendamento e no pedido médico? Jamais conseguiria escrever em tão exígua lacuna "ressonância magnética do joelho direito". Mal coube ressonância. Por pouco não escrevi apenas ress... Enfim, não é sobre isso que pretendo discorrer aqui. É sobre a minha fragilidade. Mais uma vez me vi diante dela enquanto aguardava no interior da máquina o exame ser feito. Não se mexa. Se precisar falar conosco, acione a campainha. Um fone de ouvidos é colocado na minha cabeça e o enfermeiro sai batendo a porta. Solidão. Minutos que parecem horas. Vontades quase incontroláveis de mexer os membros. Meu Deus, isso não vai acabar nunca? Nesses minutos intermináveis penso no quão frágil sou/somos. No quanto confiamos nossas vidas a esses profissionais. Penso também em minha mãe, no sonho que tive com ela pouco antes de acordar. Andávamos de mãos dadas por uma rua escura e, depois de entrarmos em um corredor, nos deparamos com uma escada que descia, também escura. Eu disse a ela que normalmente eu não descia escadas no escuro. Mas que como eu estava com ela eu não teria medo. Apertamos as mãos e descemos. Para onde, não sei... Já estou em casa, exames concluídos com sucesso. Lá fora o belo dia de sol e céu azul já alcançou vinte e quatro graus em pleno inverno. Era disso que eu estava falando, da nossa fragilidade... Bom fim de julho a todos!
Na foto, o belo dia de sol e céu azul visto da minha janela.
sexta-feira, 3 de julho de 2026
INVERÃO
Eu adoro ir para o litoral no inverno. No outono também. E mais: durante a semana. Gosto de ir na segunda-feira e voltar para São Paulo na sexta. As praias estão vazias, é tudo muito lindo e tranquilo. Aqui no estado de São Paulo o outono e o inverno são as estações mais secas, então os dias e noites são lindos, muito sol de dia e estrelas e lua à noite. Foi o que fizemos essa semana. Ficamos hospedados em Camburi, mas passeamos até Ilhabela, Barra do Sahy, Boiçucanga, Canto do Itaguá e São Sebastião. Adoro o litoral norte de São Paulo. Quase ninguém sabe, mas as praias são belíssimas. Para quem mora na paranoia da Pauliceia, passar alguns poucos dias que seja por lá é um bálsamo. A gente volta revigorado. Só ficaria mais feliz se tivesse uma casa ou apartamento por lá. Assim não precisaria ficar pagando diárias e iria e voltava quando bem entendesse… Dessa vez tivemos a sorte de pegar lua cheia. Ela deu um show surgindo de trás dos morros e iluminando a praia com sua luz prateada. Os entardeceres e amanheceres não deixaram por menos. Isso sem falar na gatinha Marie, moradora do condomínio onde alugamos o flat, que fica grudadinha conosco, nos enchendo de carinhos… No penúltimo dia da nossa estada por lá ocorreu um fenômeno meteorológico bastante curioso. Uma densa neblina cobriu tudo. Parecia que estávamos em uma praia do hemisfério norte. Não se via sequer o mar. Fiquei assim mesmo na praia, ouvindo Érik Satie nos fones de ouvido. Foi tão inesquecivelmente belo quanto os dias de sol e as noites de lua. Para guardar para sempre na memória… E, como tudo o que é bom um dia acaba, hoje cedo voltamos para a nossa amada São Paulo. Contando os dias para ir novamente para lá…
Nas fotos, entardecer em Ilhabela, a lua surgindo em Camburi e o dia que o fog cobriu tudo.
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