domingo, 13 de setembro de 2026

VIDA FRENÉTICA

Faz dois meses que venho me preparando para escrever esse post em homenagem à minha querida amiga Lidoka, que nos deixou há dez anos. Algumas noites fico sozinha com meus lençóis de cetim pensando em planos de outrora que até já me esqueci… Por uma dessas tais linhas tortas pelas quais Deus - na sua infinita sabedoria - escreve, eu estava morando temporariamente no Rio de Janeiro quando dos últimos meses de vida dela. Foi assim que pude acompanhar minha amiga na sua despedida dessa vida… Para quem não sabe, Lidoka foi uma das seis integrantes do grupo musical Frenéticas, que estourou no final da década de setenta, quando a disco music tomou conta do planeta e as discotecas pipocaram por aqui. Eu era tão gurizinho na época que não conseguia entrar em nenhuma destas casas noturnas. Em compensação, na minha casa eu quase furei o disco de tanto tocar… Voltando à nossa despedida, eu a pegava em sua casa e fazíamos agradáveis passeios por Ipanema, o bairro que ela amava, onde morava e era amada por todos. Impossível não sermos parados o tempo todo por amigos e fãs que queriam saber dela. Eu já saí pelo mundo cantando nos cabarés... Nos conhecemos no final de 2004, nos camarins da Terça Insana, que fazia sua primeira temporada carioca no Teatro do Leblon. Ela chegou encantada conosco e voltou no dia seguinte para nos vender as suas famosas bandokas. Minha conexão com ela foi tão imediata que nos tornamos melhores amigos. Eu sempre deixo me hipnotizar por um feitiço de olhar... Como nascemos no mesmo dia, 25 de abril, ela dizia que éramos irmãos astrais. Não tenho dúvidas de que realmente éramos… Nossas caminhadas pelo bairro terminavam invariavelmente no Arpex, que é como ela carinhosamente chamava o Arpoador. Tenho guardados na memória os inúmeros pores de sol a que assistimos por lá... Lidoka era uma fonte inesgotável de histórias. Conheceu todo mundo. Namorou meio mundo. A vida boa e frenética, deixe que falem de mim... Eu adorava ficar horas ouvindo ela falar. Que alegria ter sido seu amigo. Vivemos juntos tantas coisas legais que, se fosse contá-las aqui, não caberiam nesse post. Chegamos a comemorar juntos nosso aniversário duas vezes: uma no Rio, com uma festa chez nossa amiga Beta Leporage, e outra aqui em São Paulo, no restaurante Jardim di Napoli, que ela me apresentou e que amo e frequento até hoje. Além de Frenética, Lidoka também foi uma Croqueta, a versão feminina dos Dzi Croquetes. E, assim como todos os Dzi que já se foram, não morreu: Virou purpurina. E levou com ela o seu sonho mais louco… Nesses dez anos que já se passaram desde a sua partida eu sonhei apenas uma vez com ela. Foi muito bom, mas nada comparável à sua presença real, sempre iluminada e distribuindo amor, sorrisos, poemas e melodias. Ela faz muita falta, principalmente nesses tempos em que tudo parece ter perdido o sentido e não se pode mais acreditar em nada nem em ninguém. Sigo comemorando o nosso aniversário e lembrando sempre dela com muito amor e saudade. Pois, como já dizia a canção, a festa não tem hora e a noite não tem fim… Viva Lidoka! Nas fotos, Lidoka em cena como Frenética, nosso níver no Rio, entardecer no Arpex e se acabando na despedida do Dancing Days.

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