sábado, 22 de dezembro de 2018

NATAL NA ILHA

Estou mais uma vez em um dos lugares onde mais gosto de estar: Ilhabela. Acho que só perde, no ranking das minhas preferências, para o palco em primeiro lugar e para Paris em segundo. Ainda assim, esse bronze só se deve aos mosquitos. O único defeito desse paraíso na minha modesta opinião. Eu demorei para conhecer Ilhabela. Já morava em São Paulo há anos quando finalmente aconteceu. Vim acompanhar o Weidy, que à época fazia parte da Cia Druwe de dança. Eles vieram dançar seu espetáculo Lúdico, que homenageava o pintor Kandinski. Acho que já faz uns dez anos e desde então tenho vindo sempre que posso. Essa será a segunda vez que irei passar o Natal aqui. A primeira foi com minha irmã Raquél e ficamos onde eu sempre costumava me hospedar, na praia do Perequê. Agora estou instalado pela primeira vez na praia do Curral e estou amando. A casa fica no alto do morro, de frente pro mar. E é só descer duas quadras que já estamos com o pé na areia... Papai Noel não poderia ter me dado presente melhor...

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

BODAS DE CERÂMICA

Hoje meu blog está completando nove anos de existência. São as nossas bodas de cerâmica. Adoro cerâmica. Tenho um amigo ceramista que mora em Campo Grande, o Mauro Yanase. Ele faz um trabalho lindo e já me presenteou com diversas de suas criações. Adoro um casalzinho de monges que ele faz. Tenho os meus há anos. Esse ano eu os coloquei junto à árvore de Natal. Ficou um amor... Mas, voltando ao aniversário do blog: Muito da minha empolgação inicial já arrefeceu. Hoje escrevo mais raramente e até me abstenho de emitir opiniões sobre vários assuntos. Como já falei anteriormente aqui, os assuntos estão muito prementes, tudo urge, tudo é de extrema importância e todos, absolutamente to-dos, tem opinião formada sobre tudo. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante... Rsrsrs. Brincadeira. Só não acho que minha opinião tenha tanta importância assim. E muito menos que eu deva dá-la a quem não pediu... Ainda assim, mantenho o blog com entusiasmo e compartilho aqui grande parte das coisas que vivo, vejo, leio, assisto, crio, invento. Se por mais não for, é para ficar um registro da minha passagem pelo universo virtual. Aqui já tem um bom material escrito. Nesses nove anos eu mudei tanto, aprendi tanto, vivi tanto! E é no mínimo reconfortante poder dividir parte disso que seja com quem me lê. Aproveito para agradecer a todos: Muito obrigado por estarem comigo nessa já longa jornada. Espero ter fôlego para seguir por no mínimo mais nove anos... Adoro quando o blog faz aniversário também porque significa que o ano já está no fim. Gosto muito dessa época, que para mim significa mudança de ciclo, renovação, crescimento. Mais uma vez temos a oportunidade de deixar para trás o que não nos serve e ir em busca do que queremos de fato. Não que a gente realmente faça isso todos os anos. Mas só de saber que temos essa chance já me reabastece as esperanças... Por falar em esperanças, eu sempre as tenho. Mesmo quando nos acenam retrocessos, como agora. Acho que sempre se avança em alguns quesitos, ainda que em detrimento de outros. E assim a vida segue, em espiral. Mas que, pelo menos, o movimento seja ascendente!
Na foto, meus mongezitos bem fagueiros ao pé da árvore de Natal.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

GIL, SONS & PALAVRAS

Minha paixão por Gilberto Gil é antiga, mas foi totalmente reaquecida por seu programa Amigos, Sons e Palavras, no Canal Brasil. Adoro ver Gil entrevistar seus convidados. Na verdade ele divaga sobre as coisas da vida enquanto conversa com a pessoa, e acaba que o próprio entrevistador se revela a melhor coisa da entrevista. Gil tem a sabedoria dos que já viveram quase tudo. Nada parece ser novidade para ele. As novidades, ele já antevira todas lá atrás, nos longínquos sessenta, setenta... E nesse esteio eis que veio seu show Ok Ok Ok para São Paulo e, graças à generosidade da minha amiga Andresa Espagnolo, fui assisti-lo. O que mais me encanta nesse genial compositor, além obviamente da música, é a sua incrível habilidade com as palavras. Mais que um poeta, como muitas vezes é chamado, Gil tem com as palavras a intimidade de um escritor. Há no seu olhar algo que me ilude... Não me iludo, tudo permanecerá do jeito que tem sido... Lembro que o vi pela primeira vez no show Realce, com aquelas adoráveis trancinhas coloridas, no Teatro Leopoldina, em Porto Alegre, nos idos de 1979... Depois, nos oitenta, já na fase de shows em ginásios, lembro de ter assistido a Um Banda Um no Gigantinho, também na capital gaúcha. Fui tão cedo para o local que acabei assistindo também à passagem de som... Mas, voltando ao show Ok Ok Ok: Uma noite inesquecível. Plateia lotada, Gil firme e forte no palco, acompanhado de três de seus filhos: Ben, João e Nara. Uma banda linda, arranjos sofisticados e uma luz de sonho no belo cenário de Luiz Zerbini. Um presente de Natal. Sentado no começo do show, Gil fica em pé na segunda parte para empunhar a guitarra e levantar a plateia do Teatro Bradesco. Há no seu olhar algo surpreendente: Como o viajar da estrela cadente... Saí de lá com uma vontade incontrolável de escutar todas as suas músicas. O que já venho fazendo há quase uma semana... Remexi guardados, encontrei velhos elepês e até as fotos que fiz dele no show Realce em Porto Alegre. Há no seu olhar algo de saudade: De um tempo ou lugar na eternidade... E quanto mais o ouço cantar, mais repito para mim mesmo: Eu quisera ter tantos anos-luz quantos fosse precisar para cruzar o túnel do tempo do seu olhar...
Nas fotos, três instantes do show Realce captados por minha Olympus Trip 35 no Teatro Leopoldina.

domingo, 2 de dezembro de 2018

DEZEMBRO

Oi, tudo bem? Que bom que você veio. Entra. Senta, fica à vontade. Gostou da música? É Serge Gainsbourg. Tenho quase tudo dele. Adoro. Conheci em Paris. Aliás, no ano que eu cheguei em Paris para morar ele morreu... Aí comecei a ouvir tudo e me apaixonei. Mas deixa isso pra lá, vem pra cá, o que é que tem. Rsrsrs. O que você quer beber? Tem vinho tinto, vinho rosé, espumante e cerveja. Ah, e eu posso fazer alguns drinks pra você também. Deixa eu ver o que eu tenho e o que dá pra fazer: Humm... Posso fazer um Manhattan, um Whiskey Sour, um Dry Martini ou um Gim Tônica. Dry? Olha... Gostei. Pera, já faço. Ah, não tenho azeitona inteira, só fatiada. Mas tudo bem, faço tipo um espetinho de pedaços de azeitona, fica legal também. Adorei que você veio. Não aguentava mais novembro. Outubro, então, nem se fala. Toma, tim-tim! À nossa... Calma! Tá com pressa? A gente tem a noite inteira pela frente. Quer dizer, eu tenho a noite inteira pela frente. Você, certamente, tem mais uns três ou quatro compromissos para cumprir antes do dia raiar. Afff! Há quanto tempo eu não vejo o dia raiar! Não dessa forma, só quando acordo cedo, antes do sol. O quê? Mentira, gosta nada. Quer dizer, gosta. Mas não se satisfaz em ficar aqui comigo. Daqui a pouco você certamente vai querer estar em outro lugar comigo. Ou em outro lugar com outras pessoas. Eu não te basto. Estar aqui, comigo, não te basta. Tudo bem, eu sei como é. Já fui assim também... Mas me conta:

terça-feira, 27 de novembro de 2018

LUGAR

Não suporto mais ouvir a palavra lugar ser pronunciada para definir o que quer que seja menos o que ela define de fato, que é, precisamente, lugar. Ou seja, espaço que pode ser ocupado por alguém ou por alguma coisa. Lugar é onde você nasceu, onde estudou, onde trabalha, onde mora. Lugar é a posição que alguém ocupa em um concurso. É um acidente geográfico, um país, uma cidade, um bairro. Mas agora é um tal de lugar de fala, lugar de performance, lugar de questionamento, lugar de seja o que for. Dia desses vi um jovem ator ser entrevistado por Lázaro Ramos, no programa dele no Canal Brasil, e fiquei impressionado com a quantidade de vezes que ele pronunciou a palavra lugar. Até "lugar de cegueira" ele chegou a dizer. Fiquei me perguntando que lugar seria esse... Não consigo entender direito de onde vem essa "moda" de se utilizar determinadas palavras até a exaustão. O mesmo vem acontecendo com o termo narrativa. Tudo agora virou narrativa. Usa-se, inclusive, "o lugar da narrativa". Preguiça... Nem vou me referir aqui aos já esgotados e insuportáveis empoderamento e protagonismo. Esses não saem das bocas e me arranham os ouvidos cada vez que são pronunciados. Isso sem falar no requentado e já desgastado "resistência". Chega a dar saudade de quando esse termo era usado para se referir àquela mola que esquenta o chuveiro elétrico. E agora me calo. Para não desgastar ainda mais as palavras...
Na foto, o Jardin du Luxembourg, um lugar que adoro frequentar quando estou em Paris.

domingo, 18 de novembro de 2018

SANGUE LATINO

Domingo que finda ao som de Billie Holiday. Borbulhas na flûte de champanhe. Luz difusa de abajur. Palmeiras no vaso de canto. Brisa amena que sopra, agora que já choveu, ventou e fez calor... Andei lendo sobre a criação do perfume mais famoso do mundo, o Chanel Número Cinco. Na verdade o livro é sobre o amor, a superação de uma grande perda e a capacidade de se reinventar. Chama-se Mademoiselle Chanel e o cheiro do amor, da escritora alemã Michelle Marly, e já me referi a ele no post anterior. Agora o mês de novembro segue com a leitura das memórias de Ney Matogrosso, Vira-lata de Raça. E que raça. Desde pequeno ele já disse a que veio. Sozinho. No osso. E o melhor: Sem discursos ou siglas. Apenas com atitudes. Isso em tempos bem mais bicudos do que os que vivemos hoje. Há quem prefira se lamentar. E há quem, como Ney, prefira seguir em frente escrevendo a própria história com coragem e, claro, muito talento. Agora que já provou que dá certo, ele nos deleita com suas lembranças... E, no clima da latinidad de Ney, Billie já deixou a vitrola e a sala foi invadida por Bandido Corazón, pérola que Rita Lee deu de presente para o nosso camaleão tropical. Graças aos deuses eu tenho uma caixa com todos os álbuns dele em CD. Assim posso passear por essa trajetória de sucessos. Diz-se que a carreira artística é feita de altos e baixos. A de Ney, exceção que confirma a regra, parece ter tido somente altos. E persiste através de décadas. Sempre atual. Coisa boa. Viva Ney! Eu já vinha latino à beça nos últimos dias. Embalado pela leitura dos contos de Caio a que me referi no post solitário do mês anterior, andei escutando Fina Estampa, de Caetano, em shuffle e em repeat jusq'à la mort. Agora é um tal de Paranpanpan, Trepa No Coqueiro e muito, muito Bandido Corazón. Pra quem não sabe, meu chará Roberto, marido de Rita, ainda integrava a banda Terceiro Mundo, de Ney, nesse álbum. Mas isso já é outra história. Agora, gaivota querida, voa numa boa...
Nas fotos, as finas estampas de Ney & Caetano.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

NOVEMBRO DELIRANTE

Finalmente o mês de novembro chegou. E, com ele, novos ventos varrendo a ressaca pós -eleitoral e trazendo de volta outros assuntos, possibilidades, visões. Já adentrei o penúltimo mês do ano visitando a exposição Raiz, do artista chinês Ai Weiwei, na Oca do Ibirapuera. De encher os olhos, a alma, o coração. Se a Bienal, que eu havia visitado dias antes, pouco ou nada tinha me dito, a exposição de Weiwei disse tudo. E calou fundo. Eu, que já andava cansado de assistir a processos em vez de resultados, que não aguentava mais tanto conceito para tão pouca arte, nessa exposição me deleitei: Ai Weiwei consegue unir conceito e arte, ativismo e denúncia, resistência e questionamento, sem deixar de fora algo que para mim é fundamental em qualquer manifestação artística: A beleza. Ela está presente em cada micro-detalhe das flores de porcelana que compõem a gigantesca obra Florescer ou nas milhares de Sementes de Girassol também esculpidas em porcelana. E no impacto mudo do imenso barco de refugiados esculpido em plástico negro em que navegam homens, mulheres e crianças sem rosto. Para ser vista e revista, a exposição fica na Oca até janeiro de 2019. Não vá perder... No feriado, uma rápida escapada até o reconfortante La Figueira, em Piracaia, para visitar nossos amigos Rodrigo et Thomas, respirar ar puro e, luxo dos luxos, ouvir o silêncio. Claro que entremeado de drinks, conversas, mergulhos, caminhadas, risadas, comidinhas e música. Rodrigo me apresentou a delícias musicais que eu ainda não conhecia como No Porn e Letrux. Auto-estima delirante. Maiô da Mulher Maravilha. A lantejoula apareceu de novo... De volta à Pauliceia, o não menos delirante Bohemian Rhapsody, filme que narra a trajetória de Freddie Mercury desde o surgimento do Queen até a participação no mega concerto Live Aid. Filme espetáculo, para ser assistido no cinemão clássico, com tela grande e dolby surround sound stereo... Agora sigo novembro adentro devorando o livro Mademoiselle Chanel e o Cheiro do Amor, da escritora alemã Michelle Marly. A história conta como a estilista Coco Chanel supera a perda de seu grande amor Boy Capel tornando realidade o projeto de ter a sua própria eau de toilette: O famoso perfume Chanel No 5. O livro, perfumado e de fácil leitura, é rico em detalhes descritivos da Paris da época e tem um agradável tom de folhetim que prende a atenção desde o primeiro capítulo. E, por falar em livros, eles andaram em alta na campanha presidencial. Até gente que eu sei que nem lê postou selfies com algum exemplar. Esse foi, a meu ver, um legado positivo das eleições. Eu, que sou leitor compulsivo, considero que a aproximação das pessoas com obras literárias, ainda que por razões controversas, sempre será positiva. De alguma forma, um livro sempre irá ajudar, acrescentar, engrandecer. Se por mais não for, pela simples leitura de suas orelhas ou contracapa... E vamos em frente pois, como disse Gilbero Gil em seu ótimo programa no Canal Brasil, o rio da História é caudaloso e não há abismo em que o Brasil caiba...
Nas fotos, as delicadas flores de Ai Weiwei, o cartaz de Bohemian Rhapsody e a capa do perfumado livro de Michelle Marly.