Todo verão traz suas modas. Desde Leila Diniz posando grávida de biquíni até as latas cheias de maconha espalhadas pela costa brasileira. Passando pelas dunas do barato e a rentrée de Gabeira com a tanga de croché pós-ditadura militar (bem adequada ao saudosismo atual). Dentre esses modismos, tem aqueles que a gente não vê a hora que passem. Como, por exemplo, o famigerado pau de selfie. A meu ver, a própria objetificação do mau gosto. Da forma ao nome... Bueno, como au bord de la mer não tenho muito o que fazer, me dedico a observar o entorno. E, como os deuses me deram olhos críticos, quase nada me escapa. Nessa temporada tem me chamado bastante a atenção as saídas de praia. Não me refiro ao ato das pessoas deixarem a praia em si e sim às roupas que vestem para fazê-lo. Os modelos estão cada vez mais ousados e sem noção. Percebo um abuso de rendas e transparências inacreditáveis para o horário e o local. Agora mesmo passou uma cuja parte de trás era longa, quase uma cauda a varrer as areias. Um figurino de show burlesco que não deixaria nada a desejar a Claudia Raia... Às vezes fico achando que bebi demais e estou tendo visões: Mas sou capaz de jurar ter visto uma toda em renda preta com debrum de plumas... Isso sem falar nas caixinhas de som bluetooth, verdadeira praga dos últimos verões. Como se não bastasse as pessoas ouvirem música ruim, elas insistem em impor o seu mau gosto musical a todos os que estão à sua volta. Tem uns que até as instalam nas bicicletas. E passam distribuindo música de péssima qualidade para quem puder escutar... Como podem ver, trato de me ocupar. Como moda também é cultura - lembram da declaração da Marta Suplicy? - praia para mim também passou a ser. E, como sou generoso, cuido de dividir tudo aqui com vocês... À tout a l'heure!
P. S. Assim que terminei de escrever esse post, lembrei da moda dos shortinhos em camadas de babados de renda que pareciam capas de botijão de gás. Esses, felizmente, já foram enterrados...
Na foto, vende-se de um tudo à beira mar. Saudades da Baby (então Consuelo) cantando Menino do Rio na abertura da novela Água Viva.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
JANEIRO AL MARE II
Tive de repetir o título do primeiro post do ano: Foi inevitável. É que já estou de volta ao mar, desta vez em Camburi, outro dos meus destinos preferidos no litoral norte de São Paulo. Sigo na vibe levantar cedo, pegar o melhor sol do dia até umas onze horas - que pelo horário normal são dez - e depois ir para casa preparar o almoço e dar início aos drinks... Como tive uma semana agitada em São Paulo, recebendo minha irmã Raquél e, inevitavelmente, bebendo muito, ainda estou sem beber desde domingo. Mas hoje essa lacuna já será devidamente preenchida... Das incríveis coincidências da vida: Já contei aqui no blog que tive como vizinho de porta no condomínio onde me hospedo em Camburi o ator Paulo Castelli, que é filho da também atriz e também gaúcha Maria Luiza Castelli, de quem eu era muito fã nos anos setenta. Pois agora estou hospedado justamente no chalé dele. Nem desconfiei que o Paulo, que me mandou mensagem de voz no whatsap falando sobre o aluguel, era ele... E os dias seguem da maneira que é bom que sigam nessa época do ano: Quentes, ensolarados e belos. E, evidentemente, à beira mar... Daqui não saio, daqui ninguém me tira.
Na foto, Camburi ao sol praticamente só para moi.
Na foto, Camburi ao sol praticamente só para moi.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
SAMPA TOUJOURS
Hoje é o aniversário de São Paulo. Cidade que me acolheu há vinte e três anos, quando cheguei de mala, cuia e muitos sonhos a realizar. De lá para cá, ela segue me acolhendo, me encantando e, sobretudo, me surpreendendo. Muita coisa mudou, umas para melhor e outras, para pior. Esse calor infernal, por exemplo, não fazia há vinte anos. O carnaval era minha época favorita do ano por aqui. Todo mundo saía e a cidade ficava praticamente deserta, só para mim. Agora, virou uma filial de Salvador, com trios elétricos e multidões invadindo as ruas. Ainda assim, sigo amando e me encantando com essa cidade... Sempre fui urbano. Desde cedo percebi que a pequena e pacata Soledade não caberia no meu sonho. Logo depois, o mesmo se deu com Porto Alegre, onde vivi grande parte da minha juventude. Foi aqui que me achei. Ou melhor, aqui sigo me procurando. E me encontrando sempre modificado.... Ontem à noite, na véspera do aniversário da Cidade, fui duplamente presenteado. Cida Moreira brindou o público que foi prestigiá-la no pequeno Bona, uma adorável casa de música no bairro de Pinheiros, com um delicado e precioso show. Acompanhada de dois excelentes músicos, ela apresentou pérolas do cancioneiro nacional e, de lambuja, alguns dos seus hits internacionais. Só isso já teria sido um presente para lá de satisfatório. Mas ela encerrou a noite me chamando ao palco para cantar ao seu lado o Youkali Tango, de Kurt Weill, e tudo se transformou em magia. Daquelas noites inesquecíveis que a gente guarda em um canto especial da memória... O tempo passa, o tempo voa e eu sigo amando essa cidade com todas as suas contradições, contrastes e idiossincrasias. Como diria Rita Lee, a mais completa tradução de Sampa, amo até o cheirinho de merda do rio Tietê... Que São Paulo prospere sempre, que siga aberta e receptiva, plural e diversa como ela só. E que eu sempre possa homenagear a minha cidade do coração. Amo-te, ó Pauliceia! Como as flores amam o frio orvalho que o infinito chora...
Nas fotos, eu impressionado com SP logo que cheguei e cantando ontem à noite ao lado da musa Cida Moreira.
Nas fotos, eu impressionado com SP logo que cheguei e cantando ontem à noite ao lado da musa Cida Moreira.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
JANEIRO AL MARE
O mês de janeiro entrou comme il faut: Dias de sol escaldante e céu azul junto ao mar de Ilhabela. Aliás, belíssima. Essa ilha me encanta. A cada vez ainda mais. E sempre. Fora todas as lindas praias ela tem matas, montanhas e cachoeiras. Falando em cachoeira, a mais recente descoberta foi a de Paquetá, no bairro do Bexiga, que tem três patamares e, no último, uma piscina natural de borda infinita que descortina o mar aberto. Indescritível. Incroyable, como dizem os franceses... Eu já havia passado o Natal por aqui e, depois de rápido bate-volta em São Paulo para o Ano Novo chez meu amigo Tude Bastos, voltamos para nos despedir desse paraíso antes de retomar as atividades na Pauliceia que não pode parar... E tudo tem sido da maneira que deve ser junto ao mar: Banhos de sol e de mar, muitos pores de sol, cachoeiras, drinks - o da vez é uma mistura que faço de sakê, lima da Pérsia, hortelã e gelo - passeios pela vila, almoços e jantares preparados à la maison e muita, muita música no iPad. O mar sempre me inspira a ouvir a velha e boa MPB. Agora redescubro Evinha, o nosso Michael Jackson (segundo moi mêmme). Voz de puro cristal, gospell, soul, rhythm and blues, bossa. Evinha canta de tudo e tudo fica lindo na voz de Evinha. Para os desavisados, ela estourou por aqui nos sessenta em festivais, ao lado dos irmãos no Trio Esperança e em carreira solo no começo dos setenta em vários álbums antológicos. Depois de rodar a Europa em turnê como crooner do maestro Paul Mauriat, casou-se com o pianista da orquestra e passou a residir na Cidade Luz em si, mais conhecida como Paris. Morro de inveja da Evinha... Experimente ouvir Something, dos Beatles, na voz dela. Puro deleite. E o tempo passa, navio de cruzeiro vai, navio de cruzeiro vem e la nave va. Ou, melhor dizendo, et vogue la navire... Aqui não tem televisão. Muito Netflix no iPad. Estou amando a série Wanderlust, de Nick Paine, com a maravilhosa Toni Collette. Atores ingleses, além de excelentes, tem rugas e dentes imperfeitos. Diferentemente dos americanos e brasileiros, todos feitos, retocados, preenchidos, botoxados e lipoesculpidos. A vida como ela é... Me paro por aqui. O calor grita. E logo teremos de voltar ao normal, com rotina, tv, trânsito, poluição, a velha nova política, o novo velho Brasil e tudo mais o que vem pela frente. À bientôt!
Nas fotos, o topo da cachoeira de Paquetá e a capa do antológico álbum Eva, de 1974, da cantora Evinha.
Nas fotos, o topo da cachoeira de Paquetá e a capa do antológico álbum Eva, de 1974, da cantora Evinha.
domingo, 30 de dezembro de 2018
NOITE VAZIA
Dia desses, chez meu amigo Tude Bastos que se recuperava de uma cirurgia, começamos a assistir pelo celular ao filme Noite Vazia, de Walter Hugo Khouri. A película tem uma hora e meia de duração e assistimos aos primeiros trinta minutos fazendo hora para o jantar. Foi o suficiente para que eu me sentisse preso à história e ficasse louco para terminar de assisti-la assim que fosse possível. O que acabou acontecendo no dia seguinte, em minha casa, mas pela tela da televisão. Rodado na São Paulo que emergia como metrópole nos anos sessenta, o filme tem toda a carga de existencialismo da nouvelle vague brasileira, mais conhecida como cinema novo. Chega a ser chato de tão parado. Mas ao mesmo tempo é maravilhoso. As pessoas estão em bares e boates e não se divertem. Não riem. Nem ao menos sorriem. Lembra em alguns momentos Cinderela em Paris, só que levado a sério... Odette Lara e Norma Benguel, no auge das respectivas belezas, interpretam duas moças de vida fácil que são caçadas por dois playboys paulistanos na tentativa de fazer com que a noite valha a pena. E dá-lhe questionamentos... Muita arquitetura modernista, muito jazz, muito delineador, muita peruca, uma pequena joia pré-Almodóvar. Odette Lara é nossa Catherine Deneuve. E Norma Benguel, nossa Jeanne Moureau. E, diga-se, nos brindam com beijo gay em cena de puro fetiche lésbico. Que maravilha. Uma hora e meia de imagens entediantes e belas. Se tivesse uma gota de humor seria uma espécie de Manhattan tropical. Mesmo assim, uma pérola do nosso cinema. A trilha sonora luxuosa é do maestro da Tropicália Rogério Duprat. Um deleite a parte é ver clássicos da arquitetura paulistana ainda em construção. A solidão das grandes metrópoles com todos os seus clichês. Com direito a jantar japonês na Liberdade servido por uma gueixa. Para quem, como eu, ama São Paulo é um presente... Ah, last but not least, os galãs Mário Benvenutti e Gabriele Tinti (uma espécie de Alain Dellon à italiana) são verdadeiros boys magia. Confere lá no YouTube.
Na foto, as divas Odette Lara e Norma Benguel em momento spicy.
Na foto, as divas Odette Lara e Norma Benguel em momento spicy.
sábado, 29 de dezembro de 2018
PALAVRÕES DO BEM
Eu não sei exatamente quando ocorreu essa mudança. Só sei que perdi o ponto exato em que os palavrões deixaram de ser ofensa, chingamento, falta de educação, e passaram a ser considerados elogios ou modo coloquial de se falar. O que lembro é que quando Caetano Veloso lançou o álbum Abraçaço, que trazia a canção A Bossa Nova é Foda, senti um certo desconforto mas, em seguida, aderi. Afinal, Caetano sempre foi irreverente, pop, transgressor e, agora mais do que nunca, atento aos sinais da modernidade. Mas comecei a achar a coisa deveras esquisita quando fui a um show de Johnny Hooker no Cine Joia e as pessoas, que estavam em êxtase com a apresentação, gritavam frases do tipo: Puta que pariu! Vai se fudê! Você é do caralho! Vai tomar no cu! Fiquei me perguntando o que elas gritariam se estivessem detestando... E como meus ouvidos não me dão descanso, passei a perceber essa, digamos, tendência, em todos os lugares. Nos bares, restaurantes, teatros, cinemas, em toda a parte. É um tal de "pra caralho", "do caralho" e até a variação "do grande caralho". Ou seja, o caralho está em todas as bocas... E, quando não pode ser pronunciado, como em programas ao vivo na televisão, as pessoas o substituem por baralho... Merda e bosta já estão definitivamente liberados, mas estes com a significação original mesmo, de chingamento. Quem é muito bom no que faz é pica. O velho e ingênuo "bem feito" foi substituído por "chupa"... Fico lembrando do tempo em que, além de não poderem ser pronunciados, não eram nem ao menos escritos. Eram grafados como uma sequência de símbolos sem significado que a gente subentendia tratar-se de um palavrão. Algo como #*¥@$*... Tenho tanto apreço pela língua portuguesa, a considero uma das nossas maiores riquezas. E é com incontida tristeza que a vejo definhar dia a dia. Mas, como já dizia Oscar Wilde, se soubéssemos quantas vezes nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio no mundo...
domingo, 23 de dezembro de 2018
ZIZI ENCANTA ILHABELA
Papai Noel continua sendo generoso comigo neste Natal. Ontem à noite ele me presenteou com um belíssimo show da cantora Zizi Possi em plena praça central de Ilhabela. Na verdade foi um presente da prefeitura para os moradores e turistas. Mas eu prefiro acreditar que foi só para mim... Zizi está encantadora, linda e cantando divinamente. Eu já tinha me deliciado com a participação dela no especial de Roberto Carlos na noite anterior. E esse show foi a cereja do presente natalino. Acompanhada de quatro excelentes músicos, ela fez um apanhado da carreira, cuja escolha focou especialmente nos hits. Tudo o que eu gostaria de ouvir em um show de Zizi e que há muito não ouvia. Estavam presentes no set list desde Perigo e Asa Morena até Um Minuto Além e Beatriz. Passando por A Paz e O Amor Vem Pra Cada Um. Inesquecível. Mais uma vez encerro dizendo que Papai Noel não poderia ter me dado presente melhor...
Na foto, Zizi shining and singing entre as luzes de Natal.
Na foto, Zizi shining and singing entre as luzes de Natal.
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