Eu, que no post anterior declarei não estar mais indo ao cinema fui, inesperadamente, na sexta-feira passada, ao entardecer, assistir a Hebe, a Estrela do Brasil. Sem nenhuma expectativa, confesso. E tive uma agradável surpresa. Pensei que seria algo na linha "chapa branca" mais ou menos como foi o musical a ela dedicado. Mas felizmente não era. O filme mostra uma espécie de lado B da apresentadora mais querida do Brasil. Traz uma Hebe de carne e osso, angustiada, envolvida em polêmicas, brigas conjugais e muito álcool. Sempre amei a figura dela, não apenas como a excelente enterteiner, one woman show que era, mas também como pessoa; uma mulher à frente de seu tempo, cheia de empatia pelo outro, sempre preocupada em dar voz aos excluídos, desmistificar tabus e combater preconceitos. Hoje, nessa era tosca de polarização que vivemos, ela estaria lascada. Aliás, já se lascava bastante à época. Hebe era acusada pela esquerda de ser de direita e pela direita de ser subversiva. Era, na verdade, adorada por todos. Lidem com esse barulho! Ela lidou. E teve uma trajetória louvável... Mas percebo agora que não estou falando do filme e sim da personagem em si. Que seja. Se não fosse por ela o filme não seria tão bom. Mas tem muito mais: A admirável performance da atriz Andréa Beltrão, de quem também sou fã de carteirinha. Andréa traz uma Hebe humana e cheia de falhas, bem como a gente gosta de ver uma celebridade na vida real. E o melhor: Não imita Hebe Camargo, risco em que nove entre dez atrizes cairiam... Marco Rica como o marido Lélio também está impecável. Estive algumas vezes no programa da Hebe. A primeira, logo que me mudei para São Paulo, ainda no teatro da Barra Funda, como integrante do elenco da peça O Pequeno Mago, do grupo XPTO. Depois fui como diretor do show de Edson Cordeiro; e uma terceira vez como ator de três cenas que fiz ao vivo com Grace Gianoukas e Carla Fioroni, ilustrando situações do tema abordado no programa. Sempre simpática, o que me impressionou desde a primeira vez que a vi pessoalmente é que ela era a mesma o tempo todo, estando no ar ou no comercial. Não mudava quando as câmeras estavam ligadas ou desligadas. Coisa rara de se ver... O filme ainda relembra figuras lendárias como Chacrinha, Dercy Gonçalves, Patrício Bisso e Roberta Close. Adoro a cena em que o produtor do programa, já cansado dos rolos em que Hebe se metia, ao ver que ela queria falar da inflação e do custo de vida, sugere que ela só fale de coisas leves, pois em momentos de crise o povo quer mais é esquecer dos problemas. Ao que ela responde: Voce já passou fome? Ele diz que não. E ela encerra, categórica: Eu já passei... Palmas para o filme de Maurício Farias. E viva Hebe Camargo!
Nas fotos, Andréa Beltrão esfuziante como Hebe no cartaz do filme e eu com a Hebe em si, recém chegado na Pauliceia, de mala e cuia, nos bastidores do seu programa.
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
OUTUBRO COLORIDO
Gente, por favor, fala a verdade: Nós já estamos mesmo no mês de outubro? Não é algum tipo de pegadinha? Eu sei que o tempo está passando cada vez mais depressa, mas esse ano está simplesmente voando! E outubro, quando chega, é o seguinte: A-ca-bou o ano. A gente mal tem tempo de fazer aquela arrumação nos armários que vem planejando desde janeiro e pimba! Já é Natal outra vez... Pois bem, o meu ano está acabando sem que eu tivesse conseguido realizar metade das coisas que me propus para 2019. Nem meu solo com textos do Caio Fernando Abreu, que há dois anos venho tentando montar, eu consegui. Não desisti, que fique claro. Sigo na batalha. Mas terá de ficar para 2020... E a vida segue mais ou menos assim, mais ou menos no improviso, coisas acontecendo enquanto outras não acontecem... Seguem, por exemplo, outubro adentro, as comemorações dos dezoito anos da Terça Insana. Todas as terças aqui em São Paulo, no Teatro Procópio Ferreira, e viagens nos fins de semana. Seguem também minhas leituras e meus treinos na academia. Tenho ido cada vez menos ao teatro e, menos ainda, ao cinema. Desde o último Almodóvar, Dor e Glória, que não entro em uma sala escura. Em compensação tenho assistido a séries e filmes em casa, pelo Netflix, coisa que antes raramente fazia. E por falar em leituras, nos últimos dias me caiu às mãos uma excelente, que tenho apreciado com muita atenção e empatia: A Saideira, corajoso relato da jornalista Barbara Gancia sobre a sua incansável luta contra o alcoolismo. Apesar de sério e contundente, o livro vem colorido pelas pitadas de humor tão características de Barbara. O que torna a leitura extremamente prazerosa e palatável. Eu, que adoro beber e morro de medo de me tornar dependente, tenho lido com os olhos bem abertos. Diria mesmo arregalados... Já no Netflix, a série Pose, com roteiro e direção de Ryan Murphy, o mesmo do maravilhoso American Horror Story, tem me feito refém da televisão. Com o maior elenco trans da história das séries de televisão, Pose chega em ótimo momento aqui nesse fim de mundo onde a questão LGBTQI+ ainda é uma questão... Que o mês que se inicia seja de trocas, compreensão, empatias, simpatias, conhecimento, renovação e alegrias!
Na foto, Dominique Jackson como a esfuziante Elektra Wintour, na sárie Pose, e Barbara Gancia na capa de A Saideira.
Na foto, Dominique Jackson como a esfuziante Elektra Wintour, na sárie Pose, e Barbara Gancia na capa de A Saideira.
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
PERSEVERANÇA
Graças a Deus, taí uma coisa que nunca me faltou: Perseverança. Me considero a personificação da própria. Mas estou me referindo aqui ao título do novo livro de memórias de Antonio Bivar. Adoro essa ideia do Bivar de lançar a autobiografia em vários volumes, cada um deles dedicado a uma fase distinta da vida do autobiografado. A gente acompanha com o interesse e o entusiasmo de quem acompanha um folhetim, por exemplo. E Bivar é mestre nessa capacidade de contar a própria história de maneira a prender o leitor. Uma espécie de Sherazade, das Mil e Uma Noites... Desta vez não pude comparecer ao lançamento, pois foi numa terça-feira e estou em cartaz às terças com a Terça Insana. Mas comprei imediatamente e já devorei... Não vou chover no molhado mais uma vez dizendo que amo esse autor, que sou seu fã de carteirinha, que li todos os seus livros, etc. Basta digitar o nome dele no campo de busca do blog e pipocarão posts dedicados a esse ícone da dramaturgia e da cultura pop brasileiros. E esse Perseverança, que vem a ser o sexto volume da biografia, vem com mais novidades. Eu, que me achava conhecedor da vida de Bivar, fui surpreendido com fatos que desconhecia totalmente. Como, por exemplo, ele ter dirigido o show da dupla Leandro e Leonardo, quando estes despontavam para o sucesso no início dos anos noventa. E ter feito os dois cantarem Luar do Sertão acompanhados de Marlene Dietrich numa gravação ao vivo feita aqui no Brasil. Sempre surpreendente esse Bivar... Isso sem falar na fascinante história da sua visita ao quarto de hotel de Quentin Crisp, em Nova Iorque, e a entrevista que dela resultou; os bastidores do programa TVLeezão, mais uma parceria de sucesso de Bivar com Rita Lee; as deliciosas histórias de sua participação nas revistas Around e AZ, de Joyce Pascowitch. Sou completamente apaixonado por esse período e por essas publicações. Adoro todo o staf criativo, formado por artistas que admiro, entre os quais, para citar apenas um, Caio Fernando Abreu. Sinto como se pertencesse a essa geração, que é anterior à minha, e da qual não vejo correspondentes na minha própria. Me sinto, então, tremendamente só... Gosto especialmente dos trechos do seu diário, que ele inclui generosamente como um presente para os leitores. Que bom que Bivar se mantém ativo e producente. E eu, com muita perseverança, me mantenho à espera de seus novos lançamentos...
Nas fotos, Bivar em si com modelito afro no lançamento do livro e a capa de Perseverança, com aquarela do próprio.
Nas fotos, Bivar em si com modelito afro no lançamento do livro e a capa de Perseverança, com aquarela do próprio.
sábado, 21 de setembro de 2019
SETEMBRO INSANO
O mês de setembro mal começou e já se aproxima do fim. E tem sido bem insano. A primavera explode em floradas de ipês que enfeitam as cidades e enchem os olhos, a alma, o coração. As comemorações dos dezoito anos da Terça Insana seguem agora, além da turnê nacional, com temporada em São Paulo às terças-feiras no Teatro Procópio Ferreira. Lá temos recebido, Grace e eu, convidados que já fizeram parte do elenco ou que fizeram participações ou mesmo só admiram o projeto ou foram influenciados por ele. Tem sido emocionante para mim que nunca havia me apresentado nesse teatro onde assisti a tantos espetáculos inesquecíveis... Já passamos por Belo Horizonte, Campinas, Jacareí, Cerquilho, Santos, Guarujá, Araras, Caxias do Sul e Florianopolis, de onde escrevo. Nos apresentaremos logo menos às 21 horas e amanhã às 19 horas. Amo essa cidade, espécie de ilha encantada que guarda muitas lembranças da minha juventude... De modo que, na insanidade de apresentar e reapresentar cenas e personagens criados ao longo de dezoito anos de Terça Insana, sigo meu setembro adentro sempre grato aos deuses que me permitem estar sobre o palco, um dos lugares onde mais gosto de estar nessa vida. O outro é Paris...
Na foto, minha personagem Betina Botox, que volta atualizada. Ou, como ela prefere dizer, totalmente reloaded.
Na foto, minha personagem Betina Botox, que volta atualizada. Ou, como ela prefere dizer, totalmente reloaded.
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
SP EM PODCAST
Por indicação de minha amiga Agnes Zuliani, estou participado de uma série em podcast para a Prefeitura de São Paulo. Para quem ainda não sabe - como era o meu caso até receber o convite e começar a gravar - podcast é um novo formato de mídia ou, melhor dizendo, uma nova plataforma de exibição de conteúdos em áudio. Só isso já seria interessante o bastante. Mas é ainda melhor: Trata-se de uma série de ficção, chamada Idas e Vindas, que conta a história da Capital Paulista. Para um apaixonado por São Paulo como eu, é um deleite conhecer a origem dos nomes de suas ruas, por exemplo. Ou como ela foi fundada. E o melhor: Tem um clima de novela de rádio que torna tudo uma delícia de se fazer. Tenho a oportunidade de exercitar diferentes vozes e sotaques. Já gravamos episódios sobre a Revolução de 32 e sobre a Semana de Arte Moderna, entre outros. Já dei voz a padres, bandeirantes, combatentes e até a um pirata inglês. Sem falar no deleite que foi personificar o poeta suíço/francês Blaise Cendras no episódio sobre a semana de 1922... Sempre desejei trabalhar com a voz para além dos palcos e isso finalmente se apresenta para mim. Quando ainda morava em Porto Alegre, cheguei a gravar alguns spots de rádio. O primeiro que gravei foi para a Gang, uma loja/marca de roupas. No estúdio da Versus, produtora do saudoso Bira Valdez. Lembro até hoje minha fala: "Quando eu era pequeno, tinha o maior medo de cair dentro da bolsa da minha mãe". E o locutor assinava: "Gang, a loja que te entende"... Pois agora, já passado em anos, finalmente tenho a oportunidade de trabalhar nesse nicho do mercado que sempre desejei. O que reforça minha crença de que nunca é tarde para se começar ou recomeçar o que quer que seja. Basta estar atento e forte... A direção, sempre atenta aos detalhes, é de Daniela Pistone, que vem a ser também a autora da série. Estou adorando participar...
Na foto eu, todo compenetrado, dando voz aos personagens de Daniela.
Na foto eu, todo compenetrado, dando voz aos personagens de Daniela.
sábado, 24 de agosto de 2019
FUTURO
Senti vontade de repostar esse texto de fevereiro de 2010:
Lembra do futuro, aquela abstração longínqua e improvável que aconteceria lá pelo ano dois mil? Pois é. Sinto informar que ele chegou. E a conseqüência imediata e inevitável dessa chegada é que você deixou de ser aquele jovem um tanto irresponsável, cheio de sonhos na cabeça e com toda uma vida pela frente e se transformou nesse senhor de meia idade, com cabelos grisalhos e muita, muita responsabilidade. Ah! E sem o menor saco pra balada.
Só isso? Que nada. Muito mais. E agora não adianta reclamar. O futuro está aí e veio em conseqüência dos nossos atos passados e presentes. Quanta violência! Quanta desigualdade social! Quanto calor! Quanto frio! Quantas enchentes! Quantos desastres naturais...Pois é, pensássemos nisso tudo antes, quando o futuro ainda era aquela abstração longínqua etc. Imagino o futuro personificado, chegando aqui no nosso presente para dar o seu recado. Ele chegaria riquíssimo, coberto de ouro, num veículo ultra-moderno, pois, como todo mundo passou a vida inteira guardando dinheiro pro futuro, não deu outra: ele enriqueceu. Ele desceria de sua geringonça voadora saudando a todos com um simpático cumprimento:
- E aí, gentalha, tudo bem com vocês? Claro que não! Dá pra ver... Ahahaha! Eu sou o Futuro! Vocês não vivem esperando por mim? Então, cheguei! Agora lidem com isso...
Os céticos e os pessimistas, que achavam que o futuro era negro, ficam logo decepcionados, pois ele é branco, louro, tem olhos azuis e é belíssimo. Os crentes, que passaram a vida repetindo que “o futuro a Deus pertence” ficam estarrecidos ante a revelação feita por ele logo de cara, na lata:
- Sou autônomo. Não tenho vínculo com nenhuma divindade e muito menos com facção religiosa.
A turba, reunida em plena Avenida Paulista debaixo de chuva, segue atônita escutando as bombásticas declarações desse ser, misto de tempo verbal com o porvir da humanidade:
-Não quero nem saber se o pretérito é perfeito, imperfeito ou mais que perfeito. Eu sou o futuro do presente. De vocês. Sou a conseqüência do que vocês estão fazendo hoje. Agora, o que vocês gostariam que acontecesse é lá com o Futuro do Pretérito, aquela bicha insuportável. Aliás, quando eu estava vindo pra cá, cruzei com o Presente do Subjuntivo e ele falou: Espero que esteja tudo bem com você, porque pior do que está não vai ficar, não é? Eu falei: vai. Ah, vai. Bom, gente, a verdade é que nenhum tempo verbal fala mais comigo. O Gerúndio me vê e sai correndo. O infinitivo não pode nem me olhar. O Particípio ta passado! Ahahaha!
A multidão incrédula começa a achar que o Futuro se passou no champanhe, cuja flute é automaticamente preenchida assim que ele termina de sorver o líquido gelado & rosé...E ele segue o discurso:
- Sorry, galera. Só vim dar um toque. É tanta vidente, astrólogo, tarólogo, enfim, tanta gente abusando da boa fé de vocês pra falar em nome do futuro que eu resolvi vir pessoalmente pra esclarecer. Você aí: desista, você não vai ganhar na loteria. Desculpe, minha senhora, mas aquela loura não vai sair da vida do seu marido. Ah! Vocês não vão virar chefes dos seus chefes, esqueçam aquela promoção...Estão me achando pessimista? Cruel? Que nada, só digo a verdade. Deixa ver o que mais...ah! Não vai ter paz no futuro. Portanto, no próximo Ano Novo, peçam outra coisa pra Iemanjá. Aliás, poupem-se daqueles rituais intermináveis de comer doze grãos de lentilha, pular não sei quantas ondinhas do mar, bobagem. Bebam e pronto. Brindem o presente. Enquanto eu não venho de vez! Como ja falei, era só um toque. Se quiserem, podem continuar poluindo, batendo, discriminando, matando, desmatando, subornando, votando mal, roubando, desviando dinheiro público pra contas na Suíça, não to nem aí. Só não digam que não avisei. E agora eu ja vou indo, que ainda tenho que dar uma passadinha no Rio de Janeiro. Bye!
Dito isso, ele desaparece no céu, parecendo a Xuxa quando entrava na nave no fim do programa, lembra? Esquece...
E a multidão começou a dispersar jogando muita bituca de cigarro, latinhas de cerveja e refrigerante, papéis e embalagens pet no chão, enquanto reclamava sem parar dos alagamentos da cidade.
Lembra do futuro, aquela abstração longínqua e improvável que aconteceria lá pelo ano dois mil? Pois é. Sinto informar que ele chegou. E a conseqüência imediata e inevitável dessa chegada é que você deixou de ser aquele jovem um tanto irresponsável, cheio de sonhos na cabeça e com toda uma vida pela frente e se transformou nesse senhor de meia idade, com cabelos grisalhos e muita, muita responsabilidade. Ah! E sem o menor saco pra balada.
Só isso? Que nada. Muito mais. E agora não adianta reclamar. O futuro está aí e veio em conseqüência dos nossos atos passados e presentes. Quanta violência! Quanta desigualdade social! Quanto calor! Quanto frio! Quantas enchentes! Quantos desastres naturais...Pois é, pensássemos nisso tudo antes, quando o futuro ainda era aquela abstração longínqua etc. Imagino o futuro personificado, chegando aqui no nosso presente para dar o seu recado. Ele chegaria riquíssimo, coberto de ouro, num veículo ultra-moderno, pois, como todo mundo passou a vida inteira guardando dinheiro pro futuro, não deu outra: ele enriqueceu. Ele desceria de sua geringonça voadora saudando a todos com um simpático cumprimento:
- E aí, gentalha, tudo bem com vocês? Claro que não! Dá pra ver... Ahahaha! Eu sou o Futuro! Vocês não vivem esperando por mim? Então, cheguei! Agora lidem com isso...
Os céticos e os pessimistas, que achavam que o futuro era negro, ficam logo decepcionados, pois ele é branco, louro, tem olhos azuis e é belíssimo. Os crentes, que passaram a vida repetindo que “o futuro a Deus pertence” ficam estarrecidos ante a revelação feita por ele logo de cara, na lata:
- Sou autônomo. Não tenho vínculo com nenhuma divindade e muito menos com facção religiosa.
A turba, reunida em plena Avenida Paulista debaixo de chuva, segue atônita escutando as bombásticas declarações desse ser, misto de tempo verbal com o porvir da humanidade:
-Não quero nem saber se o pretérito é perfeito, imperfeito ou mais que perfeito. Eu sou o futuro do presente. De vocês. Sou a conseqüência do que vocês estão fazendo hoje. Agora, o que vocês gostariam que acontecesse é lá com o Futuro do Pretérito, aquela bicha insuportável. Aliás, quando eu estava vindo pra cá, cruzei com o Presente do Subjuntivo e ele falou: Espero que esteja tudo bem com você, porque pior do que está não vai ficar, não é? Eu falei: vai. Ah, vai. Bom, gente, a verdade é que nenhum tempo verbal fala mais comigo. O Gerúndio me vê e sai correndo. O infinitivo não pode nem me olhar. O Particípio ta passado! Ahahaha!
A multidão incrédula começa a achar que o Futuro se passou no champanhe, cuja flute é automaticamente preenchida assim que ele termina de sorver o líquido gelado & rosé...E ele segue o discurso:
- Sorry, galera. Só vim dar um toque. É tanta vidente, astrólogo, tarólogo, enfim, tanta gente abusando da boa fé de vocês pra falar em nome do futuro que eu resolvi vir pessoalmente pra esclarecer. Você aí: desista, você não vai ganhar na loteria. Desculpe, minha senhora, mas aquela loura não vai sair da vida do seu marido. Ah! Vocês não vão virar chefes dos seus chefes, esqueçam aquela promoção...Estão me achando pessimista? Cruel? Que nada, só digo a verdade. Deixa ver o que mais...ah! Não vai ter paz no futuro. Portanto, no próximo Ano Novo, peçam outra coisa pra Iemanjá. Aliás, poupem-se daqueles rituais intermináveis de comer doze grãos de lentilha, pular não sei quantas ondinhas do mar, bobagem. Bebam e pronto. Brindem o presente. Enquanto eu não venho de vez! Como ja falei, era só um toque. Se quiserem, podem continuar poluindo, batendo, discriminando, matando, desmatando, subornando, votando mal, roubando, desviando dinheiro público pra contas na Suíça, não to nem aí. Só não digam que não avisei. E agora eu ja vou indo, que ainda tenho que dar uma passadinha no Rio de Janeiro. Bye!
Dito isso, ele desaparece no céu, parecendo a Xuxa quando entrava na nave no fim do programa, lembra? Esquece...
E a multidão começou a dispersar jogando muita bituca de cigarro, latinhas de cerveja e refrigerante, papéis e embalagens pet no chão, enquanto reclamava sem parar dos alagamentos da cidade.
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
AGOSTO A GOSTO
Eu não poderia ter adentrado o mês de agosto de maneira melhor: Com duas apresentações da Terça Insana em Belo Horizonte, uma na sexta e outra no sábado, duas casas lindas, cheias de mineiros muito animados que nos cobriram de carinhos, risadas e aplausos... Fomos muito bem recebidos nas Minas Gerais, com temperaturas amenas e muitos mimos. De volta a São Paulo, fui correndo ao Parque do Carmo para apreciar a floração das cerejeiras, posto que a florada dura uns quatro dias no máximo. Tanta beleza com tão pouca duração nos dá uma medida exata da impermanência de tudo nessa vida. A própria vida em si, inclusive... Minha mãe não gostava do mês de agosto. Para completar, meu pai faleceu no primeiro dia desse mês. Enquanto me abraçava, aos prantos, ela maldizia o mês nefasto que levara meu pai... Há várias crenças negativas sobre esse mês que, para mim, é exatamente igual a todos os outros que compõem o ano. Na verdade até gosto. Acho que agosto marca o início de um novo ciclo: O segundo semestre, que nos leva rapidinho para o fim do ano. E, consequentemente, para o novo, o que está por vir... Eu sugiro que cada um faça do seu agosto o que bem entender. Ou não faça nada, se assim lhe aprouver. Quer ficar zen, totalmente conectado com seu eu interior? Fique. Desligue a TV, o rádio, esqueça os jornais. Até porque as notícias não andam lá muito boas. Quer brigar com todo mundo que pensa diferente de você? Brigue, xingue, grite. Bloqueie nas redes sociais. Mas desfrute intensamente este mês que nada tem de louco ou mal assombrado. Viva o mês de agosto ao gosto do freguês. E, para terminar citando Caio Fernando Abreu, que sempre é oportuno: Que se possa sonhar, isso é o que conta. Com mãos dadas, suspiros, juras. E beijos, muitos. Bem molhados... Bom agosto a todos!
Na foto eu, bem pimpão, no Bosque das Cerejeiras do Parque do Carmo.
Na foto eu, bem pimpão, no Bosque das Cerejeiras do Parque do Carmo.
Assinar:
Postagens (Atom)









