domingo, 24 de maio de 2026
NOSTALGIA
O sol voltou! São Paulo andou sendo São Paulo por vários dias. Uma semana, pelo menos. Dias escuros, céu cinzento, chuvinha fina de dar dó. Ornando com tudo de obscuro que anda acontecendo no Brasil e no mundo. E a minha positividade dando sinais de falência. Até que finalmente, em pleno domingo pela manhã, o sol voltou a brilhar. Graças aos céus… Faz tempo que não falo por aqui da minha abstinência de Paris. Ultimamente ela tem me atacado em doses bastante elevadas. Até o cheiro do pó de café, quando vou preparar meu desjejum pela manhã, me lembra Paris. Quando abro a janela e o ar frio do outono entra misturado com o cheiro de lenha queimada da pizzaria em frente, voilà: Ça me donne envie d’être à Paris… Memórias são os nossos melhores aliados nesses momentos. Que bom que já vivemos bastante e temos muito do que lembrar. Dia desses meu amigo Odilon, que mora na Bahia, me perguntou se existe mesmo aquela Paris tão luxuosa e especial que a série Emily in Paris mostra. Respondi que Paris é realmente fantástica, às vezes inacreditável mesmo. E o melhor é que, do nada, você se vê incluído numa dessas coisas inacreditáveis que só acontecem por lá. O João, meu amigo que me hospedava nas minhas idas à Cidade Luz, trabalhou por anos em bares e restaurantes de uma mesma família de proprietários. O Le Fumoir, por exemplo, que é um dos meus lugares preferidos na cidade, eu conheci por indicação da revista da Joyce Pascowitch. Nem sabia que meu amigo tinha sido barman lá. Quando contei para ele que tinha conhecido e que adorava o Fumoir, ele me disse que era do mesmo proprietário do restaurante onde ele estava trabalhando, o La Gazeta. Eu já conhecia o chefe do João pelo telefone, de atender quando ele estava ocupado. Então João contou para o chefe que eu amava o Fumoir e ele me convidou para uma degustação de vinhos na cave do bar! O melhor é que fui apresentado aos produtores de vinho como um famoso enólogo brasileiro rsrs. Eu falei: Exagero seu! Ele respondeu: que nada, você é um grande conhecedor de vinhos, só é modesto… Só sei dizer que enquanto eles bochechavam o vinho e o cuspiam fora, eu ia bebendo todo o conteúdo das taças que me eram servidas. Resultado: Eram dez da manhã e eu saí completamente bêbado do meu bar preferido em Paris… ah, essa saudade no meu peito! Como bem disse Clarice Lispector, saudade é um pouco como fome, só passa quando se come a presença… O céu já está nublado outra vez, minha positividade foi temporariamente carregada, o vinho branco bateu, sem mais para o momento me despeço cordialmente. Bom fim de domingo a todos!
Na foto, fachada do Lux Bar, na rue Lepic, em Paris.
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