quinta-feira, 10 de agosto de 2017

POESIA BEM VINDA

Ah, como tudo anda sem graça ultimamente. Ah, como a vida tá difícil pra todo mundo. Ah, como o Brasil está em crise. Ah, como está seco e poluído o ar de São Paulo neste mês de agosto... Pois uma lufada de ar fresco acaba de ser lançada: O Filme da Minha Vida, de Selton Mello. Dizem que rir é o melhor remédio em tempos difíceis e eu, como comediante, não posso deixar de concordar. Mas se rir é o melhor remédio, a poesia é a salvação. O terceiro longa de Selton Mello é poesia pura. Há algo de Fellini que permeia o filme do início ao fim. Altas doses de lirismo que tiram a gente da vidinha mais ou menos que andamos levando. O filme foi rodado no sul do país, mas poderia ter sido em qualquer lugar do mundo. Não há fronteiras quando se trata da imaginação. O colorido meio sépia da fotografia remete à memória de tempos passados. As descobertas do amor e da sexualidade. O cinema como possibilidade de expansão do reduzido universo da cidade pequena. A trilha sonora maravilhosa, que embala grande parte das cenas. A paisagem de encher os olhos. A participação de Rolando Boldrin. A comovente interpretação do protagonista Johnny Massaro... Há muito a ser visto e apreciado nessa obra de rara beleza do cinema nacional. Inspirado é o mínimo que se pode dizer desse momento da carreira de Selton Mello. Pode não ser o filme da minha vida ou da sua. Mas que vale a pena, ah como vale! Saí do cinema e o entardecer na Avenida Paulista tinha tons que eu ainda não havia percebido...
Na foto Tony, o personagem de Johnny Massaro, na deslumbrante paisagem sulista.

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