quarta-feira, 8 de abril de 2026
PIANO ELÉTRICO
Com o dia do meu aniversário se aproximando, tenho pensando na minha velhice precoce. Digo precoce porque começou muito antes de eu me tornar um idoso sessenta mais. Foi nesse pensar que me lembrei da história do piano elétrico rsrs… Sempre fui apaixonado por piano. Desde criança ficava encantado com Elton John, Rick Wakemam, Benito de Paula. Depois, com o tempo, fui conhecendo Eduardo Dusek, Cida Moreira, Arthur Moreira Lima, Wagner Tiso, César Camargo Mariano. Mais depois ainda descobri Keith Jarret, Nina Simone, João Carlos Assis Brasil, Éric Satie, Benjamin Clementine e tantos outros que não caberiam aqui no post. Dos nove aos quinze anos estudei piano clássico, além de teoria e solfejo. Não ter me tornado um pianista é uma das minhas (poucas) grandes frustrações. Até que na década de oitenta a música popular brasileira foi dominada pela dupla de arranjadores Lincoln Olivetti e Robson Jorge e todos, simplesmente to-dos os artistas passaram a usar piano elétrico nas suas gravações. Eu tinha uma implicância tão grande com aquela sonoridade (que para mim era totalmente falsa) que fiquei “de mal” de grande parte dos meus ídolos. Não entrava na minha cabeça alguém preferir aquilo a um piano acústico, de verdade, com teclas e cordas… A moda pegou de tal maneira que de repente até César Camargo Mariano estava usando piano elétrico nos discos de Elis! Aquilo era demais para mim rsrs. Como podem perceber, desde a mais tenra idade eu já era um velho rabugento com sérios problemas de convivência em sociedade. O engraçado é que hoje eu escuto aquelas gravações e acho bonito. Aliás, uma das minhas gravações preferidas de Elis é a da canção Rebento, de Gil, do disco de 1980, na qual ela é acompanhada por César no piano elétrico, vejam só. Outra que me encanta sobremaneira é Só de Você, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, com o belíssimo arranjo do mesmo César Mariano tocando, vejam só novamente, piano elétrico. Enfim, as modas passam e o piano fica. Minha paixão por esse instrumento só cresce e se renova. Já a minha rabugice não passa nunca, pelo contrário, só aumenta com o passar dos anos. Aquele idoso que eu já era aos vinte anos se tornou um ancião. Capaz de implicar com sabiás que cantam de madrugada, crianças que brincam aos gritos, gente que fala e escreve errado o português, vizinhos barulhentos e muitas outras coisas que não caberiam aqui. Mas cá entre nós, implicar com piano elétrico é demais, não? Ainda mais aos vinte anos. Acho que meu caso é sério. Será que preciso de internação? Sugestões, conselhos ou dicas nos comentários, please… Na foto, Robertinho se apresenta ao piano no auditório do colégio das freiras em Soledade.
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