sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
QUARESMA
Hi, bolg! Voltei... Andei por lugares obscuros, mundos sombrios dos quais não tenho a menor vontade de discorrer aqui. Quem me conhece sabe que sou solar. Que prefiro o sol à chuva, o dia à noite, a alegria às tristezas. Mas sabemos também que a vida não é um conto de fadas. As tristezas fazem parte, assim como as alegrias. O bom é que todas passam. E quem, como eu, prefere a luz às trevas, acaba guardando somente as boas lembranças... Este ano vivi o carnaval mais triste da minha vida. Nada de bloco, baile ou folia. Nem confetes ou fantasia. Só lembranças, álcool, fotografias. Faz tempo que venho me fazendo a seguinte pergunta: Por que chega uma fase da vida em que a gente começa a perder todo mundo que ama? Isso não está certo. Perder os mais velhos, os avós, os pais, a gente até se conforma. Mas e quando se trata de alguém que ainda teria muito pela frente? Sigo sem resposta... Quando digo que sou solar, alegre e etc. por favor não me tomem por alguém raso, superficial. Sou denso e profundo também. Só que as minhas profundezas têm claraboias. O meu isolamento tem wi-fi. Vou e volto, sabe? Mais ou menos como Rimbaud: Uma temporada no inferno. A palavra "temporada" traz em si a ideia de transitoriedade. Pois eis-me aqui, de volta à tona. Ferido, sentido, triste, mas já antevendo o sol que voltará a brilhar. Nem todo o óbvio é ululante, para citar Nelson Rodrigues. Trago algumas pérolas cuidadosamente preservadas... A memória, esse dom inestimável que possuímos, esse ítem de fábrica que a gente nem precisa pagar - já vem no pacote - quando bem preservada e exercitada nos salva. Nos alimenta e aquece. Assim como a arte, a cultura, a educação e a literatura. Que nada mais são do que memórias preservadas, certo? E vamos vivendo, felizes e infelizes, contentes e descontentes, satisfeitos e aborrecidos, com o nosso hd de lembranças. Para acessá-las não é necessário nenhum grande esforço. Não precisa nem baixar um aplicativo. É só diminuir as luzes da sala, abusar de luzes indiretas, colocar uma boa música em volume civilizado e, claro, preparar um bom drinque. Há quem prefira esquecer, ou até mesmo deletar. Se tentorpecer, se anestesiar. Fugir da própria realidade, quando esta se apresenta difícil. Mas é sempre bom lembrar que não somos robôs. Que temos inteligência e que ela, graças a Deus, não é artificial. Mas precisa, claro, de exercícios. Assim como os músculos... Que bom que o carnaval acabou. Quer dizer, ainda não. Pelo menos aqui em São Paulo ainda teremos um pós-carnaval esse fim de semana. Mas que bom que a vida parece estar, finalmente, voltando ao normal. Se é que se pode chamar essa loucura que estamos vivendo de normal... Boa quaresma a todos!
Na foto, Straight Flush, meu palhaço triste num distante carnaval em Soledade.
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