domingo, 17 de agosto de 2025
PAZ INTERIOR
Dia desses Weidy e eu resolvemos passar o dia de domingo no interior, mais precisamente em Santana de Parnaíba, município da região metropolitana de São Paulo que fica pertinho, a quarenta quilômetros daqui da capital. É quase inacreditável que tão próximo dessa loucura toda que é uma metrópole haja tal joia de preservação arquitetônica e natural. Aquela típica cidade do interior com uma praça, uma igreja, um coreto e ruazinhas repletas de casas do período colonial. O dia se fez ensolarado, nas barracas de comida e bebida e nos restaurantes e bares que circundam a praça as pessoas se divertiam, tiravam fotografias e comiam o morango do amor rsrsrs... Depois de visitar o museu, a praça, a igreja e fotografar as lindas construções, almoçamos num restaurante italiano instalado numa belíssima mansão de pé direito alto e com aquelas janelas de vidros bisotados. Um sonho juste à côté da Pauliceia... De volta à ensandecida megalópole comecei a assistir à série Boca a Boca, do mesmo diretor do filme Homem Com H, o talentosíssimo Esmir Filho. E não é que a série se passa numa pequena cidade do interior tão linda, antiga e preservada quanto Santana de Parnaíba? Na ficção a chamaram de Progresso, mas já pesquisei e descobri tratar-se de Goiás Velho, município do estado de Goiás. Estou louco para ir lá conhecer. Só que essa é bem mais longe daqui... A propósito, adorei a série. Não deixem de assistir, está disponível na Netflix. E dando asas à dispersão, conversando com uma amiga muito querida - que não via há muitos anos e que esteve em São Paulo essa semana - lá pelas tantas o papo enveredou para os sonhos e planos futuros, as mudanças de vida que a gente sempre acaba adiando e onde gostaríamos de morar. Ao contrário de mim, um taurino apegado às coisas e hábitos, que cria raízes difíceis de remover, ela, toda serelepe, vive mudando de vida, de atitudes e planos. E isso inclui os lugares onde mora. Recentemente, cansada de alternar a vida no interior e na capital gaúchos, me contou que mudou-se para a praia. Imediatamente aquela minha velha fantasia de deixar Sampa e ir morar junto ao mar voltou. E ficamos a projetar possibilidades de tornar esse sonho real... O meu grau de dificuldade para mudança de moradia já começa pelo local: Onde, em qual praia eu gostaria de morar? As que mais gosto ficam longe de São Paulo, não tem hospital, meu plano de saúde é daqui... E seguem os empecilhos: Tenho preguiça de encaixotar tudo e transportar. Eu poderia alugar uma casa já mobiliada na praia, mas alugar meu apartamento com tudo dentro para outra pessoa morar é algo impensável para mim. Imaginar outras pessoas se relacionando com meus móveis e objetos, todos plenos de significado para mim e pelos quais nutro afeto incondicional... E mais ainda: Tenho quase certeza que depois de um ou dois meses eu seria tomado por um tédio incontrolável e ia querer fazer tudo o que tem para se fazer na capital e que quase nunca faço quando estou aqui... Difícil, não? Assim eu vou ficando por São Paulo mesmo, cidade que me encanta desde a mais tenra idade e na qual sempre sonhei viver. Nasci no interior do Rio Grande do Sul, na pequena Soledade, onde vivi até os catorze anos de idade, quando me mudei para Porto Alegre para fazer o segundo grau e a faculdade. Desde lá eu já sabia que viver nas grandes cidades seria para mim um caminho sem volta. Apesar de achar a coisa mais linda uma pequena cidade do interior ou uma vila de pescadores junto ao mar, é nos grandes centros urbanos que a vida pulsa, e esse pulsar constante ainda encontra ressonância no meu peito, apesar da idade que avança inexoravelmente... De qualquer maneira, é bom saber que "sempre teremos Paris". Ou Ilhabela, Camburi, Barra do Sahy, Santana de Parnaíba e Goiás Velho... Boas viagens a todos!
Nas fotos, o coreto da praça, eu posando em uma esquina, ruazinha ao lado da praça e detalhe do interior do restaurate.
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Querido,
ResponderExcluirNem sabes o quanto admiro essas pessoas que largam tudo e vão morar em cidades pequenas, tenho amigos que também fizeram isso e estão lá, dizem que felizes, mas eu não acredito cem por cento. rs
Interior é bom para visitar, uma semana no máximo. Cidade sem teatros, sem cinemas, livrarias, cafés, museus e sem hospitais, definitivamente não é pra mim.
Já coloquei Boca a Boca na lista, ainda nessa semana eu começo a ver.